Aquele que toma a mãe sobre os filhotes — Rabi Iehudá diz: leva chibatadas e não a envia. E os sábios dizem: envia-a e não leva chibatadas.
— A mishná passa do plano de quem cumpre a mitzvá corretamente para o de quem já a transgrediu: alguém que tomou a mãe junto com os filhotes, violando “não tomarás a mãe com os filhotes” (Devarim 22:6). Rabi Iehudá entende que a própria ordem das palavras no verso seguinte — primeiro “enviarás a mãe”, depois “tomarás os filhotes” — ensina que o envio só é exigido antes da tomada; uma vez consumada a transgressão, resta apenas a punição, sem possibilidade de retificação pelo envio tardio. Os sábios discordam: mesmo depois de tomada indevidamente, a mãe ainda deve ser enviada, e esse próprio envio, por cumprir o preceito positivo embutido na proibição, isenta da punição.
Esta é a regra: todo preceito negativo que contém dentro de si um “levanta-te e faze”, não se levam chibatadas por ele.
— A mishná fecha com o princípio geral por trás da posição dos sábios, válido muito além desta mitzvá específica: sempre que uma proibição da Torá vem acompanhada de uma ordem positiva de retificação — um “kum assê”, “levanta-te e faze” — que permite corrigir a transgressão depois de cometida, a punição das chibatadas não se aplica, desde que a pessoa cumpra essa retificação. No caso de shiluach hakan, a proibição de tomar a mãe vem acompanhada exatamente desse tipo de ordem: enviá-la, ainda que tardiamente.
Rambam explica que esses preceitos negativos que se convertem em positivos (lav sheninetak le-assê) já foram esclarecidos no início do tratado Makot: enquanto a pessoa não cumprir o preceito positivo embutido na proibição, leva chibatadas — pois a halachá segue os sábios. Mas quem tomou a mãe e cortou suas asas, de modo que ela não consegue mais voar, mesmo que a envie assim, é açoitado com chibatadas de caráter disciplinar (makat mardut); e depois disso a mantém consigo até que as asas cresçam novamente, e então a envia, a fim de cumprir o preceito positivo embutido nela, como já explicamos.
Bartenura explica que, embora a regra geral seja que não se levam chibatadas por um preceito negativo convertido em positivo, aqui a razão de Rabi Iehudá é diferente: ele entende que “enviar” pressupõe uma ordem cronológica — o verso está dizendo “não tomarás a mãe”, mas o que há para fazer, ao encontrar o ninho, é “enviar, sim, enviarás a mãe”; não há aqui, portanto, uma conversão de negativo em positivo, mas a transgressão simultânea de um preceito positivo e de um negativo. E não segue a halachá a opinião de Rabi Iehudá. Sobre “não se levam chibatadas por ele”, isso vale apenas se a pessoa cumpriu o preceito positivo nele contido; mas se não o cumpriu — como aquele que toma a mãe sobre os filhotes e a abate, ou ela morre em suas mãos — leva chibatadas.
Rashi remete a razão pela qual Rabi Iehudá diz que leva chibatadas à explicação detalhada da Guemará adiante. Sobre “e não a envia”, observa que a proibição já foi cometida — o que foi feito, foi feito. Sobre “não se levam chibatadas por ele”, explica que por isso o preceito foi convertido em positivo: para dizer que, se a pessoa transgrediu a proibição, deve fazer isto e se salvar — não tomarás a mãe, mas se a tomou, enviarás, sim, enviarás. E sobre “esta é a regra... não se levam chibatadas por ele”, esclarece que isso vale a menos que a pessoa não o tenha cumprido dentro do tempo de uma fala (tokh kedei dibur) — segundo quem ensina “cumpriu-o ou não o cumpriu”, mas se enviar dentro desse breve intervalo não leva chibatadas, e se não enviar leva, sendo necessário enviar mesmo depois da tomada; e segundo quem ensina “anulou-o ou não o anulou”, é preciso esperar até que a abata, e se não a abateu, não leva chibatadas.