Iossê ben Ioézer diz que não se apoia; Iossê ben Iochanan diz que se apoia. Iehoshua ben Perachiá diz que não se apoia; Nitai, o Arbelita, diz que se apoia. Iehudá ben Tabai diz que não se apoia; Shimon ben Shatach diz que se apoia. Shemaiá diz que se apoia; Avtalion diz que não se apoia. Hilel e Menachem não discordaram. Menachem saiu, entrou Shamai. Shamai diz que não se apoia; Hilel diz que se apoia. Os primeiros eram Nessiim, e os segundos deles eram chefes do tribunal. — A mishná registra cinco gerações sucessivas de pares de sábios — os Zugot — que discordaram sobre uma única questão prática: se é permitido, no dia festivo, apoiar as mãos com todo o peso do corpo sobre a cabeça do animal antes de oferecê-lo, um ato que envolve o uso de um ser vivo e certo esforço físico, o que poderia conflitar com a proibição de trabalho no yom tov. Em cada par, um sábio proibia o apoio e o outro o permitia, exceto no quarto par, em que ambos concordavam em permitir. A mishná narra ainda um episódio de transição: Hilel formava par com Menachem sem que jamais discordassem, mas quando Menachem se retirou para servir ao rei, Shamai ocupou seu lugar e discordou de Hilel sobre exatamente essa questão. A mishná fecha explicando a estrutura hierárquica desses pares: o primeiro sábio mencionado em cada par ocupava o cargo de Nassi, o líder principal, enquanto o segundo ocupava o cargo de Av Beit Din, o chefe do tribunal, a segunda posição de autoridade.
A Torá exige o apoio das mãos sobre a cabeça do animal em toda oferenda de ascensão, com todo o peso do corpo — um gesto que, em dia comum, não gera dúvida alguma. A controvérsia dos Zugot nasce especificamente do choque entre esse preceito bíblico e a proibição rabínica de usar animais vivos como se fossem instrumentos de trabalho em dia festivo: como a semichá exige apoiar-se com toda a força sobre o animal, alguns sábios a equipararam a um uso proibido de ser vivo no yom tov, enquanto outros insistiram em preservar o cumprimento pleno do mandamento bíblico mesmo no dia de festa.
Rambam identifica o episódio de Menachem e fixa a halachá final, seguindo a opinião de Hilel.
Bartenura explica o motivo da proibição e o episódio da saída de Menachem; Rashi, na Guemará, discute a lógica por trás da controvérsia.
Rambam confirma que a expressão da mishná sobre Menachem se refere à sua saída da casa de estudo para o serviço do rei, o que explica por que sua posição pessoal sobre a semichá em dia festivo nunca chegou a ser registrada — diferentemente de todos os demais pares, cujas duas opiniões opostas ficaram preservadas.
Bartenura explica que a proibição de Iossê ben Ioézer se refere especificamente ao dia festivo, pois quem apoia as mãos com todo o seu peso está fazendo uso de um ser vivo de modo próximo a trabalho. Ele observa que essa controvérsia se repetiu, de geração em geração, entre quem ocupava o posto de Nassi e quem ocupava o posto de Av Beit Din. Sobre Menachem, esclarece que ele deixou a casa de estudo para o serviço do rei, afastando-se de sua parceria com Hilel, e Shamai então tomou seu lugar como Av Beit Din, discordando de Hilel nessa questão.
Rashi confirma que o fundamento da proibição de Iossê ben Ioézer é o uso do animal com toda a força do corpo, o que se assemelha a um tipo de trabalho vedado no dia festivo. Sobre a estrutura hierárquica final da mishná, Rashi explica que, em cada um dos pares mencionados, o sábio citado em primeiro lugar ocupava o cargo de Nassi, a liderança principal do povo, enquanto o segundo ocupava o cargo de Av Beit Din, o chefe do tribunal rabínico, a segunda posição de autoridade na hierarquia.