Os próximos trazem os figos e as uvas, e os distantes trazem figos secos e passas (a distância da viagem determinava o tipo de fruta que era prático transportar: quem morava perto de Jerusalém podia levar figos e uvas frescos, que se estragam rapidamente, enquanto quem vinha de longe trazia as mesmas espécies já secas — grogarot e tsimukim — capazes de suportar dias de viagem sem apodrecer). E o boi ia à frente deles, com seus chifres cobertos de ouro e uma coroa de oliveira em sua cabeça (um boi vivo, destinado a ser oferecido como sacrifício de paz, encabeçava a procissão, adornado com chifres dourados e uma grinalda de ramos de oliveira — um dos sete tipos de frutos pelos quais a Terra de Israel é elogiada — anunciando visualmente a natureza da oferenda que se aproximava). A flauta tocava diante deles, até chegarem perto de Jerusalém (a música instrumental acompanhava toda a extensão do trajeto, criando uma atmosfera festiva e solene ao longo de toda a jornada). Ao chegarem perto de Jerusalém, enviavam [mensageiros] à frente deles, e enfeitavam seus bikurim (perto da cidade, a caravana enviava avisos antecipados de sua chegada iminente, e aproveitava para dar um último e cuidadoso arranjo decorativo aos cestos de primícias, preparando-os para a entrada solene). Os governadores, os prefeitos e os tesoureiros saíam ao encontro deles; conforme a honra dos que entravam, assim saíam [para recebê-los] (as autoridades de Jerusalém organizavam sua recepção proporcionalmente à importância e ao tamanho do grupo que chegava, um sinal de honra recíproca entre a cidade santa e seus peregrinos). E todos os artesãos de Jerusalém se levantavam diante deles e perguntavam por seu bem-estar: "nossos irmãos, homens de tal lugar, vieram em paz" (mesmo os trabalhadores comuns da cidade, ocupados em seus ofícios, interrompiam o trabalho para saudar os peregrinos com uma fórmula de boas-vindas fraternal, identificando-os por sua cidade de origem).
A coroa de oliveira no boi relembra visualmente os sete tipos de frutos pelos quais a Terra de Israel é elogiada, enquanto o restante da cena ilustra o mandamento de "irás ao lugar que Ele escolher".
Por que um boi vivo caminhava à frente da procissão, e por que justamente com uma coroa de oliveira? O boi não era um mero enfeite decorativo: ele próprio seria oferecido, junto com os bikurim, como sacrifício de paz (shelamim) — parte integrante da mitzvá, como o Rambam esclarece em Hilchot Bikurim 3:12, discutida na Mishná 3:6. Sua presença à frente do cortejo já anunciava visualmente, a quem via a caravana se aproximar, que se tratava de peregrinos trazendo primícias. A escolha da oliveira para a coroa — e não de outro dos sete tipos — reflete, segundo o Rambam, sua superioridade estética entre as árvores frutíferas da terra. Esta mishná, situada no meio da sequência cronológica da jornada, mostra como a distância geográfica de cada peregrino (determinando se seus frutos chegavam frescos ou secos) e a proximidade crescente de Jerusalém (determinando a intensidade cada vez maior da celebração, dos primeiros preparativos de última hora ao acolhimento fraternal dos habitantes da cidade) se entrelaçam numa única narrativa contínua.
O Rambam preserva esta mesma cena, quase palavra por palavra, em Hilchot Bikurim 4:16-17, confirmando cada detalhe cerimonial descrito pela mishná.
O Perush HaMishná do Rambam sobre a coroa de oliveira, e o comentário de Bartenura sobre os figos e uvas frescos.
"E uma coroa em sua cabeça": para nos informar que estes bikurim são dos sete tipos; e porque não há entre as árvores nenhuma tão bela quanto a oliveira, faziam a coroa apenas com ramos de oliveira (o Rambam explica a dupla função simbólica do adorno: por um lado, identifica visualmente a natureza dos frutos trazidos como pertencentes aos sete tipos elogiados da terra; por outro, a escolha específica da oliveira, e não de qualquer outra das sete espécies, reflete um juízo estético — a oliveira sendo considerada a mais bela entre todas as árvores frutíferas, tornando-a a escolha natural para um adorno cerimonial).
"Figos e uvas": quando estão frescos [úmidos] (o Bartenura esclarece brevemente que a menção a "figos e uvas" na mishná se refere especificamente à fruta fresca, ainda úmida — em contraste com os grogarot e tsimukim mencionados na sequência, que são as mesmas frutas em sua forma seca, adequada ao transporte por longas distâncias).