Rabi Shimon diz: três medidas há em bikurim: os bikurim, o acréscimo de bikurim, e o coroamento de bikurim (Rabi Shimon introduz uma taxonomia formal de três categorias que, até aqui, a mishná vinha tratando de modo mais implícito: o "bikurim" propriamente dito — o fruto original separado no campo, como descrito na Mishná 3:1; a "tosefet habikurim" — um acréscimo posterior de frutos da mesma espécie; e o "itur habikurim" — o coroamento decorativo com frutos de espécie diferente, discutido na controvérsia da mishná anterior entre Rabi Shimon ben Nannas e Rabi Akiva). O acréscimo de bikurim é de espécie igual à sua espécie; e o coroamento de bikurim é de espécie diferente da sua espécie (Rabi Shimon define tecnicamente a diferença entre as duas categorias adicionais: a "tosefet" consiste em acrescentar mais frutos do mesmo tipo já designado como bikurim — por exemplo, mais figos ao lado dos figos já separados — enquanto o "itur" consiste especificamente em adornar com frutos de um tipo diferente, como visto na mishná anterior). O acréscimo de bikurim é comido em pureza, e é isento de demai; e o coroamento de bikurim está sujeito a demai (as duas categorias adicionais têm consequências práticas bem diferentes: a tosefet, por partilhar da mesma espécie e do mesmo processo de designação que os bikurim originais, herda seu status de pureza ritual — deve ser consumida em estado de pureza — e fica isenta da obrigação de separar demai (o dízimo duvidoso separado de produtos comprados de quem talvez não tenha dizimado corretamente); já o itur, por ser de espécie diferente e não ter passado pelo mesmo processo formal de designação, permanece sujeito à obrigação padrão de demai, como qualquer produto agrícola comum).
A base é novamente Devarim 26, mas agora a mishná explora as camadas técnicas em torno do fruto originalmente designado como "primícias".
Por que a tosefet herda a pureza dos bikurim, mas o itur não? A lógica de Rabi Shimon segue o princípio de que a santidade de bikurim se estende apenas àquilo que compartilha genuinamente da natureza e da espécie do fruto original designado no campo (Mishná 3:1). Um acréscimo de figos aos figos já designados como bikurim é, substancialmente, mais do mesmo — o novo fruto se funde à mesma categoria e herda, portanto, tanto a exigência de pureza ritual quanto a isenção de demai que caracterizam os bikurim genuínos. Já o coroamento com frutos de espécie diferente nunca foi, ele mesmo, objeto do ato original de designação no campo — permanece sendo, essencialmente, um fruto agrícola comum, meramente emprestado para servir de moldura decorativa aos bikurim reais, e por isso continua sujeito às obrigações agrícolas padrão, incluindo o demai. Esta mishná fecha o arco temático aberto nas Mishnayot 3:8-3:9 (cestos e adorno), preparando o terreno para a última mishná deste bloco, que tratará da extensão geográfica de onde a tosefet pode legitimamente vir.
Não foi localizada, no Mishné Torá, uma halachá formal e extensa dedicada a esta tríplice classificação de Rabi Shimon; a confirmação mais direta aparece no próprio Perush HaMishná do Rambam, reproduzido abaixo.
O Rambam confirma que a halachá não segue Rabi Shimon quanto ao limite do itur discutido na mishná anterior; o Bartenura define a categoria-base "os bikurim" com precisão.
Já explicamos que a halachá não é como Rabi Shimon, que diz que se coroam os bikurim com o que não é de sua espécie, exceto os sete tipos; mas se quis coroar os figos com uvas por semelhança, e as tâmaras com azeitonas e semelhantes, todos concordam nisso (o Rambam esclarece um ponto sutil: embora a halachá rejeite a posição ampla de "Rabi Shimon" — aqui, provavelmente uma referência retomada a Rabi Shimon ben Nannas da mishná anterior — quanto a coroar com qualquer fruto fora dos sete tipos, há consenso de que é permitido coroar frutos dos sete tipos entre si, cruzando categorias dentro do próprio grupo — por exemplo, usar uvas para adornar figos, ambos pertencentes aos sete tipos, mesmo que de espécies diferentes entre si).
"Os bikurim": os bikurim propriamente ditos são a figueira que amadureceu, ou o cacho que amadureceu (o Bartenura define a primeira das três categorias de Rabi Shimon remetendo diretamente à cena de abertura de todo o Perek Guimel, na Mishná 3:1 — o próprio fruto original identificado e atado no campo é o "bikurim" no sentido mais estrito e fundamental do termo, distinto tanto do acréscimo posterior quanto do adorno decorativo discutidos nesta e na mishná anterior).