Quando disseram que o acréscimo de bikurim é como os bikurim? Quando vem da Terra [de Israel] (a mishná retoma a categoria de "tosefet habikurim" — o acréscimo de frutos da mesma espécie, definida na Mishná 3:10 como equiparada aos bikurim quanto à pureza ritual e à isenção de demai — e agora precisa uma condição essencial para essa equiparação: o acréscimo só herda plenamente o status privilegiado dos bikurim quando os frutos adicionais também provêm da Terra de Israel, a mesma origem geográfica exigida para os próprios bikurim). Mas se não vem da Terra, não é como os bikurim (a mishná fecha o raciocínio com sua contrapositiva direta: caso os frutos usados como acréscimo tenham origem fora da Terra de Israel — por exemplo, do Ever haYarden, a região a leste do rio Jordão, cujo status geográfico quanto às mitzvot agrícolas era objeto de discussão especial, como o Bartenura esclarece abaixo — esse acréscimo perde a equiparação total aos bikurim, mesmo sendo da mesma espécie botânica que o fruto original).
A própria mitzvá de bikurim, em sua formulação bíblica, está inextricavelmente ligada à posse da terra — o que fundamenta a exigência geográfica desta mishná.
Por que especificamente o Ever haYarden é o caso relevante aqui? Como o Bartenura explica abaixo, esta mishná provavelmente pressupõe uma mishná anterior (já discutida em outro contexto do tratado) segundo a qual bikurim propriamente ditos podem, de fato, ser trazidos do Ever haYarden — a região a leste do Jordão, ocupada pelas tribos de Reuven, Gad e metade de Menashe — ainda que essa região não seja tecnicamente "a terra que mana leite e mel" na acepção mais estrita da Torá. Se bikurim originais podem vir dali, seria razoável supor que o acréscimo (tosefet) também pudesse — mas esta mishná esclarece que não: mesmo que o Ever haYarden seja aceitável para os bikurim originais, um acréscimo posterior de frutos vindos dali não herda a equiparação total com os bikurim que caracteriza a tosefet vinda estritamente da Terra de Israel propriamente dita. Esta mishná encerra o bloco temático da tosefet e do itur (Mishnayot 3:8-3:11), preparando a transição para a mishná final do Perek Guimel, que trata de uma questão completamente distinta: o estatuto legal dos bikurim como propriedade transferível do cohen.
O Rambam, em seu Perush HaMishná, confirma brevemente a premissa geográfica desta mishná — que os bikurim propriamente ditos podem vir do Ever haYarden, mesmo essa região não sendo tecnicamente parte da Terra de Israel na acepção mais estrita.
O Bartenura desenvolve com mais detalhe as duas leituras possíveis desta mishná — uma ligada ao Ever haYarden, outra à controvérsia sobre frutos de fora da Terra vista na Mishná 3:9.
"Mas se não vem da Terra": como se trouxeram o acréscimo do Ever haYarden, pois ensinamos acima que trazem bikurim de lá, ainda que não seja terra que mana leite e mel. Ou então, esta mishná é [segundo] Rabi Shimon [ben Nannas], que disse acima: coroam-se os bikurim exceto com os sete tipos — e a mesma regra vale para frutas que cresceram fora da Terra; e assim como, segundo ele, coroam-se com frutas de fora da Terra, também o acréscimo pode vir de frutas de fora da Terra. E vem nos ensinar aqui que o acréscimo que não é da Terra não é como os bikurim (o Bartenura apresenta duas leituras complementares e não mutuamente excludentes para o caso concreto discutido nesta mishná: a primeira, mais direta, entende "fora da Terra" como o Ever haYarden — aceitável para os bikurim originais, mas não para o acréscimo; a segunda, mais técnica, conecta esta mishná à posição de Rabi Shimon ben Nannas da Mishná 3:9, que permitia adornar com frutas verdadeiramente estrangeiras — de fora de toda a Terra de Israel, incluindo o Ever haYarden — mostrando que, mesmo sob essa posição permissiva quanto ao adorno, o acréscimo propriamente dito continuaria exigindo origem na Terra para herdar o status pleno de bikurim).