A terumá do maasser é igual aos bikurim em dois caminhos, e à terumá em dois caminhos (a terumat maasser — o dízimo que o levita retira de seu próprio maasser rishon e entrega ao cohen — não se encaixa perfeitamente em nenhuma das categorias anteriores, mas compartilha exatamente dois traços com cada uma delas). Toma-se do puro sobre o impuro, e sem estar contígua, como os bikurim (assim como se pode separar bikurim puros representando também frutos impuros do mesmo campo, e sem que a porção separada precise estar fisicamente encostada ao restante, também a terumat maasser pode ser retirada de produto puro em nome do impuro, e de longe, sem contiguidade — dois traços que a terumá comum não permite, por exigir proximidade física e cautela redobrada quanto à pureza), e proíbe a eira, e tem medida, como a terumá (por outro lado, a terumat maasser se assemelha à terumá comum em proibir o consumo do maasser rishon até que dela se separe — tornando-o "tevel" enquanto isso não ocorre — e em ter uma medida fixada pelos Sábios, dois traços que os bikurim, como visto na Mishná 2:3, não possuem).
A obrigação da terumat maasser vem diretamente de Bamidbar, na parashá que institui os dízimos levíticos.
Por que a mishná espera até a última posição da série para introduzir a terumat maasser, em vez de mencioná-la já na primeira mishná? O padrão editorial das quatro mishnayot anteriores (2:1-2:4) foi estabelecer três categorias "puras" — terumá, maasser e bikurim — e mapear exaustivamente o que cada par compartilha e o que os separa. Só depois de completado esse mapa é que a mishná introduz uma quarta categoria, a terumat maasser, precisamente porque ela não é uma categoria autônoma, mas um híbrido derivado: é ao mesmo tempo um "maasser" (pois se origina do dízimo levítico) e uma "terumá" (pois é a porção alçada ao cohen). Colocá-la por último permite à mishná usar o vocabulário já estabelecido nas quatro comparações anteriores para descrevê-la com precisão e economia, numa única frase.
O Rambam trata da terumat maasser em Hilchot Terumot, capítulo 3, incluindo sua medida fixa e a regra de que se separa mesmo sem contiguidade.
O que os grandes comentadores dizem sobre este encerramento elegante da série comparativa.
É claro que, uma vez que separa os bikurim de uma parte das árvores, isso lhe basta para as demais árvores — e este é o sentido de "sem estar contígua", como já explicamos anteriormente (o Rambam remete a uma discussão sua prévia — provavelmente no Perek Alef — sobre o mecanismo de separação dos bikurim sem exigência de proximidade física entre a porção separada e o restante do campo). E é possível nos bikurim separar do puro sobre o impuro depois de colhidos, porque os frutos não recebem impureza enquanto ainda presos ao solo (o Rambam explica a lógica subjacente: como o fruto ligado à terra é imune à impureza ritual, a questão de "puro sobre impuro" só se coloca depois da colheita — e é precisamente nesse ponto que bikurim e terumat maasser convergem, permitindo a separação sem que a proporção de pureza entre as partes seja um obstáculo).
"Toma-se do puro sobre o impuro": pois a razão pela qual a terumá comum não se toma do puro sobre o impuro é porque se requer contiguidade, e receia-se que talvez [o doador] não a mantenha, temendo que o puro toque o impuro. E esta razão não se pode dizer aqui, pois já se separa [a terumat maasser] sem estar contígua (o Bartenura revela a elegante lógica interna da mishná: as duas regras — "sem contiguidade" e "do puro sobre o impuro" — não são coincidências arbitrárias, mas consequência uma da outra. Se a terumat maasser já dispensa a proximidade física, o receio que impede a terumá comum de ser tomada do puro sobre o impuro simplesmente não se aplica mais, pois esse receio pressupõe justamente contiguidade).