Como não se assemelha nem ao animal selvagem nem ao animal doméstico? É proibido por kilayim com o animal selvagem e com o animal doméstico (a proibição de kilayim veda o cruzamento e o trabalho conjunto entre espécies diferentes; por sua dupla incerteza, o koi é proibido em kilayim tanto com animais selvagens quanto com domésticos — um rigor que nenhuma das duas categorias "puras" enfrentaria isoladamente). Aquele que escreve [em doação] seu animal selvagem e seu animal doméstico para seu filho, não lhe escreveu o koi (se um pai, ao doar seus bens a um filho, especifica "meus animais selvagens" e "meus animais domésticos" como categorias separadas, o koi — não sendo claramente nenhuma delas — não está incluído em nenhuma das duas doações, permanecendo de fora). Se disse: eis que sou nazireu se este for animal selvagem ou animal doméstico, eis que este é nazireu (a nezirut — o voto de tornar-se nazireu — pode ser assumida condicionalmente; quem declara "serei nazireu se este animal for chayá ou behemá" — cobrindo ambas as possibilidades — torna-se nazireu de fato, pois uma das duas alternativas certamente se verifica, ainda que não se saiba qual). E todos os demais caminhos são iguais ao animal selvagem e ao animal doméstico, e requer abate como este e como aquele, e transmite impureza por causa de nevelá e por causa de membro de um ser vivo como este e como aquele (por fim, a mishná trata da última categoria — os traços em que o koi segue cumulativamente ambos os regimes: requer abate ritual válido segundo os critérios de behemá e de chayá; e transmite impureza tanto pela via de nevelá — carcaça de animal morto sem abate ritual — quanto pela proibição de ever min hachai — o membro arrancado de um animal ainda vivo — aplicando-se-lhe, em ambos os casos, as regras de ambas as categorias).
A proibição de kilayim, a instituição da nezirut, e as leis de nevelá e ever min hachai fecham o círculo de todas as categorias jurídicas relevantes que a ambiguidade do koi consegue tocar.
Por que a Mishná termina o excurso sobre o koi — e o Perek Bet inteiro — justamente com esta miscelânea de kilayim, doações, nezirut e impureza? Há uma progressão lógica cuidadosa nas quatro mishnayot dedicadas ao koi. A Mishná 2:9 tratou dos rigores exclusivos de chayá; a 2:10, dos rigores exclusivos de behemá; e esta mishná final completa o quadro anunciado em 2:8 fechando as duas categorias restantes: primeiro, os casos em que a dúvida gera um rigor duplo e cumulativo (kilayim com ambas, exclusão de ambas as doações — que são, na prática, também expressões do "caminho de não se assemelhar a nenhum"), e depois, no bloco final, os casos em que o koi realmente se comporta como qualquer animal comum, seguindo as regras compartilhadas por chayá e behemá sem qualquer disputa ou incerteza (abate válido, impureza de nevelá e de ever min hachai). A mishná termina, assim, mostrando que, apesar de toda a complexidade classificatória explorada ao longo de quatro mishnayot, o koi continua sendo, na maior parte de suas leis práticas, um animal como qualquer outro — a ambiguidade afeta pontos específicos e claramente delimitados, não a totalidade de sua existência jurídica.
Registra-se aqui, com honestidade, uma lacuna: o Perush HaMishná do Rambam para esta mishná específica (Bikurim 2:11) não está preservado no corpus disponível — apenas um marcador vazio consta nas edições correntes. Também não foi localizada, no Mishné Torá, uma halachá que trate ponto a ponto e de modo unificado todos os quatro sub-temas desta mishná (kilayim do koi, doações, nezirut condicional, e abate/impureza). Cada sub-tema pertence a um tratado diferente do Mishné Torá — Hilchot Kilayim, Hilchot Zechiyá uMataná, Hilchot Nezirut, e Hilchot Shechitá — e o Rambam os trata em seus contextos próprios, sem uma síntese específica sobre o caso do koi em cada um deles. A base mais direta e confiável para esta mishná permanece, portanto, o comentário de Bartenura abaixo.
O comentário de Bartenura, que preserva com clareza a leitura tradicional de todos os quatro casos desta mishná final.
"Não lhe escreveu o koi": ainda que lhe tenha escrito ambos, sua intenção não era senão sobre animal doméstico certo ou animal selvagem certo. E o Rambam explicou que se lhe escreveu apenas "seu animal doméstico", não adquiriu o koi, pois dizemos a ele: traze prova de que é animal doméstico; e se lhe escreveu apenas "seu animal selvagem", dizemos a ele: traze prova de que é animal selvagem (o Bartenura preserva aqui duas leituras: a sua própria — de que mesmo mencionando as duas categorias juntas a intenção do doador nunca inclui o koi, precisamente por sua natureza incerta — e a do Rambam, ligeiramente distinta, aplicando a cada doação isolada (só "behemá" ou só "chayá") o mesmo princípio de ônus da prova já visto na Mishná 2:10, onde quem reivindica algo de quem já possui deve provar seu direito). Parece de suas palavras que, se lhe escreveu ambos, adquiriu de qualquer modo (o Bartenura conclui, a partir da leitura do Rambam, que doar as duas categorias simultaneamente — "meu animal selvagem e meu animal doméstico" — cobre logicamente qualquer uma das duas identidades possíveis do koi, garantindo a transferência ao filho de qualquer forma que se resolva a dúvida).
"Se disse: eis que sou nazireu se este for animal selvagem ou animal doméstico": quer tenha dito "eis que sou nazireu se este for animal selvagem", quer tenha dito "eis que sou nazireu se este for animal doméstico", eis que este é nazireu, pois dúvida de proibição [se resolve] para o rigor (o Bartenura generaliza a regra da mishná: não importa qual das duas formulações condicionais a pessoa escolha — "se for chayá" ou "se for behemá" — em ambos os casos a nezirut se estabelece, pois a incerteza sobre a natureza do koi não anula a validade do voto; ao contrário, o princípio geral de tratar dúvidas de proibição com rigor faz com que a nezirut se aplique de qualquer forma). E ainda que tenha dito "eis que sou nazireu se este for animal selvagem e animal doméstico", ou "se este não for nem animal selvagem nem animal doméstico", eis que este é nazireu por dúvida (o Bartenura estende a regra a formulações ainda mais elaboradas e aparentemente contraditórias — "ambos" ou "nenhum dos dois" — mostrando que, seja qual for a maneira lógica escolhida para expressar a incerteza sobre o koi, o resultado final é sempre o mesmo: a nezirut se estabelece, pois toda formulação, de um jeito ou de outro, acaba por cobrir a real natureza do animal, seja ela qual for).