Como se separam os bikurim? Desce o homem ao meio de seu campo e vê uma figueira que amadureceu primeiro, um cacho de uvas que amadureceu primeiro, uma romã que amadureceu primeiro, ata-o com junco e diz: eis que estes são bikurim (o gesto de separação é simples e concreto: o dono do campo caminha por sua própria terra, identifica visualmente o primeiro fruto de cada espécie a atingir o estágio de bikur — o início do amadurecimento — e o marca fisicamente com uma tira de junco, ao mesmo tempo em que pronuncia a fórmula verbal que lhe confere, a partir daquele momento, o estatuto sagrado de bikurim, primícias destinadas ao Templo). Rabi Shimon diz: ainda assim, volta e os chama de bikurim depois que tenham sido arrancados do solo (Rabi Shimon discorda quanto ao momento em que a designação verbal realmente produz efeito prático completo: para ele, é insuficiente proclamar "eis que estes são bikurim" enquanto o fruto ainda está preso à árvore ou à videira — é necessário repetir essa proclamação no momento em que o fruto é efetivamente colhido e separado da terra, pois somente então ele se torna, de fato, um objeto apto a receber plenamente o estatuto de bikurim).
O mandamento de trazer os primeiros frutos ao Templo, formulado em Devarim 26, é a fonte direta de toda a cerimônia que o Perek Guimel passa agora a descrever passo a passo.
Por que a Mishná abre o Perek Guimel com o gesto de atar o fruto com um junco? A resposta está na tensão entre dois momentos: o reconhecimento no campo (ainda preso à árvore) e a colheita física. A Torá fala em "tomar" o fruto e "trazê-lo" — dois verbos que sugerem uma sequência de ações. A mishná ensina que a santidade de bikurim já pode ser conferida ao fruto por uma simples declaração verbal, feita no momento em que o dono do campo o identifica visualmente como o primeiro do seu tipo a amadurecer; o gesto de atá-lo com um junco serve apenas para marcá-lo fisicamente, garantindo que não seja confundido ou colhido por engano junto com o restante da colheita comum. Rabi Shimon, no entanto, entende que essa primeira proclamação, feita enquanto o fruto ainda está preso ao solo, não é suficiente para todos os efeitos práticos — por isso exige uma segunda proclamação no momento da colheita real, quando o fruto é finalmente arrancado da terra. Este debate prepara o terreno para as mishnayot seguintes, que descrevem a segunda etapa da mitzvá: como esses frutos, já separados e identificados, são reunidos e conduzidos coletivamente até Jerusalém.
O Rambam trata do processo de separação dos bikurim principalmente em Hilchot Bikurim, Perek 2 — capítulo anterior ao início do bloco cerimonial que corresponde a este Perek Guimel da Mishná (Hilchot Bikurim, Perakim 3-4). Não há, portanto, uma halachá dedicada especificamente a este gesto de "atar com junco"; a referência mais próxima trata da qualificação do fruto como bikur.
O Perush HaMishná do Rambam e o comentário de Bartenura, ambos preservados por completo para esta mishná.
Guemi é conhecido — em árabe, jamam — e a intenção aqui é que ele os marque com o que quer que se apresente, para que os reconheça; e o fato de ter especificado o junco segue apenas o costume comum (o Rambam esclarece que o material do laço — junco — não é uma exigência halachicamente essencial, mas reflete simplesmente a prática habitual; qualquer marca reconhecível cumpriria a mesma função de identificação). E disse o Nome, bendito seja, sobre os bikurim: "as primícias do fruto da terra" — e disseram os sábios: apenas no momento de trazê-los é necessário que seja fruto [maduro], mas no momento da separação, ainda que sejam pagim — isto é, que não estejam maduros — isso é suficiente (o Rambam estabelece a distinção temporal central: a Torá exige fruto maduro apenas quando os bikurim são efetivamente levados ao Templo; no campo, no momento inicial de separação e proclamação, basta que o fruto esteja no estágio verde e imaturo de pagim, que precede o bikur). E por isso diz que, se lhes deu esse nome ainda verdes em suas árvores, não precisa dar-lhes outro nome depois de sua colheita e do término de seu amadurecimento. E Rabi Shimon diz: assim como no momento de trazê-los precisamos que seja fruto, também no momento da separação precisamos que sejam fruto; e por isso diz que os chama de bikurim depois de sua colheita e do término de seu amadurecimento. E a halachá não é como Rabi Shimon (o Rambam resume a controvérsia central: para os sábios anônimos, a proclamação inicial no campo, mesmo sobre fruto ainda verde, já é definitiva e não precisa ser repetida; para Rabi Shimon, essa proclamação inicial é apenas preliminar, e uma segunda declaração — agora sobre fruto já maduro e colhido — é indispensável. O Rambam encerra confirmando que a halachá segue a opinião da maioria, contra Rabi Shimon).
"Como se separam": que amadureceu — e mesmo que o fruto ainda não esteja completo, pois está escrito (Devarim 26): "eis que trouxe as primícias do fruto" — no momento de trazê-lo é que ele precisa ser fruto [maduro], mas no momento da separação não é necessário que seja fruto, mas basta ainda que seja boser, e mesmo pagim (Bartenura resume, de forma direta, a mesma distinção que o Rambam desenvolveu com mais detalhe: o versículo que fala em "trazer" o fruto exige maturação apenas para o ato final de entrega no Templo; já a separação inicial no campo pode ocorrer sobre fruto em qualquer estágio anterior — boser, que é um pouco mais desenvolvido, ou pagim, o estágio mais verde e inicial de todos).