1 Não se abençoa nem sobre a vela, nem sobre as especiarias dos idólatras; nem sobre a vela, nem sobre as especiarias dos mortos; nem sobre a vela, nem sobre as especiarias que estão diante de uma idolatria.
2 E não se abençoa sobre a vela até que se aproveite da sua luz.
Esta Mishná não é uma disputa entre Beit Shamai e Beit Hilel, mas um ensinamento adicional sobre a Havdalá do capítulo. A proibição de tirar proveito, e de abençoar, sobre objetos ligados à idolatria funda-se diretamente num versículo da Torá.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. É proibição da Torá que nada do que pertence à idolatria, ou serviu a ela, permaneça em posse ou uso do israelita — "e que não se apegue à tua mão coisa alguma do que é consagrado à destruição". Desta proibição geral os Sábios derivam que não se pode fazer uma bênção de louvor sobre uma vela ou especiarias que serviram à idolatria: seria contraditório agradecer a D'us usando um objeto ligado ao seu oposto. Quanto à vela dos gentios em geral (mesmo sem conexão com idolatria), o motivo é distinto — trata-se de "fogo que não descansou" no Shabat, pois o gentio realizou com ele trabalho proibido; e o princípio de que "não se abençoa sobre luz que não descansou" (por ter sido usada em transgressão) tem sua raiz na santidade do próprio dia de Shabat, cujo mandamento nasce do mesmo "lembra-te" de Shemot 20:8 já citado nas Mishnayot anteriores.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelos grandes códigos halákicos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Não se abençoa nem sobre a vela, nem sobre as especiarias dos idólatras...": Já sabes, pelas palavras da Torá, que é proibido tirar proveito de algo pertencente à idolatria... E a vela de um gentio é proibida para a Havdalá, porque não "descansou" [no Shabat]; e o princípio em nossas mãos é que "luz que não descansou" não se abençoa sobre ela. E sobre as especiarias dos idólatras não se abençoa, pois toda a sua finalidade é em nome dos idólatras.
E proibiu a bênção sobre a vela "até que se aproveite dela" — isto é, até que se tire proveito dela [a ponto de poder ver à sua luz].
"Não sobre a vela, nem sobre as especiarias dos idólatras" — quanto à vela, é porque "não descansou": o idólatra realizou trabalho à sua luz; e temos por assentado que sobre luz que não descansou não se abençoa, visto que com ela se cometeu uma transgressão.
"Não se abençoa sobre a vela nem sobre as especiarias dos idólatras, nem dos mortos" — a razão de todos estes casos se explica na Guemará. "Que se aproveite dela" — que já se esteja tirando proveito dela.