1 Estavam sentados para comer (sem se reclinar formalmente) — cada um abençoa por si.
2 Reclinaram-se (em banquete formal) — um abençoa por todos.
3 Veio-lhes vinho durante a refeição — cada um abençoa por si.
4 Depois da refeição — um abençoa por todos, e ele também diz a bênção sobre o incenso, ainda que só tragam o incenso depois da refeição.
Esta Mishná já pressupõe a instituição do "Zimun" — o convite formal à Bênção do Alimento em grupo — cuja base bíblica é o mesmo versículo que fundamenta a própria Birkat HaMazon.
Por que esta Mishná gira em torno deste versículo. O versículo "e comerás, e te fartarás, e abençoarás" institui a obrigação bíblica da Bênção do Alimento após uma refeição de pão. Quando várias pessoas comem juntas dessa forma, os Sábios instituíram o "Zimun" — o convite mútuo para que um só, em nome de todos, pronuncie essa bênção. Esta Mishná ensina o critério que determina se uma reunião de comensais constitui, de fato, uma refeição conjunta para esse propósito: o ato de "reclinar-se" (hasibá), próprio dos banquetes formais da época, é o sinal externo de que os presentes se uniram deliberadamente para uma única refeição — e, portanto, um deles pode abençoar em nome de todos, inclusive sobre o vinho que vem depois da refeição e sobre o incenso aromático que se trazia ao final do banquete. Já quando as pessoas apenas se sentam para comer, sem esse ato formal de união, cada uma mantém a sua própria obrigação individual — inclusive, notavelmente, sobre o vinho servido durante a refeição, quando a boca de cada comensal está ocupada e não pode interromper-se para responder "amém" com segurança.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelos grandes códigos halákicos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Estavam sentados... cada um abençoa por si...": A explicação de "hesebu" é "inclinaram-se". E o seu sentido é que a sua refeição se dava por modo de reunião e companhia. E a razão de cada um abençoar por si quando vem o vinho durante a refeição é que os comensais estão ocupados em comer, e se alguém responder "amém" há que temer que venha a engasgar-se; por isso dão-lhe o copo, e ele abençoa sobre ele quando já tiver engolido o que está em sua boca.
E "mugmar" é o incenso de especiarias. E disse que quem abençoar a Bênção do Alimento é quem abençoa sobre o incenso, ainda que só o tragam depois da Bênção do Alimento; pois esse era o seu costume — trazer o incenso diante dos comensais depois da refeição.
"Estavam sentados": sem se reclinar — e isto é sinal de que não se reuniram para comer juntos.
"Cada um abençoa por si": porque não tinham uma refeição fixa formal sem se reclinar.
"Veio-lhes vinho durante a refeição, cada um abençoa por si": porque a garganta não está livre, e a atenção dos reclinados não se volta para quem abençoa, mas para engolir o que está em suas bocas; ou ainda, tememos que alguém se engasgue ao vir responder "amém".
"E ele diz a bênção sobre o incenso": quem abençoa a Bênção do Alimento é quem abençoa sobre o incenso, "Borê atzê vessamim" — Que cria as árvores aromáticas.
"Mugmar": costumavam trazer, depois da refeição, madeiras aromáticas em um braseiro sobre o fogo, para bom perfume.
"Veio-lhes vinho durante a refeição..." — a Guemará explica adiante a razão.
"E ele diz a bênção sobre o incenso" — aquele que abençoou sobre o vinho é quem abençoa sobre o incenso, pois costumavam trazer diante deles, depois de comer, pó de especiarias sobre o fogo em braseiros, para bom perfume; e abençoam sobre ele "Borê atzê vessamim".
"Depois da refeição" — depois da Bênção do Alimento, que já não é uma necessidade da refeição; ainda assim, quem começou as bênçãos finais as termina.