1 E quando morreu Tavi, seu servo, aceitou condolências por ele.
2 Disseram-lhe seus discípulos: "Não nos ensinaste, nosso mestre, que não se aceitam condolências pelos servos?"
3 Disse-lhes: "Meu servo Tavi não era como os demais servos — era íntegro."
Como a Mishná anterior, esta não introduz um novo mandamento bíblico direto, mas aplica à esfera do luto uma distinção que a própria Torá estabelece entre o servo cananeu como propriedade e o servo cananeu como pessoa dotada de responsabilidade religiosa e moral.
Por que esta Mishná gira em torno desta tensão. A Torá trata o servo cananeu, do ponto de vista da propriedade e da herança, como um bem que se possui — daí a norma, já estabelecida pelos Sábios, de que não se observam por ele os ritos formais do luto, incluindo o recebimento de condolências, que pressupõem um parentesco reconhecido pela lei da família. Mas a mesma tradição talmúdica reconhece que o servo cananeu, uma vez circuncidado e imerso, assume obrigações religiosas quase equivalentes às da mulher judia, e é, em todo caso, uma alma humana criada à imagem de D'us. É essa segunda dimensão — a pessoa por trás do estatuto legal — que Rabán Gamliel invoca ao aceitar condolências por Tavi: não como uma revogação da halachá que isenta do luto formal pelos servos, mas como um reconhecimento pessoal do caráter íntegro (kasher) de um homem que, apesar do seu estatuto, viveu como um ser humano de valor moral pleno.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelos grandes códigos halákicos.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná. (Bartenura não traz comentário próprio a esta Mishná além do texto; a leitura de Rashi sobre a Guemará correspondente não apresenta uma abertura direta e clara sobre este episódio específico, e por isso foi omitida aqui.)
"E quando morreu Tavi, seu servo, aceitou condolências por ele...": tudo isto é evidente [por si mesmo, sem necessidade de explicação adicional].