Duas mulheres [do mesmo marido], que ainda não haviam dado à luz um primogênito, e deram à luz dois varões, ele dá dez selaim ao sacerdote. Se um deles morreu dentro de trinta dias, se deu a um só sacerdote, este lhe devolve cinco selaim; se deu a dois sacerdotes, não pode retirar dinheiro das mãos deles. Se nasceram um varão e uma fêmea, ou dois varões e uma fêmea, ele dá cinco selaim ao sacerdote. Se nasceram duas fêmeas e um varão, ou dois varões e duas fêmeas, não há aqui nada para o sacerdote. Se uma delas já havia dado à luz um primogênito e a outra não, e deram à luz dois varões, ele dá cinco selaim ao sacerdote. Se um deles morreu dentro de trinta dias, o pai está isento. Se o pai morreu e os filhos permanecem vivos — Rabi Meir diz: se deram antes de partilhar, deram; e se não, estão isentos. Rabi Yehudá diz: os bens ficaram obrigados. Se nasceram um varão e uma fêmea, não há aqui nada para o sacerdote.
— Esta mishná aplica o raciocínio da anterior a um homem com duas mulheres, ambas em seu primeiro parto: como cada uma delas certamente gerou um primogênito seu, o pai deve dez selaim ao todo — cinco por cada mulher. Se um dos quatro filhos possíveis morre cedo, a devolução depende de a quem o dinheiro foi entregue: a um único sacerdote, que deve devolver o excedente, ou a dois sacerdotes diferentes, caso em que nenhum deles pode ser obrigado a devolver, pois cada um alega que o filho vivo é o seu. Quando nascem combinações de varão e fêmea entre as duas mulheres, o princípio é sempre o mesmo: como não se sabe qual delas gerou o varão primeiro, aplica-se a regra de que quem quer cobrar tem o ônus da prova. E o caso final, de uma mulher que já havia dado à luz e outra que não, reduz-se exatamente ao caso da mishná anterior, aplicado apenas à mulher que ainda não gerara um primogênito.
Rambam remete diretamente aos dois princípios já estabelecidos na mishná anterior — a isenção pelo falecimento dentro de trinta dias, e o ônus da prova contra quem cobra — explicando que toda esta mishná, ainda que multiplique os cenários com duas mulheres, não introduz nenhum princípio novo, apenas aplica os mesmos fundamentos de forma combinada. Confirma novamente que a lei segue Rabi Yehudá.
Bartenura descreve o cenário técnico por trás desta mishná: as duas mulheres deram à luz “em esconderijo”, isto é, em circunstâncias em que os partos se misturaram e não se sabe qual filho pertence a qual mãe. Quando um deles morre dentro de trinta dias e o pai havia entregado o resgate a um único sacerdote, este deve devolver cinco selaim, pois ficou demonstrado que aquele pagamento correspondia a um filho que, afinal, não sobreviveu; mas, se pagou a dois sacerdotes diferentes, nenhum deles é obrigado a devolver, pois cada um pode alegar que o filho vivo é precisamente aquele por quem recebeu o pagamento. E explica o raciocínio “de qualquer modo” nos casos combinados: seja qual for a distribuição real dos nascimentos entre as duas mães, há necessariamente um primogênito entre eles, de modo que o pagamento de cinco selaim é sempre devido, exceto quando é possível atribuir toda a certeza de primogenitura a uma filha, o que anula a obrigação por completo.
Rashi, sobre a Guemará de Bechorot 48b, fixa o cenário do “esconderijo” (machavá) como a chave para toda a mishná: as duas mulheres deram à luz em um mesmo lugar oculto, sem testemunhas capazes de distinguir os partos, de modo que os filhos ficaram genuinamente misturados. Sobre a devolução ao sacerdote único, explica que ela decorre diretamente do fato de que o pagamento originalmente presumia um primogênito vivo, e a morte dentro de trinta dias revelou retroativamente que aquele pagamento não tinha fundamento. Já quando há dois sacerdotes, nenhum pode ser compelido a devolver, pois cada um pode se recusar a admitir que o filho falecido era precisamente aquele por quem recebeu.