Aquele que bate os tornozelos um no outro, e os joelhos; o baal picá; e o ikel. Quem é o ikel? Todo aquele que, ao juntar os calcanhares, seus joelhos não se tocam um ao outro. Aquele cujo picá sai do polegar; aquele cujo calcanhar sai para trás; aquele cujo pé é largo como o de um ganso. Aquele cujos dedos estão sobrepostos um sobre o outro, ou colados até a articulação — é apto. Se estavam colados abaixo da articulação, e ele os cortou — é apto. Se havia nele um dedo a mais e ele o cortou — se havia nele osso, é desqualificado; e se não, é apto. O que tem seis e seis nas mãos e nos pés, vinte e quatro ao todo — Rabi Yehuda o declara apto, e os sábios o desqualificam. Aquele que é ambidestro — Rabi o desqualifica, e os sábios o declaram apto.
— A mishná passa às pernas e aos pés: quem, ao caminhar, bate os tornozelos um no outro por terem os joelhos arqueados para fora; o baal picá, com uma protuberância de carne saindo do polegar da mão ou do pé; e o ikel, o cambota, cujos joelhos não se tocam quando ele junta os calcanhares. Seguem-se a protuberância no polegar, o calcanhar que se projeta para trás — de modo que metade do pé fica à frente e metade atrás — e o pé largo como o de um ganso. Sobre os dedos, a mishná distingue graus: dedos apenas sobrepostos, ou colados até a articulação do meio, não desqualificam; colados abaixo dela, se foram separados por corte, também não desqualificam; mas um dedo extra que continha osso, mesmo depois de cortado, deixa o sacerdote como um “membro faltante” e o desqualifica. Por fim, duas disputas: seis dedos em cada mão e cada pé (vinte e quatro ao todo, mas todos simétricos) é mácula para os sábios, mas não para Rabi Yehuda; e a ambidestria — controlar igualmente as duas mãos — é mácula para Rabi (Yehuda HaNassi), que a vê como fraqueza congênita na mão direita, mas não para os sábios, que a leem como força natural na esquerda. A lei segue os sábios em ambos os casos.
O cuchi, e o guichor, e o lavcan, e o kipêach, e o anão, e o surdo-mudo, e o insensato, e o ébrio, e os que têm marcas puras — desqualificam no homem, e são aptos no animal. Rabán Shimon ben Gamliel diz: o insensato no animal não é dos melhores. Rabi Eliezer diz: também os que têm pele pendente desqualificam no homem, e são aptos no animal.
— A mishná fecha com uma lista de condições que, ao contrário de tudo o que veio antes, não têm paralelo algum entre as máculas do bechor: elas desqualificam exclusivamente o sacerdote, sendo irrelevantes para o animal oferecido no altar. O cuchi (de pele muito escura), o guichor (avermelhado como púrpura), o lavcan (extremamente branco) e o kipêach (longo e fino demais) são variações extremas de cor ou compleição; o anão, o surdo-mudo e o insensato (a quem falta discernimento) são desqualificados por incapacidade de exercer corretamente o serviço; o ébrio é desqualificado enquanto durar sua embriaguez; e as “marcas puras” referem-se a manchas de pele brancas que, embora não sejam tsaraat impura, ainda assim desfiguram. Nenhuma dessas condições afeta a validade do animal trazido como oferenda. Rabán Shimon ben Gamliel qualifica apenas parcialmente: um animal insensato, embora não desqualificado, não é considerado da melhor qualidade para a oferenda. E Rabi Eliezer acrescenta mais uma categoria à mesma regra: pedaços de pele ou carne pendentes do corpo também desqualificam o sacerdote, mas não o animal.
Rambam identifica claramente as cores: cuchi é o negro, guichor o vermelho, lavcan o extremamente branco — explicando que, assim como o preto é mácula, também o vermelho intenso ou o branco leitoso o são, por serem extremos fora do padrão comum. Kipêach é o longo demais a ponto de repugnar, e o anão é o baixo. Confirma que a lei segue Rabi Eliezer quanto à pele pendente. E precisa, sobre o ébrio, que a desqualificação vale apenas para quem se embriagou com vinho ou bebida fermentada — e não para quem perdeu a lucidez por outros meios, como leite ou mel em excesso.
Bartenura descreve os pés arqueados e as cores extremas do cuchi, guichor e lavcan, e explica o kipêach como longo e fino demais, considerado feio e repugnante. Faz uma distinção importante sobre o ébrio: apenas quem se embriagou com vinho ou bebida fermentada é tratado como mácula sem invalidar o serviço já feito; se ele efetivamente serviu embriagado, seu serviço é de fato invalidado, por a Torá exigir explicitamente distinguir entre o sagrado e o profano. E confirma que a lei segue Rabi Eliezer ben Yaacov quanto à pele pendente.
Rashi detalha a imagem física dos joelhos e tornozelos que se chocam — um caso com os joelhos arqueados para dentro, o outro para fora — e explica o picá como um pedaço de carne redondo saindo do polegar. Sobre o dedo extra com osso, esclarece o ponto crucial: mesmo depois de cortado, o sacerdote é considerado “faltando um membro que nele se encontrou”, porque aquele osso extra fazia parte de sua estrutura óssea original.
Rashi observa que, se a mishná falasse de manchas de tsaraat impura, nem seria necessário mencioná-la, pois um sacerdote com essa impureza já estaria proibido de sequer entrar no pátio do Templo, sob pena de karet — daí a mishná precisar especificar que trata de manchas puras, como a safachat. E descreve os “pendentes” de Rabi Eliezer como pedaços de carne que ficam soltos e pendurados no corpo.