Se não tem testículos, ou tem apenas um testículo. Rabi Yishmael diz: se tem duas bolsas, tem dois testículos; se tem apenas uma bolsa, tem apenas um testículo. Rabi Akiva diz: senta-se o animal sobre a garupa e apalpa-se; se há ali um testículo, ele acabará saindo. Houve um caso em que apalparam e ele não saiu, e o animal foi abatido, e foi encontrado colado aos flancos — e Rabi Akiva permitiu, e Rabi Yochanan ben Nuri proibiu.
— A ausência total ou parcial de testículos é mácula, como a Torá ensina explicitamente (Vaicrá 22:24). O problema prático é como constatá-la sem operar o animal. Rabi Yishmael propõe um sinal externo indireto: a existência de duas bolsas escrotais distintas já prova a existência de dois testículos, e uma bolsa só, de um único testículo. Rabi Akiva propõe, em vez disso, um teste físico direto: senta-se o animal e apalpa-se a região, e se há de fato um testículo ali, a pressão o fará emergir. A mishná relata então um caso em que o teste de Rabi Akiva foi aplicado, o testículo não emergiu, o animal foi abatido apesar disso — e, ao ser aberto, o testículo foi de fato encontrado, mas colado internamente aos flancos, fora de seu lugar normal. A disputa entre os dois sábios sobre permitir ou proibir a carne gira, portanto, em torno de saber se essa descoberta post-mortem valida retroativamente o teste, ou se a ausência de emergência no teste em vida já bastava para caracterizar mácula, tornando o abate proibido desde o início.
Rambam reordena a mishná, elíptica em sua formulação, esclarecendo que é mácula tanto ter dois testículos numa só bolsa (quando deveria haver duas) quanto ter duas bolsas com apenas um testículo. Explica que o caso relatado ensina a regra prática: sempre que se apalpa e o testículo não emerge, mesmo que depois ele seja encontrado internamente, o animal já é considerado portador de mácula e sua carne é permitida — e assim é a lei, seguindo Rabi Akiva.
Bartenura reconstrói a mishná elíptica exatamente como Rambam, e explica que Rabi Yishmael discorda apenas da segunda parte (que basta uma bolsa para provar um único testículo), mas concorda com a primeira. Detalha o teste de Rabi Akiva — sentar o animal sobre uma nádega e apalpar — e confirma que a lei segue Rabi Akiva: como o testículo não foi encontrado em seu lugar no momento do teste em vida, isso já basta para caracterizar a mácula, independentemente de onde seja depois encontrado.
Rashi explica que, normalmente, cada testículo tem sua própria bolsa, dividida ao meio e visível externamente por essa divisão. Confirma a leitura “senta-se sobre a garupa”, remetendo ao mesmo uso em Eruvin, e detalha o gesto de apalpar o testículo na bolsa e nos flancos: se ele existe, deve emergir sob pressão; se não emerge, isso já é mácula. E resume a posição de Rabi Akiva, que permitiu a carne por considerar que o testículo já não estava em seu lugar próprio.