Não se resgata nem com bezerro, nem com animal selvagem, nem com animal abatido, nem com trefá, nem com híbrido (kilayim), nem com koy. E Rabi Eliezer permite resgatar com o híbrido, porque é um cordeiro (seh); e proíbe com o koy, porque é de estatuto duvidoso.
— A mishná restringe o resgate a um cordeiro válido, excluindo qualquer outro animal, ainda que também seja considerado “seh” em algum sentido: o bezerro e o animal selvagem porque não são ovelha nem cabra; o animal abatido e a trefá porque já não podem viver ou já não são aptos ao consumo normal; e o híbrido de ovelha com cabra, e o koy — animal de estatuto incerto entre selvagem e doméstico — por dúvidas quanto ao seu estatuto. Rabi Eliezer discorda quanto ao híbrido: como nasce de ovelha ou cabra, considera-o ainda um “seh” válido; mas quanto ao koy, cujo próprio estatuto de espécie é incerto, ele concorda que não serve para o resgate.
Se o deu ao sacerdote, não é permitido ao sacerdote mantê-lo até que separe um cordeiro em seu lugar.
— Ainda que o israelita entregue diretamente o próprio primogênito de burro ao sacerdote, sem primeiro separar um cordeiro de resgate, o sacerdote não pode simplesmente ficar com o animal — ele mesmo deve, antes de tudo, separar um cordeiro válido em seu lugar. Essa exigência protege contra a suspeita de que o sacerdote, uma vez de posse do burro, deixe de completar o resgate devido.
Rambam explica que, quando se entrega o próprio primogênito de burro ao sacerdote sem resgate prévio, o sacerdote fica obrigado a resgatá-lo com um cordeiro que será seu, e só depois pode usar o burro como qualquer outro. Como os sacerdotes são suspeitos de, por vezes, deixar de separar esse cordeiro, não é permitido ao israelita entregar o primogênito de burro ao sacerdote a não ser que o resgate seja feito em sua própria presença. Rambam conclui que a lei não segue Rabi Eliezer.
Bartenura identifica “animal selvagem” como o cervo e o veado; “trefá”, por exemplo, como o animal cujas pernas foram cortadas do jarrete para cima; e “híbrido” como o bode que se acasalou com a ovelha, chamado “seh” porque tanto a ovelha quanto a cabra recebem esse nome — mas a lei não segue Rabi Eliezer nesse ponto. Já o koy é uma criatura à parte, de estatuto duvidoso entre animal selvagem e doméstico.
Rashi identifica, lemma a lemma, os termos da mishná: “animal selvagem” é o cervo e o veado; “animal abatido” inclui mesmo um cordeiro já abatido; “trefá” refere-se, por exemplo, a um animal com as pernas cortadas do jarrete para cima; “híbrido” é o bode que se acasalou com a ovelha; “koy” é o animal de estatuto duvidoso entre selvagem e doméstico; a expressão “porque é um cordeiro” explica-se porque tanto a ovelha quanto a cabra são chamadas “seh”; e “se o deu ao sacerdote” refere-se ao próprio primogênito de burro entregue sem resgate prévio.