Uma que já havia parido e outra que ainda não havia parido, e deram à luz dois machos: dá um cordeiro ao sacerdote. Macho e fêmea: separa um cordeiro para si mesmo.
— Diferente do caso anterior, aqui uma das duas burras já havia parido antes, de modo que ela já não gera nova obrigação de primogenitura. Quando as duas dão à luz dois machos, há dúvida sobre qual delas pariu qual macho: se o macho da burra que ainda não pariu, ele é o primogênito e exige resgate; se for o outro, não há obrigação. Como há, de qualquer forma, a possibilidade real de um primogênito, o dono dá um cordeiro ao sacerdote. Já quando nasce macho e fêmea, a dúvida se soma: não se sabe nem qual burra pariu o macho, nem, se foi a que ainda não pariu, se o macho nasceu antes ou depois da fêmea — por isso, tal como no caso anterior, o dono apenas separa o cordeiro para si mesmo.
Pois foi dito: “e o primogênito de burro resgatarás com um cordeiro”, dentre as ovelhas e dentre as cabras, macho ou fêmea, grande ou pequeno, sem defeito ou com defeito. E resgata com ele muitas vezes. Entra no curral para ser dizimado; e, se morrer, dele se pode beneficiar.
— A mishná traz a fonte bíblica (Shemot 34:20) do resgate com um “cordeiro” (seh), termo que abrange tanto ovelhas quanto cabras, machos ou fêmeas, grandes ou pequenos, íntegros ou com defeito — qualquer um deles serve para o resgate. Se o sacerdote devolver o cordeiro ao dono, este pode usá-lo repetidamente para resgatar outros primogênitos de burro, pois o cordeiro não carrega santidade alguma em si mesmo, apenas serve de moeda de resgate. O cordeiro separado por precaução, no caso de dúvida, e que fica para o próprio dono, entra com seu rebanho comum no curral para ser dizimado como qualquer outro animal seu; e, se morrer antes disso, ainda assim o dono pode beneficiar-se dele, pois é seu por completo.
Rambam explica que o macho nascido nesse caso carrega apenas uma dúvida — se é filho da que já pariu ou da que ainda não pariu — e por isso é resgatado com um cordeiro que fica para o próprio dono. Sobre “entra no curral para ser dizimado”, Rambam explica que se refere ao resgate do primogênito de burro duvidoso: se alguém tem dez machos duvidosos, cada um separado com seu próprio cordeiro, esses dez cordeiros entram, junto com o restante do rebanho, no lugar onde os animais são reunidos para o dízimo do gado, e ficam sujeitos ao dízimo como qualquer animal comum.
Bartenura explica que a palavra “seh” do versículo abrange qualquer cordeiro — de ovelha ou de cabra, macho ou fêmea. E “entra no curral para ser dizimado” refere-se, por exemplo, ao israelita que tinha dez primogênitos de burro duvidosos e separou dez cordeiros correspondentes, que são seus: esses cordeiros entram no curral junto com o restante de seu rebanho para serem dizimados do modo comum.