Seder Nezikin · Massechet Bava Metzia · Perek Tet · Mishná 4 de 13

E não quis capinar

וְלֹא רָצָה לְנַכֵּשׁ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná rejeita o argumento do meeiro que se recusa a capinar o campo — remover as ervas daninhas que sufocam a plantação — alegando que a perda recai apenas sobre sua própria parte da colheita. O dono pode legitimamente exigir a capina, pois a negligência de hoje prejudica também o valor do campo para o futuro.

Aquele que recebe um campo de seu companheiro e não quis capinar, e lhe disse: 'Que te importa, já que eu te dou teu arrendamento?' —O meeiro que se nega a realizar a capina — a limpeza do campo das ervas daninhas que enfraquecem a plantação e reduzem a colheita — tenta justificar sua omissão dizendo que, como o dono já recebe sua parte fixa ou proporcional combinada, a perda decorrente das ervas daninhas é apenas sua, do meeiro, e não afeta o proprietário.

não se ouve dele, porque [o dono] pode lhe dizer: 'Amanhã tu sairás dele, e ele fará crescer ervas diante de mim.'Esse argumento é rejeitado: o dono tem o direito de exigir a capina, pois pode responder que o contrato de arrendamento é temporário — amanhã o meeiro deixará o campo, e as ervas daninhas não removidas continuarão a se espalhar e a prejudicar a terra mesmo depois que ele partir, afetando os interesses de longo prazo do próprio proprietário.

הַמְקַבֵּל שָׂדֶה מֵחֲבֵרוֹ וְלֹא רָצָה לְנַכֵּשׁ, וְאָמַר לוֹ מָה אִכְפַּת לְךָ, הוֹאִיל וַאֲנִי נוֹתֵן לְךָ חֲכוֹרָהּ, אֵין שׁוֹמְעִין לוֹ, מִפְּנֵי שֶׁיָּכוֹל לוֹמַר לוֹ, לְמָחָר אַתָּה יוֹצֵא מִמֶּנָּה, וּמַעֲלָה לְפָנַי עֲשָׂבִים:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Bava Metzia 9:4
הַמְקַבֵּל שָׂדֶה מֵחֲבֵרוֹ וְלֹא רָצָה לְנַכֵּשׁ אָמַר לוֹ כוּ׳: לְנַכֵּשׁ, לְנַקּוֹת הַשָּׂדֶה, כְּשֶׁיִּגְדַּל הַזֶּרַע יִצְמְחוּ עִמּוֹ מִינִים מִן הָעֲשָׂבִים, וּכְשֶׁמְּנַקִּין אוֹתָן מוֹסִיף הַזֶּרַע עַל תְּבוּאָתָהּ הַרְבֵּה... וְזֶה דָּבָר יָדוּעַ אֵצֶל עוֹבְדֵי אֲדָמָה, וּלְפִי שֶׁזֶּה הַחוֹכֵר שֶׁנּוֹתֵן שִׁעוּר מְסֻיָּם הָיָה יָכוֹל לוֹמַר לוֹ אֲנִי לֹא אֲנַכֵּשׁ וְאֵינְךָ רַשַּׁאי לְהַכְרִיחֵנִי לְנַכֵּשׁ לְפִי שֶׁאֵין לְךָ הֶפְסֵד אִם אֶאֱסֹף מְעַט תְּבוּאָה, לוּלֵי מַה שֶּׁזָּכַר מַפְסִידוֹת הַקַּרְקַע לְהַבָּא:

Rambam explica que capinar significa limpar o campo das ervas daninhas que crescem junto com a plantação e que, quando removidas, permitem que a semente produza muito mais — um fato bem conhecido entre os agricultores. Observa ainda que o problema se coloca especialmente no caso do arrendatário de aluguel fixo (chocher), que poderia argumentar que, como ele paga uma quantia determinada independentemente do rendimento, a redução da colheita por falta de capina não prejudica o proprietário — argumento que a mishná rejeita justamente porque as ervas daninhas prejudicam a fertilidade da terra também para o futuro.

Bartenura · Bava Metzia 9:4
וְלֹא רָצָה לְנַכֵּשׁ. לְנַקּוֹת הַתְּבוּאָה מֵעֲשָׂבִים רָעִים, שֶׁמַּתִּישִׁים כֹּחַ הַקַּרְקַע וּמְעַכְּבִין הַתְּבוּאָה מִלַּעֲלוֹת: מָה אִכְפַּת לְךָ. אִם יֶחֱסַר חֶלְקִי שֶׁהָעֲשָׂבִים מַכְחִישִׁין הַשִּׁבֳּלִים, אֶתֵּן לְךָ חֲכִירוּת כָּךְ וְכָךְ כּוֹרִין שֶׁפָּסַקְתִּי עִמְּךָ:

Bartenura confirma que as ervas daninhas prejudicam duplamente a colheita: elas esgotam a força nutritiva da terra e ainda impedem fisicamente que a plantação cresça adequadamente. O argumento do meeiro negligente, portanto, é que a redução decorrente das ervas afeta apenas sua própria parte da colheita — mas não o valor fixo que ele já se comprometeu a entregar ao dono.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Bava Metzia 105a
מַתְנִי׳ וְלֹא רָצָה לְנַכֵּשׁ - הַתְּבוּאָה: אֶתֵּן לְךָ חֲכִירְךָ - כָּךְ וְכָךְ כּוֹרִין שֶׁפָּסַקְתִּי עִמְּךָ, וּמַה אִכְפַּת לְךָ אִם יֶחֱסַר חֶלְקִי שֶׁהָעֲשָׂבִים מַכְחִישִׁין הַשִּׁבֳּלִים: אֵין שׁוֹמְעִין לוֹ - וְהָא לֵיתָא אֶלָּא בְּחָכְרָנוּתָא, דְּאִי בְּקַבְּלָנוּתָא פְּשִׁיטָא מִי מָצֵי אָמַר לֵיהּ מַאי אִכְפַּת לָךְ.

Rashi confirma que este caso, com este argumento específico, só faz sentido no regime de locação fixa (chachranuta) — pois no regime de aricultura proporcional (kablanuta) seria óbvio que o dono também perde com a redução da colheita, tornando o argumento do meeiro absurdo desde o início. O comentário de Rashi na Guemará acrescenta ainda que o dono pode responder que deseja trigo de boa qualidade, e que a negligência do meeiro prejudica também a reputação do campo para futuros arrendamentos.