Aquele que recebe um campo de seu companheiro e o deixou em pousio, avaliam quanto ele era capaz de produzir, e ele paga a ele — — Se o meeiro simplesmente não trabalha o campo — nem lavra, nem semeia —, os peritos estimam qual teria sido a produção esperada daquele campo se tivesse sido cultivado normalmente, e o meeiro deve pagar ao dono esse valor estimado, como se a colheita tivesse de fato ocorrido.
pois assim lhe escreve: 'Se eu deixar em pousio e não trabalhar, pagarei do melhor [dos meus bens].' — Esta obrigação não decorre apenas do bom senso, mas de uma cláusula padrão que constava do próprio contrato escrito de arrendamento agrícola: o meeiro se comprometia formalmente, por escrito, a indenizar o dono do melhor de seus bens caso deixasse o campo abandonado — garantindo ao proprietário uma indenização plena, e não apenas uma compensação simbólica.
Rambam esclarece que o meeiro (mekabel) é aquele que arrenda a terra em troca de uma parte proporcional do que ela produzir; por isso, se ele a deixa em pousio sem semeá-la, o cálculo da indenização deve estimar o que o campo teria produzido se tivesse sido semeado, e o meeiro paga a parte proporcional que fora combinada entre as partes — não o valor integral, mas apenas a fração que caberia ao dono conforme o acordo original.
Bartenura define claramente os termos: deixar 'em pousio' significa simplesmente não lavrar nem semear o campo, contrariando a obrigação básica de todo meeiro. A fórmula contratual 'se eu deixar em pousio e não trabalhar' expressa exatamente essa omissão total de atividade agrícola, e 'pagarei do melhor' significa que a indenização deve corresponder ao que o campo teria produzido se tivesse recebido o tratamento adequado.
Rashi observa que a avaliação prevista na mishná só se aplica ao regime de aricultura proporcional (kablanut), em que o meeiro recebe uma fração da colheita; no regime de locação fixa (chachrenut), não há necessidade de avaliação alguma, pois o arrendatário simplesmente deve a quantia fixa combinada, independentemente de ter trabalhado o campo ou não. Deixar em pousio, explica, significa transformar o campo numa terra baldia, sem realizar nele a atividade agrícola que lhe seria própria.