O contratado por dia cobra durante toda a noite; o contratado por noite cobra durante todo o dia; — O trabalhador contratado para um dia de serviço, que termina seu trabalho ao entardecer, tem até o fim daquela noite para reclamar e receber seu pagamento sem que o empregador transgrida a proibição de retê-lo; e, simetricamente, o trabalhador contratado para uma noite de serviço, que termina pela manhã, tem até o fim daquele dia.
o contratado por horas cobra durante toda a noite e todo o dia. — Esta frase resume, de modo condensado, os dois casos seguintes: o contratado por horas durante o dia tem prazo até o fim do dia, e o contratado por horas durante a noite tem prazo até o fim da noite seguinte — cada um seguindo a regra do período (dia ou noite) em que efetivamente prestou o serviço.
O contratado por semana, o contratado por mês, o contratado por ano, o contratado por septênio — se terminou [seu serviço] de dia, cobra durante todo o dia; se terminou de noite, cobra durante toda a noite e todo o dia. — Para contratos de duração mais longa — uma semana, um mês, um ano, ou um septênio inteiro —, o prazo de pagamento não depende do tipo de contrato em si, mas do momento exato em que o serviço efetivamente terminou: se terminou durante o dia, o prazo de pagamento se estende até o fim daquele dia, como se fosse um contratado por dia; se terminou durante a noite, o prazo se estende por toda aquela noite e ainda pelo dia seguinte inteiro, como se fosse um contratado por noite.
Rambam explica que esta divisão precisa entre os dois versículos bíblicos — 'não reterás o pagamento do trabalhador contigo até a manhã' e 'no mesmo dia lhe darás seu salário' — foi recebida por tradição oral: o primeiro versículo refere-se ao contratado por dia, cujo prazo de pagamento vai até a manhã seguinte, e o segundo refere-se ao contratado por noite, cujo prazo vai até o fim daquele mesmo dia. Quanto ao contratado por horas, esclarece que a mishná quer dizer que o contratado por horas durante o dia cobra durante todo o dia, e o contratado por horas durante a noite cobra durante toda a noite.
Bartenura vincula diretamente a regra ao versículo de Vayikrá 19:13 sobre a proibição de reter o pagamento até a manhã, e esclarece a frase condensada sobre o contratado por horas, dividindo-a em dois casos distintos conforme o período do dia trabalhado. Sobre 'sechir shavua', identifica-o com o septênio da shemitá; e explica o raciocínio por trás do prazo estendido de quem termina seu serviço à noite: como sua atividade se prolongou até escurecer, ele é tratado como um contratado por noite, cujo prazo de pagamento só se esgota ao pôr do sol do dia seguinte.
Rashi confirma que o dia inteiro da noite é o prazo de cobrança do contratado por dia, tanto para efeito do juramento especial que os sábios instituíram em favor do trabalhador quanto para efeito de saber sob qual proibição bíblica exata o empregador incorreria caso não pagasse — 'não venha sobre ele o sol' (referente ao contratado por noite) ou 'não retenhas o pagamento do trabalhador contigo até a manhã' (referente ao contratado por dia). Sobre o contratado por semana, identifica-o com o septênio sabático, e explica com precisão a lógica de que quem termina seu serviço à noite passa a ser tratado, para efeitos de prazo, como um contratado por noite.