Aquele que troca uma vaca por um jumento, e ela deu cria; e da mesma forma aquele que vende sua escrava, e ela deu à luz — se este diz "antes que eu vendesse" e aquele diz "depois que eu comprei", dividem. — Como a aquisição por troca (chalifin) se completa no instante em que uma das partes puxa (mesichah) o objeto recebido — momento em que o outro objeto, onde quer que esteja, já muda de dono —, e como a venda de uma escrava se completa com a entrega do dinheiro, não há como determinar com certeza se o nascimento ocorreu antes ou depois desse instante preciso. Diante da incerteza genuína e da impossibilidade de provar o momento exato, a mishná determina a divisão do valor da cria entre as partes.
Teve alguém dois escravos, um grande e um pequeno, e da mesma forma dois campos, um grande e um pequeno — se o comprador diz "comprei o grande" e o outro diz "não sei", ele adquire o grande. — Quando o comprador afirma com certeza e o vendedor está genuinamente em dúvida, prevalece a alegação de quem afirma com certeza, pois não há confissão parcial que contradiga sua palavra.
Se o vendedor diz "vendi o pequeno" e o outro diz "não sei", ele só tem direito ao pequeno. — Da mesma forma, quando é o vendedor quem afirma com certeza e o comprador está em dúvida, prevalece a palavra do vendedor, que retém o restante — o comprador recebe apenas aquilo que foi afirmado com certeza como vendido.
Se este diz "o grande" e aquele diz "o pequeno", o vendedor jura que vendeu o pequeno. — Quando ambas as partes afirmam com certeza, mas em sentido contrário, é o vendedor quem presta o juramento — não sobre o próprio objeto do litígio, pois o que um alega o outro não confirma, mas por extensão (gilgul), estendendo a outro juramento que já lhe cabe.
Se este diz "não sei" e aquele diz "não sei", dividem. — Repete-se aqui a posição de Sumchos, aplicada quando nenhuma das partes consegue afirmar com certeza — posição que, como já observado, não é a halachá adotada.
Rambam remete aos princípios gerais já expostos: quem quer extrair de outrem deve provar sua alegação; e se alguém reclama trigo e o réu confessa apenas cevada — bens de natureza diferente da reclamada —, o réu fica isento até do juramento, pois não houve confissão parcial genuína da mesma coisa. Essa mesma lógica, adverte Rambam, é o que situa a cláusula "dividem" como posição de Sumchos, não como halachá final. Sobre o juramento do vendedor no caso dos dois escravos ou dois campos, Rambam esclarece um princípio técnico importante: não se presta juramento sobre alegações envolvendo escravos (nem sobre imóveis) como juramento principal e direto — apenas por extensão (gilgul), anexado a outro juramento que a pessoa já deve prestar por outro motivo.
Bartenura explica por que a mishná precisou apresentar dois exemplos paralelos — venda de escrava e troca de vaca por jumento: a escrava (como todo escravo cananeu) adquire-se por dinheiro, e o pagamento pode ocorrer em qualquer lugar em que ela esteja, sem que o comprador precise vê-la fisicamente naquele instante — daí a incerteza genuína sobre se o parto ocorreu antes ou depois do pagamento. Já a vaca não se adquire por dinheiro, mas por meio de mesichah (o ato de puxar o animal); e como esse ato exige contato direto, normalmente se saberia se ela já havia parido. Por isso a mishná precisou trazer o caso da troca (chalifin), onde a aquisição de um objeto se completa pelo ato físico praticado sobre o outro objeto — permitindo, de novo, a mesma incerteza. Bartenura esclarece ainda que o juramento sobre os dois escravos não recai sobre o escravo em si (pois não se jura sobre escravos, assim como não se jura diretamente sobre imóveis), mas sobre o valor monetário correspondente à diferença de preço entre o grande e o pequeno.
Rashi explica a escolha precisa da terminologia da mishná: por que "aquele que troca" e não simplesmente "aquele que vende sua vaca"? Porque uma venda comum por dinheiro não transfere a posse da vaca até que o comprador a puxe fisicamente (mesichah) — e nesse ato, ele necessariamente perceberia se ela já havia parido, eliminando a dúvida. Já na troca (chalifin), basta que uma das partes puxe o objeto que está recebendo para que o outro objeto — onde quer que se encontre naquele momento — mude automaticamente de dono; assim, o dono original da vaca pode não estar presente para constatar se ela já pariu no exato instante da troca, gerando a incerteza genuína que a mishná resolve por divisão. A mesma lógica de incerteza legítima aplica-se à escrava, adquirida por dinheiro em qualquer lugar em que esteja, sem necessidade de constatação física simultânea.