O trabalhador come um pepino ainda que valha um dinar, e uma tâmara ainda que valha um dinar. — O direito bíblico de comer não tem limite de valor monetário: mesmo um único item caro, valendo uma moeda inteira (dinar), está dentro do direito do trabalhador, desde que se trate do produto correto e do momento correto.
Rabi Elazar Chisma diz: o trabalhador não deve comer mais do que seu salário. — Rabi Elazar Chisma introduz um limite: com base na expressão bíblica "segundo o teu desejo" (kenafshecha), interpretada como referência ao valor de sua contratação (kis'chiruto), ele entende que o trabalhador só pode comer até o equivalente ao próprio salário — pois é por esse salário que ele arrisca sua vida, subindo em árvores ou lugares perigosos para realizar o trabalho.
Mas os sábios permitem — porém instruem o homem a não ser voraz, para que não feche a porta diante de si mesmo. — A maioria dos sábios rejeita esse limite legal, permitindo consumo sem teto de valor. Ainda assim, reconhecem um limite prático, de natureza social e não jurídica: o trabalhador que come com voracidade excessiva corre o risco de adquirir má reputação, afastando futuros empregadores — um dano que ele mesmo se causa, "fechando a porta" à sua própria subsistência futura.
A expressão "ke-nafshecha" ("segundo o teu desejo/tua pessoa") é a base textual da disputa entre Rabi Elazar Chisma e os sábios. Segundo Rashi, Rabi Elazar Chisma deriva dali que o consumo deve corresponder à medida da própria contratação do trabalhador (ki-schiruto) — precisamente porque é sobre esse salário que ele "entrega sua vida" (moser et nafsho), subindo por escadas ou galhos, em locais de risco, para cumprir seu trabalho. Os sábios leem a mesma expressão de modo mais amplo — "até saciar-se", sem limite de valor —, reservando apenas uma recomendação ética, não uma restrição legal.
Rambam nota, de passagem, uma camada adicional da disputa: se, além de permitir comer sem limite de valor, cabe também instruir o trabalhador sobre moderação. Confirma que a halachá segue os sábios — tanto na permissão ampla quanto na recomendação de bom senso.
Bartenura confirma que "ainda que valha um dinar" significa literalmente uma única fruta cujo preço de mercado equivale a essa moeda inteira — sem qualquer desconto pelo direito de comer. Explica a leitura de Rabi Elazar Chisma sobre "kenafshecha" como referência ao salário do trabalhador, justificada pelo risco físico que ele assume — subir rampas, pendurar-se em árvores — em troca desse mesmo salário. Por fim, esclarece que "instruir" significa aconselhar com uma palavra sensata, não impor lei; e que a halachá segue os sábios tanto na permissão quanto no conselho de moderação, para que o trabalhador não perca oportunidades futuras de emprego por fama de voraz.
Rashi confirma a leitura literal de "ainda que valha um dinar" e remete à Guemará para a derivação de "kenafshecha" como referência ao risco de vida que o trabalhador assume ao subir em árvores ou lugares perigosos por seu salário. Confirma também que "fechar a porta diante de si" significa que futuros empregadores se absterão de contratá-lo, temendo sua voracidade.