Pode um homem dizer a seu próximo: capina comigo e capinarei contigo, cava comigo e cavarei contigo — mas não deve dizer-lhe: capina comigo e cavarei contigo, cava comigo e capinarei contigo. — Trocar um dia de trabalho por outro dia de trabalho idêntico é uma troca justa, sem qualquer elemento de juro. Mas se as tarefas trocadas são de dificuldade diferente — capinar sendo mais leve que cavar, por exemplo —, o trabalho mais leve recebido em troca do mais pesado prestado constitui, na prática, um pagamento adicional pela espera até a reciprocidade, o que é juro (agar natar, "aluguel da espera").
Todos os dias de garid (estação seca) são um só; todos os dias de revi'á (estação chuvosa) são um só. — Dentro da mesma estação, não há necessidade de se preocupar se um dia específico foi mais longo, mais fácil ou mais difícil que outro — todos os dias de uma mesma estação são tratados como equivalentes para fins de troca.
Não deve dizer-lhe: lavra comigo no garid, e eu lavrarei contigo no revi'á. — Mas trocar um dia de trabalho na estação seca (mais fácil, solo leve) por um dia de trabalho na estação chuvosa (mais difícil, solo pesado) não é uma troca equivalente entre estações diferentes — o trabalho mais difícil prestado no revi'á, em troca do mais fácil no garid, constitui juro pela demora.
Rabban Gamliel diz: há ribit antecipado e há ribit posterior. Como assim? Pôs os olhos para tomar emprestado dele, e passou a enviar-lhe [presentes], dizendo: por causa de que me emprestarás — este é ribit antecipado. Tomou emprestado dele e devolveu-lhe seu dinheiro, e passou a enviar-lhe [presentes], dizendo: por causa de teu dinheiro que ficou ocioso comigo — este é ribit posterior. — Rabban Gamliel identifica duas categorias de juro que ocorrem fora do período do próprio empréstimo: presentes enviados antes, para conquistar a boa vontade de um futuro credor, e presentes enviados depois, como agradecimento por um empréstimo já quitado — ambos são, na essência, pagamento pelo uso do dinheiro alheio, ainda que disfarçados de gestos de cortesia.
Rabi Shimon diz: há ribit de palavras — não deve dizer-lhe: sabe que veio fulano de tal lugar. — Rabi Shimon acrescenta uma categoria ainda mais sutil: mesmo um favor verbal, como informar ao credor sobre uma notícia útil (por exemplo, a chegada de um comerciante interessante ao mercado) por causa do empréstimo recebido, constitui uma forma de juro — o "pagamento" não precisa ser material para ser proibido.
Rambam define garid e revi'á como as estações seca e chuvosa, explica por que o trabalho na terra é mais difícil na estação das chuvas, e confirma que tanto Rabban Gamliel quanto Rabi Shimon estão descrevendo práticas a evitar, mesmo sem serem tecnicamente proibidas por lei. Bartenura confirma os mesmos pontos com breves glosas lexicais.
Rambam define garid como os dias secos do verão e revi'á como os dias chuvosos do inverno, explicando que o trabalho da terra é naturalmente mais leve no verão — menos lama e mais horas de luz. Ele esclarece que nichush (capina) é a limpeza ao redor das raízes das árvores, enquanto charishá (lavoura) é o preparo mais pesado da terra para semeadura. Sobre a conclusão da mishná, Rambam faz uma observação importante: tanto a opinião de Rabban Gamliel quanto a de Rabi Shimon são aceitas como halachá, mas ele adverte que se trata de comportamentos que "convém evitar" — uma categoria de prudência recomendada, e não necessariamente de proibição legal formal e punível.
Bartenura confirma que nichush é a remoção de ervas daninhas que crescem entre a plantação, enquanto avodá (cavar) é um trabalho de esforço diferente; trocar um pelo outro sem equivalência gera um elemento de "aluguel da espera" (agar natar) — o benefício obtido por ter esperado até a reciprocidade ser paga. Ele confirma as mesmas definições de garid e revi'á, e explica que o motivo de não trocar lavoura entre as estações é que os dias de revi'á são, por natureza, mais difíceis para o trabalho no campo do que os dias de garid.
Rashi, em Bava Metzia 75a-75b, ao comentar diretamente esta mishná, confirma as mesmas definições e explica com precisão por que trocar trabalho de dificuldade desigual constitui "aluguel da espera".
Rashi explica com clareza o conceito de agar natar ("aluguel da espera") que fundamenta a proibição central da mishná: quando alguém presta um trabalho mais difícil hoje e recebe de volta, mais tarde, um trabalho mais fácil, o benefício obtido não é apenas a reciprocidade — é também um "aluguel" pago pelo tempo de espera até que a dívida de trabalho fosse quitada. Rashi confirma que a razão para agrupar todos os dias de uma mesma estação como equivalentes é que os sábios não quiseram entrar em minúcias sobre se um dia específico foi mais longo ou mais difícil que outro; mas entre estações diferentes, a disparidade é real e sistemática — os dias chuvosos são reconhecidamente mais árduos para o trabalho agrícola do que os dias secos.