Seder Nezikin · Massechet Bava Metzia · Perek Dalet · Mishná 5 de 12

Quanto pode faltar à sela sem oná'á

כַּמָּה תְהֵא הַסֶּלַע חֲסֵרָה
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná trata de um caso específico de oná'á: o desgaste natural das moedas de prata em circulação. Como toda moeda perde peso com o uso, os sábios discutem qual fração desse desgaste ainda é tolerável antes que gastá-la pelo valor de face configure exploração de preço.

Quanto pode faltar à sela sem que haja nela oná'á? Rabi Meir diz: quatro issarin, um issar por dinar.A sela — composta de quatro dinares — desgasta-se naturalmente com a circulação. Rabi Meir estabelece que ela pode perder até quatro issarin (um por dinar) de seu peso original sem que seu uso pelo valor cheio seja considerado exploração.

Rabi Yehudá diz: quatro pundeyonot, um pundeyon por dinar.Rabi Yehudá propõe um limiar mais estreito: como o pundeyon vale metade do issar, seu padrão de quatro pundeyonot equivale a apenas um doze avos do valor da sela — uma tolerância bem menor à de Rabi Meir.

Rabi Shimon diz: oito pundeyonot, dois pundeyonot por dinar.Rabi Shimon amplia novamente o limiar, para oito pundeyonot no total — exatamente um sexto do valor da sela, alinhando essa tolerância ao padrão geral de oná'á estabelecido nas mishnayot anteriores. É esta a opinião que prevalece como halachá.

כַּמָּה תְהֵא הַסֶּלַע חֲסֵרָה וְלֹא יְהֵא בָהּ אוֹנָאָה. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, אַרְבָּעָה אִסָּרִין, אִסָּר לְדִינָר. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, אַרְבָּעָה פֻנְדְּיוֹנוֹת, פֻּנְדְּיוֹן לְדִינָר. רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר, שְׁמֹנָה פֻנְדְּיוֹנוֹת, שְׁנֵי פֻנְדְּיוֹנוֹת לְדִינָר:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam relembra as equivalências monetárias (sela = 4 dinares; dinar = 6 ma'á; ma'á = 2 pundeyon; pundeyon = 2 issar) e confirma que a halachá segue Rabi Shimon. Bartenura detalha o cálculo de cada fração proposta.

Rambam · Perush HaMishná, Bava Metzia 4:5
כַּמָּה תְּהֵא הַסֶּלַע חֲסֵרָה וְלֹא יְהֵא בָהּ אוֹנָאָה כו': וּכְבָר בֵּאַרְנוּ פְּעָמִים רַבּוֹת שֶׁהַסֶּלַע אַרְבָּעָה דִּינָרִין, וְשֵׁשׁ מָעָה כֶּסֶף דִּינָר, וּמָעָה שְׁנֵי פֻנְדְּיוֹן, וּפֻנְדְּיוֹן שְׁנֵי אִסָּרִין. וְהֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן:

Rambam relembra o sistema de equivalências monetárias usado ao longo da Mishná: a sela vale quatro dinares; cada dinar vale seis ma'á de prata; cada ma'á vale dois pundeyon; e cada pundeyon vale dois issar. Com base nesse sistema, ele confirma que a halachá segue a opinião mais ampla de Rabi Shimon — oito pundeyonot de tolerância, o equivalente a um sexto do valor da sela, alinhando este caso específico ao padrão geral de oná'á.

Bartenura · Bava Metzia 4:5
כַּמָּה תְהֵא סֶלַע חֲסֵרָה. מַטְבֵּעַ הַיּוֹצֵא וְתָמִיד הוּא שׁוֹחֵק וְחָסֵר, כַּמָּה תֶחְסַר וְאִם הוֹצִיאָהּ לֹא תְהֵא אוֹנָאָה: אַרְבַּע אִסָּרִין לְסֶלַע, אִסָּר לְדִינָר. וְהוּא אֶחָד מִן עֶשְׂרִים וְאַרְבָּעָה בּוֹ, דְּשֵׁשׁ מָעָה כֶסֶף הוּא דִּינָר, מָעָה שְׁנֵי פֻנְדְּיוֹנִים, פֻּנְדְּיוֹן שְׁנֵי אִסָּרִין: אַרְבָּעָה פֻנְדְּיוֹנִים. אֶחָד מִשְׁנֵים עָשָׂר: שְׁמֹנָה פֻנְדְּיוֹנוֹת. שְׁתוּת, כִּשְׁאָר אוֹנָאָה. וְכֵן הֲלָכָה:

Bartenura explica o pano de fundo: toda moeda de prata em circulação se desgasta naturalmente pelo uso, perdendo peso com o tempo — a pergunta da mishná é até que ponto esse desgaste ainda pode ser gasto pelo valor de face sem configurar exploração. Ele traduz cada proposta em frações do valor total da sela: a de Rabi Meir equivale a um vinte e quatro avos; a de Rabi Yehudá, mais restritiva, a apenas um doze avos; e a de Rabi Shimon, a um sexto — o mesmo padrão de todas as demais formas de oná'á. E confirma: a halachá segue Rabi Shimon.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi, em Bava Metzia 51b, detalha o sistema de pesos e a razão pela qual a Guemará discute se este caso segue o mesmo padrão de um sexto ou um critério próprio.

Rashi רש״י
Bava Metzia 51b
מַתְנִי' כַּמָּה תְּהֵא הַסֶּלַע חֲסֵרָה — מַטְבֵּעַ הַיּוֹצֵא וְתָמִיד הוּא שׁוֹחֵק וְחָסֵר, כַּמָּה תֶחְסַר וְאִם הוֹצִיאָהּ לֹא תְהֵא אוֹנָאָה: אִסָּר לְדִינָר — וְהוּא אֶחָד מִכ״ד בּוֹ, דְּו' מָעָה כֶּסֶף דִּינָר, מָעָה שְׁנֵי פֻנְדְּיוֹנִים, פֻּנְדְּיוֹן שְׁנֵי אִסָּרִין. וּבַגְּמָ' מְפָרֵשׁ מַאי שְׁנָא דְּגַבֵּי שְׁאָר סְחוֹרָה אָמְרִינַן שְׁתוּת, וְכָאן יֵשׁ אוֹמְרִים כָּךְ וְיֵשׁ אוֹמְרִים כָּךְ.

Rashi confirma o pano de fundo prático: como toda moeda de prata em circulação vai naturalmente se desgastando e perdendo peso, a mishná pergunta qual o limite tolerável de perda antes que usá-la pelo valor cheio se torne exploração. Ele traduz o padrão de Rabi Meir em frações — um vinte e quatro avos do valor da sela — e observa que a Guemará se pergunta por que, no caso das mercadorias comuns, o padrão sempre foi de um sexto, enquanto aqui os próprios tanaítas discordam sobre qual fração se aplica — apontando que o desgaste de moedas pode seguir uma lógica um pouco distinta da oná'á comum.