E assim dois utensílios, um vale um mané e um vale mil zuz, e este diz: o que vale mais é meu, e aquele diz: o que vale mais é meu — dá o pequeno a um deles, e do grande dá o valor do pequeno ao segundo, e o restante fique guardado até que venha Elias. — O mesmo princípio de 3:4 se aplica aqui, mas com uma dificuldade adicional: como os bens em disputa não são dinheiro fungível, e sim dois utensílios distintos, a solução prática é entregar o utensílio de menor valor a um dos reclamantes, e retirar do utensílio maior — vendendo-o ou avaliando-o — uma quantia equivalente ao valor do pequeno, entregando-a ao outro reclamante; o restante do valor do utensílio grande permanece retido até que Elias venha esclarecer a verdade.
Disse Rabi Yossei: Se assim, o que perdeu o fraudador? Ao contrário, que tudo fique guardado até que venha Elias. — Rabi Yossei repete aqui sua objeção de 3:4: se o fraudador recebe de qualquer forma o valor do utensílio pequeno, nada perdeu com sua mentira. Por isso, insiste que ambos os utensílios — íntegros, sem necessidade de quebrar o maior — permaneçam retidos até que Elias venha, preservando toda a disputa em aberto e desencorajando a fraude.
Rambam nota que o raciocínio é idêntico ao de 3:4, e que a mishná repete o caso apenas para evitar um engano possível quanto ao prejuízo do dono do utensílio grande; Bartenura detalha essa mesma preocupação, explicando por que os sábios ainda assim mantiveram sua posição contra Rabi Yossei.
Rambam explica que a analogia com o caso de mané e duzentos é direta, e a lei é a mesma; ele apenas traz este segundo exemplo para que não se pense: já que nesta reivindicação o dono do utensílio grande sai perdendo — pois perde o próprio utensílio, sendo-lhe entregue apenas uma parte de seu valor —, talvez ambos devessem ficar retidos até que venha Elias, para que o fraudador confesse a verdade, como Rabi Yossei propõe. A mishná nos ensina que não é assim: o caso é equivalente ao de mané e duzentos, em que o dono dos duzentos não perde a essência de seu dinheiro, mas apenas uma parte dele. E a halachá não segue Rabi Yossei.
Bartenura explica que este segundo caso era necessário para os sábios: não bastava dizer que no caso de mané e duzentos, onde não há prejuízo de se quebrar um utensílio, os sábios ensinaram que se dá cem a cada um; era preciso ensinar o mesmo mesmo em dois utensílios, onde há o prejuízo real de ter de quebrar o utensílio grande para retirar dele o valor do pequeno — pois, quando Elias vier, o dono do utensílio grande terá perdido por ter tido seu utensílio quebrado, e poder-se-ia pensar que aqui os sábios concordariam com Rabi Yossei, que tudo deveria ficar retido. A mishná nos ensina que não é assim. E a halachá segue os sábios.
Rashi, na continuação da sugya em Bava Metzia 37b, formula exatamente essa objeção potencial — o prejuízo de quebrar o utensílio grande — como base da posição de Rabi Yossei.
Rashi identifica a base específica da objeção de Rabi Yossei neste caso: diferentemente do dinheiro no caso anterior, aqui há um prejuízo real e irreversível — o utensílio grande precisa ser quebrado ou vendido para que se extraia dele o valor equivalente ao pequeno. Se depois vier Elias e revelar que o utensílio grande pertencia, na verdade, ao reclamante que recebeu apenas o pequeno, este já terá perdido definitivamente seu utensílio, que foi quebrado sem necessidade. É precisamente por causa desse prejuízo do dono do utensílio grande que Rabi Yossei insiste em reter ambos os utensílios intactos, em vez de partir o maior.