Aquele que deposita moedas junto a um trocador: se estão amarradas, não pode usá-las; por isso, se se perderem, não é responsável por elas. Se estão soltas, pode usá-las; por isso, se se perderem, é responsável por elas. — Um trocador profissional (shulchani) lida comercialmente com dinheiro, e por isso presume-se que teria permissão para usar moedas que lhe fossem depositadas soltas — sinal de que o depositante não se importaria com esse uso. Mas moedas amarradas indicam que o depositante deseja que permaneçam intactas, sem uso; por isso, o trocador não pode tocá-las, e, como não obteve benefício algum delas, não é responsável caso se percam. Já sobre moedas soltas, que ele poderia usar, aplica-se o princípio de que quem tem permissão de uso é equiparado a um guardião assalariado — ou mesmo a um tomador de empréstimo — responsável mesmo por circunstâncias inevitáveis.
Junto a um dono de casa: sejam amarradas, sejam soltas, não pode usá-las; por isso, se se perderam, não é responsável por elas. O lojista é como o dono de casa — palavras de Rabi Meir. Rabi Yehuda diz: o lojista é como o trocador. — Um dono de casa comum, ao contrário do trocador, não lida profissionalmente com dinheiro alheio, e por isso presume-se que jamais teria permissão de usar o depósito, esteja ele amarrado ou solto; sendo assim, não é responsável em nenhum dos casos. Quanto ao lojista, há divergência: Rabi Meir o equipara ao dono de casa comum, sem permissão presumida de uso; Rabi Yehuda o equipara ao trocador, por lidar regularmente com dinheiro em seu comércio.
Rambam define tecnicamente o que conta como moedas "amarradas" e explica por que mesmo sem uso efetivo o trocador é responsável por moedas soltas; Bartenura confirma essa definição e que a halachá segue Rabi Yehuda.
Rambam define "amarradas" como tendo um nó de formato incomum, ou um selo colocado sobre elas; o que não se enquadra nisso é considerado "soltas". E explica por que a mishná diz que o trocador é responsável mesmo que não tenha efetivamente usado as moedas soltas: se lhe permitíssemos ficar isento sem usar, ele se tornaria como um guardião assalariado sobre elas apenas por ter permissão de uso — e a Guemará explica adiante a lei do guardião assalariado. Mas quando ele de fato se beneficia e usa as moedas, é responsável mesmo por circunstâncias inevitáveis, pois elas se tornam, para ele, como uma dívida. A halachá segue Rabi Yehuda.
Bartenura explica que "amarradas" significa com um nó especial ou seladas; o que não é assim, ainda que amarrado de modo comum, é considerado como soltas e o trocador pode usá-las. E esclarece por que é responsável por elas mesmo sem uso efetivo: por ter permissão de uso, ele já se torna, sobre elas, um guardião assalariado, responsável por furto e perda; e se de fato as usou, elas se tornam como um empréstimo em suas mãos, e ele é responsável mesmo por circunstâncias inevitáveis. A halachá segue Rabi Yehuda, que equipara o lojista ao trocador.
Rashi, na sugya de Bava Metzia 43a, explica a lógica por trás da suposição de que moedas soltas depositadas com um trocador estão implicitamente liberadas para uso.
A Guemará questiona, com espanto, a própria premissa da mishná: por que o fato de as moedas estarem amarradas indicaria que o depositante não quer que sejam usadas — afinal, o próprio depositante sabe que o trocador sempre precisa de dinheiro para seu negócio, e é hábito comum de qualquer pessoa amarrar suas moedas simplesmente para transportá-las, não para proibir seu uso. Rashi ainda explica a razão de o trocador responder por moedas soltas mesmo sem as ter efetivamente usado: pelo simples fato de ter permissão para usá-las, ele já se torna, desde aquele momento, equiparado a um tomador de empréstimo sobre elas, responsável inclusive por circunstâncias inevitáveis.