Achou atrás da cerca de madeira ou atrás do muro de pedra pombos amarrados, ou em veredas nos campos — não tocará neles. — Pombos amarrados pelas asas e escondidos atrás de uma cerca, ou deixados junto a veredas de campos, presumem-se guardados ali de propósito pelo próprio dono, que pretende voltar para buscá-los; por isso não deve sequer tocá-los, pois o nó com que foram amarrados é comum a todos e não constitui sinal que permita depois devolvê-los com segurança caso sejam retirados dali.
Achou um utensílio no monturo — se está coberto, não tocará nele; se está descoberto, pega e anuncia. — Um utensílio coberto no monturo está evidentemente guardado ali por seu dono para retirar depois, e não é considerado um achado sujeito ao dever de "não te poderás esconder"; mas se está descoberto, sujeito a se perder ou ser levado por qualquer um, deve ser recolhido e anunciado.
Achou num montão de entulho ou em parede velha — eis que estes são seus. Achou em parede nova, da metade para fora, é seu; da metade para dentro, é do dono da casa. Se a alugava a outros, mesmo dentro da casa — eis que estes são seus. — Um objeto encontrado num monte de entulho ou dentro de uma parede já antiga presume-se ali há muito tempo, provavelmente desde antes mesmo da atual ocupação do local, de modo que não há como reivindicá-lo a um dono conhecido; já numa parede recém-construída, a divisão pela metade da espessura reflete de quem provavelmente é o objeto — se está na metade voltada para o domínio público, presume-se caído de algum transeunte; se na metade voltada para dentro da casa, presume-se do próprio morador. Mas se o dono da casa a alugava a terceiros, mesmo o que for achado do lado de dentro pertence a quem o encontrou, pois não há como saber qual dos vários ocupantes o perdeu.
Rambam explica a lógica de não tocar em objetos guardados de propósito, e a exigência de ferrugem antiga como prova de tempo decorrido; Bartenura detalha cada termo — gafá, gader, chuludá — e o critério do inquilino.
Rambam explica que a razão de não tocar nos pombos e no utensílio coberto é dupla: por um lado, presume-se que o dono os deixou ali de propósito para voltar; por outro, mesmo que fossem retirados, não haveria como o dono descrevê-los com sinal suficiente para prová-los seus. Sobre o monte de entulho e a parede velha, Rambam precisa: a regra "eis que são seus" só se aplica quando o objeto está de fato enterrado dentro do terreno ou da parede — condição que permite presumir que foi ali escondido há muito tempo; se, porém, foi achado apenas próximo à superfície do chão ou encostado à parede, sua condição legal é a mesma de um objeto achado num monturo comum.
Bartenura define os termos: a gafá é uma cerca fechada de madeira ou canas; o gader é feito de pedras. Os pombos amarrados pelas próprias asas — como todos costumam amarrá-los — não têm nisso um sinal distintivo; por isso presume-se que foram ali escondidos de propósito pelo dono, e quem os tirasse não teria como ao dono devolvê-los com um sinal reconhecível. Um utensílio coberto no monturo não é considerado achado sujeito ao dever de resgate, pois está protegido ali. Sobre o achado no monte de entulho ou parede velha: Bartenura explica que pode-se dizer ao dono do monte ou da parede que aquilo é herança dos amorreus que nossos antepassados encontraram na terra — mas apenas se houver ferrugem espessa, sinal claro de que está enterrado há muito tempo. "Da metade para fora" refere-se a um dos buracos da parede voltados para o domínio público. E, se o dono da casa a alugava a terceiros, mesmo o que for achado do lado de dentro é de quem o encontrou, pois não se sabe de qual dos inquilinos era, e presume-se que os donos já desistiram.