O achado de seu filho e de sua filha menores, o achado de seu escravo e de sua escrava cananeus, o achado de sua esposa — estes são seus. — Esses quatro achados pertencem ao chefe da casa, não a quem efetivamente o encontrou: o filho e a filha menores dependem de seu sustento; o escravo e a escrava cananeus são, eles próprios, uma posse de seu dono; e a esposa, embora pessoa juridicamente livre, tem seu achado atribuído ao marido por uma instituição rabínica destinada a preservar a paz doméstica.
O achado de seu filho e de sua filha maiores, o achado de seu escravo e de sua escrava hebreus, o achado de sua esposa que ele divorciou, ainda que não lhe tenha entregue sua ketubá — estes são deles. — Uma vez que o filho ou a filha atingem a maioridade e deixam de depender do sustento paterno, uma vez que o escravo é hebreu — cuja condição de servidão é temporária e mais limitada que a do escravo cananeu —, e uma vez que o casamento é dissolvido pelo divórcio, cessa a base jurídica que atribuía o achado ao chefe da casa, e cada um passa a ter direito ao que encontra por si mesmo. No caso da esposa divorciada, isso vale mesmo enquanto o pagamento da ketubá ainda estiver pendente — a mera dissolução do vínculo matrimonial já é suficiente.
Bartenura ancora duas cláusulas da mishná em versículos explícitos: o direito do pai sobre os "ganhos da juventude" da filha, e a condição do escravo cananeu como bem possuído.
Rambam esclarece o critério real por trás de "menor" e "maior" — a dependência da mesa paterna, não a idade — e a exceção da filha; Bartenura confirma e acrescenta a razão da atribuição do achado da esposa ao marido.
Rambam esclarece que "menor" e "maior", nesta mishná, não se referem estritamente à idade legal, mas à dependência econômica: quem se sustenta à mesa do pai — mesmo que já tenha quarenta anos — tem seu achado atribuído ao pai; e quem não depende dessa mesa, a partir dos seis anos, tem seu achado para si mesmo. A filha, porém, é uma exceção notável: enquanto for "naará" (o período específico entre o início da puberdade e os doze anos e meio), seu achado pertence ao pai mesmo que ela não dependa de sua mesa, e mesmo no caso extremo de ter sido vendida como escrava — porque, segundo Rambam, todo "ganho da juventude" da filha pertence ao pai por determinação bíblica, tema desenvolvido em Ketubot.
Bartenura acrescenta a razão prática por trás da regra sobre o filho que depende da mesa paterna: mesmo sendo adulto, é chamado "menor" para este efeito, e seu achado é atribuído ao pai por causa da eivá — para evitar hostilidade e ressentimento dentro de casa, já que seria estranho que um filho sustentado pelo pai retivesse para si um achado enquanto o pai arca com suas despesas. A mesma razão da eivá, explica Bartenura, está por trás da atribuição do achado da esposa ao marido — não é uma questão de posse do corpo dela, como no caso do escravo cananeu, mas uma instituição rabínica para preservar a harmonia conjugal.
O perush de Rashi sobre a Guemará, na abertura da sugyá sobre o achado de dependentes (Bava Metzia 12a).
Rashi assinala a pergunta que a Guemará levanta sobre esta cláusula: por que o achado do escravo hebreu pertence a ele mesmo, e não ao seu senhor, se — segundo já foi discutido anteriormente no tratado — mesmo um simples trabalhador contratado por dia (po'el) tem, em certas condições, o achado atribuído a seu empregador? A dificuldade reforça, por contraste, a distinção central desta mishná: o escravo hebreu, ao contrário do cananeu, mantém sobre si mesmo um grau de autonomia jurídica que a condição de mero empregado não anula — o que exige da Guemará uma explicação própria para justificar por que seu achado lhe pertence integralmente.