Um boi que cornou uma pessoa e ela morreu: se muad, [o dono] paga o resgate; se tam, está isento do resgate. — Quando o boi mata um ser humano, a Torá impõe ao dono, no caso do boi muad, o pagamento de um resgate (kofer) em lugar de sua própria vida — já que, tecnicamente, sua negligência em guardar um boi já conhecido como perigoso o expôs a essa responsabilidade extrema. O dono de um boi tam, por não ter tido advertência prévia de que o animal era perigoso, está isento desse pagamento.
Mas este e aquele são passíveis de morte. — Quanto ao próprio boi, porém, não há distinção: seja tam seja muad, o animal que matou uma pessoa é levado a julgamento e, comprovada a culpa, é condenado à pena de apedrejamento — a responsabilidade do dono pelo resgate é uma questão separada da sentença sobre o próprio animal.
E o mesmo vale para um filho e para uma filha. — A lei do boi que mata uma pessoa se aplica igualmente quando a vítima é uma criança — um menino ou uma menina — e não apenas um adulto: a pena de apedrejamento do boi e, no caso do muad, o pagamento do resgate, aplicam-se da mesma forma.
Se cornou um escravo ou uma escrava, paga trinta selaim, quer valha um mane, quer não valha mais que um dinar. — Quando a vítima é um escravo ou escrava cananeu, a Torá estabelece um valor fixo de indenização — trinta selaim — independentemente do valor de mercado real daquela pessoa escravizada: seja seu valor de venda equivalente a cem zuz (um mane), seja equivalente a apenas um dinar, o pagamento continua sendo os mesmos trinta selaim fixos, mostrando que essa soma não representa o valor de mercado do escravo, mas uma quantia legal fixa estabelecida pela Torá.
Rambam esclarece o critério para que um boi seja considerado muad para matar pessoas; Bartenura detalha as circunstâncias possíveis em que um boi já mata sem ainda ser tecnicamente muad para tal, e equipara crianças a adultos.
Rambam observa que a advertência de um boi para matar uma pessoa (necessária para que o dono seja obrigado ao pagamento do resgate) pode se estabelecer por diversos caminhos, e cita um deles como exemplo: se o boi já matou três pessoas não judias em ocasiões anteriores, essa experiência já o torna muad também para matar uma pessoa judia, ainda que nunca tenha, até então, matado especificamente um israelita.
Bartenura explica a aparente dificuldade da mishná: como pode um boi já ser "muad para matar pessoa" se, normalmente, na primeira vez que mata alguém o próprio boi já é condenado à morte, impedindo que haja uma "segunda" ou "terceira" vez? Ele apresenta três cenários possíveis: o boi já matou três pessoas não judias (cuja morte, nesse contexto legal específico, não gera a mesma pena capital imediata); ou matou três pessoas já mortalmente enfermas (tereifá), cuja morte não é tecnicamente atribuída ao boi, já que "quem já está morto não se mata de novo"; ou o boi matou e fugiu para um pântano antes que se completasse seu julgamento, permitindo-lhe cornar novamente antes de ser executado. Bartenura confirma ainda que uma criança pequena, menino ou menina, tem exatamente o mesmo status legal de um adulto para as leis de apedrejamento do boi e de pagamento do resgate.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 41a), sobre a equiparação de crianças a adultos e as circunstâncias em que um boi já mata sem ter completado a advertência plena.
Rashi explica que a obrigação de apedrejamento se aplica tanto ao boi tam quanto ao muad porque o próprio versículo sobre o boi tam já determina "decerto será apedrejado" — a pena capital do animal não depende da advertência prévia do dono. E confirma que a equiparação de "filho" e "filha" na mishná inclui explicitamente um menino pequeno e uma menina pequena, que têm a mesma condição legal de um adulto tanto para a pena de apedrejamento do boi quanto para o pagamento do resgate.