Quem tira sua palha e seu restolho para a via pública para adubos, e outro foi lesado por eles, é responsável pelo seu dano; e todo o que chega primeiro a eles, adquire. — É costume deixar palha e restolho na rua para que apodreçam e se transformem em adubo para campos e vinhas. Ainda que essa prática seja permitida, quem a exerce continua responsável se alguém se fere nesse material. Ao mesmo tempo, os sábios impuseram uma penalidade sobre o próprio dono: qualquer pessoa que chegue primeiro pode se apossar da palha ou do restolho, retirando-lhe a propriedade sobre o que deixou na via pública.
Rabán Shimon ben Gamliel diz: todo aquele que estraga em via pública e causou dano, é responsável a pagar; e todo o que chega primeiro a eles, adquire. — Rabán Shimon ben Gamliel generaliza o princípio: não apenas a palha e o restolho deixados para virarem adubo, mas qualquer coisa que estrague ou suje a via pública — mesmo feito com permissão, como durante a época de tirar o adubo — torna seu autor responsável pelo dano causado, com a mesma penalidade de que qualquer um pode se apossar do material.
Quem vira o esterco em via pública, e outro foi lesado por ele, é responsável pelo seu dano. — A mishná encerra com o caso de quem revira o esterco do gado na rua — provavelmente também para secá-lo e prepará-lo como adubo —, responsabilizando-o da mesma forma pelo dano causado a quem passa.
Rambam e Bartenura explicam a penalidade rabínica de que qualquer um pode se apossar do material abandonado em via pública.
Rambam esclarece que a regra "todo o que chega primeiro adquire" é uma penalidade rabínica — não uma permissão comum, mas uma medida para desencorajar deixar materiais na via pública. Sobre o esterco do gado, especifica que mesmo durante a época em que é costume tirar adubo — quando a prática é permitida —, ainda assim, se causa dano, seu responsável deve pagar.
Bartenura confirma que "todo o que chega primeiro adquire" é uma penalidade instituída pelos sábios contra quem deixa material na via pública. Sobre a opinião de Rabán Shimon ben Gamliel, esclarece que ela se aplica mesmo quando a pessoa age dentro de seu direito — como na época de tirar adubo —, ainda assim, se causa dano, é responsável a pagar. E sobre "o galal", explica tratar-se do esterco do gado.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 30a), sobre a opinião de Rabán Shimon ben Gamliel.
Rashi explica o propósito de deixar palha e restolho na via pública: para que apodreçam e se transformem em adubo para campos e vinhas. Sobre a opinião de Rabán Shimon ben Gamliel, esclarece que ele ouviu o primeiro tanna limitar a penalidade de que "o que chega primeiro adquire" apenas ao valor agregado (o material já transformado em adubo), mas não ao próprio material original; Rabán Shimon ben Gamliel vem dizer que a penalidade se aplica também ao próprio material — qualquer um que chegue primeiro pode se apossar dele por completo.