O cão e o cabrito que saltaram do alto do telhado e quebraram os utensílios, paga-se o dano completo, porque são avisados. O cão que tomou um bolo e foi até a meda, comeu o bolo e incendiou a meda, pelo bolo paga o dano completo, e pela meda paga metade do dano. — A mishná traz dois exemplos concretos que ilustram os princípios já estabelecidos. No primeiro caso, saltar do telhado é considerado costume natural desses animais — cães e cabritos saltam com frequência —, e por isso, ao quebrarem utensílios nesse salto (um ato classificado como "descendente" da pata, no domínio do prejudicado), o dono paga o dano completo, como em qualquer dano de pata cometido no domínio próprio da vítima. No segundo caso, mais elaborado, um cão furta um bolo que tinha uma brasa grudada nele, e o carrega até uma meda de trigo alheia: ao comer o bolo — ato típico do dente, que come o que lhe é próprio (o bolo, como alimento) — paga-se o dano completo, pois o furto e consumo do bolo se deu no domínio do prejudicado; mas quando a brasa que estava grudada ao bolo incendeia a meda, esse dano não é direto — é como as pedras lançadas pela pata, um efeito indireto da ação do cão, sem que ele tenha "tocado" diretamente no fogo — por isso paga-se apenas metade do dano pela meda incendiada.
Rambam explica por que comer o bolo é dano completo e incendiar a meda é apenas metade; Bartenura confirma a classificação do salto como "descendente" da pata.
Rambam explica que "bolo" (charará) é um pão fino assado sobre brasas, e às vezes as brasas ficam grudadas nele. Quando o cão o come junto à meda e incendeia a meda com essa mesma brasa, ao comer o bolo ele age em seu costume — por isso paga o dano completo; mas o ato de incendiar a meda é algo incomum — por isso paga apenas metade do dano.
Bartenura explica que "porque são avisados" refere-se a saltar, e que a mishná fala do domínio do prejudicado, pois o salto é classificado como "descendente" da pata. "Bolo" é um pão assado sobre brasas. Pelo bolo paga-se o dano completo, pois se trata de dano do dente no domínio do prejudicado; e pela meda paga-se apenas metade, pois é equiparada às pedras lançadas pela pata, cuja halachá de metade do dano é recebida por tradição.
O perush de Rashi sobre a Guemará (Bava Kamma 18a e 21b), explicando o pagamento completo pelo bolo e a classificação do salto entre os "descendentes" da pata.
Rashi explica que o pagamento completo pelo bolo se deve a ser este um caso da categoria do dente, enquanto o incêndio da meda é equiparado às pedras lançadas pela pata — pois o cão apenas depositou a brasa naquele lugar, e o fogo, por si, foi e se propagou a outro lugar; e observa que este é o próprio ensinamento desta mishná, no capítulo em que estamos. Sobre a abertura da mishná, explica que "porque são avisados" refere-se ao ato de saltar, tratando-se do domínio do prejudicado, pois o salto é um "descendente" da categoria da pata.