Os irmãos sócios, um dos quais recaiu sobre ele o ofício, recaiu para o meio. — Quando irmãos herdeiros mantêm os bens em sociedade não dividida, e o serviço obrigatório ao rei — encargo público que recai por rodízio entre as famílias — recai sobre um deles, tanto o ônus quanto qualquer benefício desse encargo são repartidos entre todos, por saírem da posse comum.
Adoeceu e se curou, cura-se à custa de si mesmo. — Mas se um dos irmãos adoece, o custo de seu tratamento é pago de sua própria parte, e não da posse comum, pois a doença é pessoal e não decorre de um encargo assumido em nome de todos.
Os irmãos, alguns dos quais deram presentes de padrinho de noivo em vida do pai — quando a shushvinut voltar, volta para o meio, pois a shushvinut é cobrável em tribunal. — O costume de presentear o noivo (shushvinut) gerava obrigação de reciprocidade, cobrável judicialmente; se o pai, ainda vivo, enviou tal presente por meio de um dos filhos, quando esse presente for devolvido — na ocasião do casamento de um dos irmãos — ele pertence a todos os herdeiros, pois era uma dívida do próprio pai.
Mas aquele que envia a seu companheiro jarros de vinho e jarros de azeite, não são cobráveis em tribunal, porque são atos de bondade. — Presentes comuns entre amigos, sem o caráter formal da shushvinut, não geram obrigação legal de devolução — são gestos de guemilut chassadim, e cabem apenas à consciência de quem os recebeu.
Rambam precisa a condição para que a doença fique a cargo do próprio irmão: isso se aplica quando ele mesmo provocou a doença por seu comportamento imprudente — comendo alimentos notoriamente prejudiciais, ou expondo-se longamente ao sol ou ao frio — caso equiparado a quem fere a si mesmo com as próprias mãos. E define a shushvinut como o costume de presentear com dinheiro na ocasião do casamento, com a expectativa de reciprocidade quando o doador se casar por sua vez.
Bartenura identifica o “ofício” da mishná com o serviço obrigatório ao rei: era costume o governante convocar, por rodízio entre as famílias da cidade, um homem de cada casa para servir como cobrador de impostos por um ou dois meses.
O Rashbam narra o cenário concreto por trás da mishná: o encargo público (“aumanut”) era o serviço do rei — o costume real de convocar, por rodízio, um cobrador de impostos de cada casa da cidade. Quanto à doença, precisa que a mishná fala do caso em que ela resultou de negligência do próprio irmão. E, sobre a shushvinut, descreve o costume social: o pai enviava um de seus filhos para alegrar o noivo em seu casamento, levando presentes em mãos e participando da festa junto com ele — e quando, mais tarde, esse mesmo homenageado retribui o presente por ocasião do casamento de um dos irmãos, o valor devolvido entra na posse comum, pois a obrigação originalmente pertencia ao pai.