Aquele que vende um lugar a seu próximo para lhe construir uma casa, e igualmente aquele que recebe de seu próximo encargo de lhe construir uma casa nupcial para seu filho e uma casa de viuvez para sua filha — constrói quatro cúbitos por seis; palavras de Rabi Akiva. — Quando não se especifica o tamanho, tanto o vendedor de terreno quanto o empreiteiro contratado para erguer a casa nupcial do filho ou a casa de viuvez da filha devem prover um espaço mínimo de quatro por seis cúbitos, segundo Rabi Akiva.
Rabi Yishmael diz: isso é um curral de gado! Quem quer fazer um curral de gado constrói quatro cúbitos por seis. — Rabi Yishmael discorda: essa medida mínima é a de um curral, insuficiente para moradia humana digna — uma casa nupcial ou de viuvez precisa ser maior.
Casa pequena, seis por oito. Grande, oito por dez. Salão de banquetes, dez por dez. — A mishná fixa a escala padrão dos cômodos: seis por oito cúbitos para uma casa pequena, oito por dez para uma grande, e dez por dez para um salão de recepções e banquetes.
Sua altura é como a metade de seu comprimento e a metade de sua largura. Prova disso: o Templo. — A altura de cada construção equivale à soma da metade do comprimento com a metade da largura — regra comprovada pelas próprias proporções do Templo de Jerusalém, cuja altura seguia essa mesma fórmula.
Rabán Shimon ben Gamliel diz: tudo segue a construção do Templo. — Rabán Shimon ben Gamliel entende a comparação de modo ainda mais amplo: todas essas proporções derivam e seguem o modelo do próprio edifício do Templo.
Rambam explica que "curral de gado" refere-se aos cercados do gado. Quanto ao Templo de Salomão: seu comprimento era de quarenta cúbitos, sua largura de vinte e sua altura de trinta — que é exatamente a soma da metade do comprimento com a metade da largura. A Guemará observa que a opinião de Rabán Shimon ben Gamliel pode ser lida de dois modos: ou como apoio à posição do primeiro tanna, de que a maioria das casas deve seguir essa proporção de metade do comprimento e metade da largura; ou como discordância dele, como se expressasse espanto — "acaso todas as construções devem ser como o edifício do Templo?" — não é assim; a medida das construções comuns segue antes o costume local de cada lugar, ao passo que as medidas do Templo vieram do próprio Criador, bendito seja.
Bartenura explica que a "casa nupcial para o filho" é a moradia que o pai costuma construir para o filho quando ele se casa; a "casa de viuvez para a filha" é para quando ela enviuva e retorna à casa paterna — pois enquanto o marido vivia, ela morava com ele, já que não é costume o genro morar com o sogro. "Isso é curral de gado" — e por isso precisa ser feito maior. Explica que "casa pequena" é a menor das casas, seis por oito cúbitos, e que quem vende um lugar sem especificar deve prover pelo menos essa medida. A regra da altura — metade do comprimento mais metade da largura — aplica-se a todas as medidas anteriores: sete cúbitos para a casa pequena, nove para a grande, dez para o salão de banquetes. Traz duas leituras da frase final: uma, que Rabán Shimon ben Gamliel apenas confirma a regra da altura citando o Templo como prova; outra, que ele discorda do primeiro tanna e expressa espanto — acaso todas as construções devem seguir o modelo do Templo? Não: a medida depende do costume de cada região.
Rashbam explica por que a mishná menciona "casa nupcial para o filho" e não "casa de viuvez para o filho": é costume do pai construir para o filho um pequeno anexo junto à sua própria casa quando ele se casa, pois não é costume o genro morar junto ao sogro, por causa da suspeita relacionada à sogra, como a Guemará explica — por isso a mishná fala em "casa nupcial para o filho", já que não é comum fazer "casa de viuvez" para o filho, pois até então ele já morava junto ao pai, não ao sogro. Já "casa de viuvez para a filha" refere-se ao caso em que o marido dela morreu e ela retorna à casa paterna como em sua juventude — pois enquanto casada, ela não morava com o pai por causa do marido, já que o genro não mora com o sogro; por isso a mishná fala em "casa de viuvez para a filha" e não "casa nupcial para a filha", como a Guemará esclarece. E quanto a "isso é curral de gado" — por isso é necessário fazer a casa maior, embora a mishná não se preocupe em especificar sua medida exata nesse ponto.