Seder Nezikin · Massechet Bava Batra · Perek Vav · Mishná 4 de 8

A casa nupcial, a casa da viuvez e as medidas dos cômodos

רוּמוֹ כַּחֲצִי אָרְכּוֹ וְכַחֲצִי רָחְבּוֹ. רְאָיָה לַדָּבָר, הֵיכָל
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A quarta mishná regula a venda ou empreitada de um terreno para construir moradia — casa nupcial para o filho ou casa de viuvez para a filha — fixando as dimensões padrão de cada tipo de construção e a regra de que a altura equivale à metade do comprimento somada à metade da largura, comparada ao próprio Templo de Jerusalém.

Aquele que vende um lugar a seu próximo para lhe construir uma casa, e igualmente aquele que recebe de seu próximo encargo de lhe construir uma casa nupcial para seu filho e uma casa de viuvez para sua filha — constrói quatro cúbitos por seis; palavras de Rabi Akiva.Quando não se especifica o tamanho, tanto o vendedor de terreno quanto o empreiteiro contratado para erguer a casa nupcial do filho ou a casa de viuvez da filha devem prover um espaço mínimo de quatro por seis cúbitos, segundo Rabi Akiva.

Rabi Yishmael diz: isso é um curral de gado! Quem quer fazer um curral de gado constrói quatro cúbitos por seis.Rabi Yishmael discorda: essa medida mínima é a de um curral, insuficiente para moradia humana digna — uma casa nupcial ou de viuvez precisa ser maior.

Casa pequena, seis por oito. Grande, oito por dez. Salão de banquetes, dez por dez.A mishná fixa a escala padrão dos cômodos: seis por oito cúbitos para uma casa pequena, oito por dez para uma grande, e dez por dez para um salão de recepções e banquetes.

Sua altura é como a metade de seu comprimento e a metade de sua largura. Prova disso: o Templo.A altura de cada construção equivale à soma da metade do comprimento com a metade da largura — regra comprovada pelas próprias proporções do Templo de Jerusalém, cuja altura seguia essa mesma fórmula.

Rabán Shimon ben Gamliel diz: tudo segue a construção do Templo.Rabán Shimon ben Gamliel entende a comparação de modo ainda mais amplo: todas essas proporções derivam e seguem o modelo do próprio edifício do Templo.

הַמּוֹכֵר מָקוֹם לַחֲבֵרוֹ לִבְנוֹת לוֹ בַיִת, וְכֵן הַמְקַבֵּל מֵחֲבֵרוֹ לִבְנוֹת לוֹ בֵית חַתְנוּת לִבְנוֹ וּבֵית אַלְמְנוּת לְבִתּוֹ, בּוֹנֶה אַרְבַּע אַמּוֹת עַל שֵׁשׁ, דִּבְרֵי רַבִּי עֲקִיבָא. רַבִּי יִשְׁמָעֵאל אוֹמֵר, רֶפֶת בָּקָר הוּא זֶה. הָרוֹצֶה לַעֲשׂוֹת רֶפֶת בָּקָר, בּוֹנֶה אַרְבַּע אַמּוֹת עַל שֵׁשׁ. בַּיִת קָטָן, שֵׁשׁ עַל שְׁמֹנֶה. גָדוֹל, שְׁמֹנֶה עַל עֶשֶׂר. טְרַקְלִין, עֶשֶׂר עַל עֶשֶׂר. רוּמוֹ כַּחֲצִי אָרְכּוֹ וְכַחֲצִי רָחְבּוֹ. רְאָיָה לַדָּבָר, הֵיכָל. רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר, הַכֹּל כְּבִנְיַן הֵיכָל:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Bava Batra 6:4
רפת בקר גדרות הבקר. והיכל שלמה ארכו ארבעים ורחבו עשרים ורומו שלשים וזהו חצי האורך והרחב, ואמרו בגמרא שרבן שמעון בן גמליאל אפשר שהוא מסייע סברת ת"ק שרוב הבתים צריך שיהיה חצי ארכן וחצי רחבן, ואפשר שהוא חולק עליו וכאילו הוא תמה תמיהת הרחקה ואומר וכי ראויים כל הבנינים שיהיו כבנין ההיכל, אינו כן, רק הדבר חוזר כמנהג שנוהגין שם, אבל ההיכל מדותיו מאת השם יתברך:

Rambam explica que "curral de gado" refere-se aos cercados do gado. Quanto ao Templo de Salomão: seu comprimento era de quarenta cúbitos, sua largura de vinte e sua altura de trinta — que é exatamente a soma da metade do comprimento com a metade da largura. A Guemará observa que a opinião de Rabán Shimon ben Gamliel pode ser lida de dois modos: ou como apoio à posição do primeiro tanna, de que a maioria das casas deve seguir essa proporção de metade do comprimento e metade da largura; ou como discordância dele, como se expressasse espanto — "acaso todas as construções devem ser como o edifício do Templo?" — não é assim; a medida das construções comuns segue antes o costume local de cada lugar, ao passo que as medidas do Templo vieram do próprio Criador, bendito seja.

Bartenura · Bava Batra 6:4
בֵּית חַתְנוּת לִבְנוֹ. שֶׁדֶּרֶךְ אָדָם לַעֲשׂוֹת לִבְנוֹ בַּיִת כְּשֶׁנּוֹשֵׂא אִשָּׁה: בֵּית אַלְמְנוּת לְבִתּוֹ. כְּשֶׁמֵּת בַּעְלָהּ וְשָׁבָה אֶל בֵּית אָבִיהָ, אֲבָל בְּחַיֵּי בַּעְלָהּ הִיא אֵצֶל בַּעְלָהּ, שֶׁאֵין דֶּרֶךְ חָתָן לָדוּר עִם חָמִיו: רֶפֶת בָּקָר הוּא זֶה. וְצָרִיךְ לַעֲשׂוֹתוֹ גָּדוֹל יוֹתֵר: בַּיִת קָטָן. הַפָּחוּת שֶׁבַּבָּתִּים הוּא שֵׁשׁ עַל שְׁמֹנֶה, וְהַמּוֹכֵר מָקוֹם לַחֲבֵרוֹ סְתָם לַעֲשׂוֹת לוֹ בַּיִת צָרִיךְ שֶׁיִּהְיֶה שֵׁשׁ עַל שְׁמֹנֶה: גָּדוֹל. וְאִם פֵּרֵשׁ לַעֲשׂוֹת לוֹ בַּיִת גָּדוֹל: טְרַקְלִין. עָשׂוּי לְמוֹשַׁב שָׂרִים: רוּמוֹ כַּחֲצִי אָרְכּוֹ וְכַחֲצִי רָחְבּוֹ. אַכֻּלְּהוּ קָאֵי, דְּהַיְנוּ בְּבַיִת קָטָן רוּמוֹ שִׁבְעָה, וּבְבַיִת גָּדוֹל תִּשְׁעָה, וּטְרַקְלִין עֶשֶׂר: רְאָיָה לַדָּבָר הֵיכָל. שֶׁהָיָה אָרְכּוֹ אַרְבָּעִים וְרָחְבּוֹ עֶשְׂרִים וְרוּמוֹ שְׁלֹשִׁים, שֶׁהֵם חֲצִי אָרְכּוֹ וְרָחְבּוֹ: הַכֹּל כְּבִנְיַן הֵיכָל. אִיכָּא דְּאָמְרֵי הָא דִּתְנַן לְעֵיל רוּמוֹ כַּחֲצִי אָרְכּוֹ וְכַחֲצִי רָחְבּוֹ רְאָיָה לַדָּבָר הֵיכָל, רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל קָתָנֵי לַהּ, שֶׁרַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר הַכֹּל כְּבִנְיַן הֵיכָל. וְאִיכָּא דְּאָמְרֵי רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל פָּלֵיג אַתַּנָּא קַמָּא וְאַתְּמוֹהִי קָא מִתַּמֵּהּ: וְכִי הַכֹּל בּוֹנִים כְּבִנְיַן הֵיכָל? אֵין הַדָּבָר תָּלוּי אֶלָּא בְּמִנְהַג הַמְּדִינָה:

Bartenura explica que a "casa nupcial para o filho" é a moradia que o pai costuma construir para o filho quando ele se casa; a "casa de viuvez para a filha" é para quando ela enviuva e retorna à casa paterna — pois enquanto o marido vivia, ela morava com ele, já que não é costume o genro morar com o sogro. "Isso é curral de gado" — e por isso precisa ser feito maior. Explica que "casa pequena" é a menor das casas, seis por oito cúbitos, e que quem vende um lugar sem especificar deve prover pelo menos essa medida. A regra da altura — metade do comprimento mais metade da largura — aplica-se a todas as medidas anteriores: sete cúbitos para a casa pequena, nove para a grande, dez para o salão de banquetes. Traz duas leituras da frase final: uma, que Rabán Shimon ben Gamliel apenas confirma a regra da altura citando o Templo como prova; outra, que ele discorda do primeiro tanna e expressa espanto — acaso todas as construções devem seguir o modelo do Templo? Não: a medida depende do costume de cada região.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashbam · רשב״ם
Bava Batra 98b, sobre a mishná (no lugar de Rashi)
מתני' לעשות לו בית חתנות לבנו - כדמפרש לקמיה, בית חתנות לבנו שלקח אשה, ודרך האב לעשות לבנו יציע קטן סמוך לביתו, שאין דרך החתן לדור אצל חמיו משום חשד חמותו, כדמפרש בגמרא, והלכך נקט בית חתנות לבנו, אבל אין רגיל לעשות בית ארמלות לבנו, שהרי עד עתה לא היה דר אצל חמיו אלא אצל אביו משום חמותו: בית ארמלות לבתו - שמת בעלה וחוזרת אל בית אביה כבנעוריה, שעד עכשיו כשהיתה נשואה לא היתה דרה אצל האב משום בעלה חתנו, שהחתן אינו דר אצל חמיו, והלכך נקט בית ארמלות לבתו ולא בית חתנות לבתו, והכי מפרשינן בגמרא: רפת בקר היא זו - וצריך לעשות בית גדול יותר, ומיהו לא חשש לפרש שיעורו:

Rashbam explica por que a mishná menciona "casa nupcial para o filho" e não "casa de viuvez para o filho": é costume do pai construir para o filho um pequeno anexo junto à sua própria casa quando ele se casa, pois não é costume o genro morar junto ao sogro, por causa da suspeita relacionada à sogra, como a Guemará explica — por isso a mishná fala em "casa nupcial para o filho", já que não é comum fazer "casa de viuvez" para o filho, pois até então ele já morava junto ao pai, não ao sogro. Já "casa de viuvez para a filha" refere-se ao caso em que o marido dela morreu e ela retorna à casa paterna como em sua juventude — pois enquanto casada, ela não morava com o pai por causa do marido, já que o genro não mora com o sogro; por isso a mishná fala em "casa de viuvez para a filha" e não "casa nupcial para a filha", como a Guemará esclarece. E quanto a "isso é curral de gado" — por isso é necessário fazer a casa maior, embora a mishná não se preocupe em especificar sua medida exata nesse ponto.