Mas não vendeu as pedras que não servem a ele, nem as canas da vinha que não servem a ela, nem a produção que já está destacada do solo. — Ao contrário dos itens da mishná anterior, pedras e canas sem utilidade funcional para o campo, e produtos agrícolas já colhidos (portanto não mais ligados à terra), não fazem parte da venda — precisamente porque perderam a ligação funcional ou física com o imóvel.
Quando o vendedor lhe diz: "ele e tudo o que há nele", eis que todos estes são vendidos. — Com a fórmula ampliadora, esses itens específicos — pedras soltas, canas sem uso, produção já colhida — passam a ser incluídos na venda.
Em ambos os casos, não vendeu o canavial que ocupa a área de um beit rova ou mais, nem a cabana de vigia feita de barro, nem a alfarrobeira enxertada, nem o tronco do sicômoro, nem o poço, nem o lagar, nem o pombal, estejam eles abandonados ou em uso. — Esses itens permanecem fora da venda mesmo com a fórmula ampliadora, porque têm identidade e magnitude próprias que não se anulam diante do campo: um canavial do tamanho de um beit rova é grande o bastante para ser considerado um campo à parte; a cabana revestida de barro é uma construção permanente; a alfarrobeira já enxertada e o tronco do sicômoro já cortado são árvores maduras com valor e nome próprios; e poço, lagar e pombal são estruturas com finalidade específica, sejam usados ou não.
E o vendedor precisa comprar para si um caminho — palavras de Rabi Akiva. E os Sábios dizem: não precisa. — A mesma disputa vista na mishná 4:2 sobre poço e cisterna se repete aqui: tendo retido essas estruturas para si dentro do campo vendido, o vendedor precisa comprar caminho de acesso segundo Rabi Akiva (que vende com boa vontade), mas não segundo os Sábios (que vendem com má vontade, reservando implicitamente o caminho).
E Rabi Akiva concorda que, quando o vendedor lhe diz "exceto estes", ele não precisa comprar para si um caminho. — Como na mishná 4:2, a menção explícita e desnecessária da exceção revela a intenção do vendedor de também reservar o caminho de acesso.
Vendeu-os a outro: Rabi Akiva diz que não precisa comprar para si um caminho; e os Sábios dizem que precisa comprar para si um caminho. — E, como antes, no caso inverso — venda desses itens a um terceiro, retendo o campo — as posições se invertem: Rabi Akiva entende que o caminho já foi incluído na venda ao terceiro; os Sábios exigem que ele o compre à parte.
Sobre o que se disse isso? Sobre quem vende. Mas quem dá de presente, dá tudo. — Toda a distinção entre o que se inclui e o que não se inclui automaticamente aplica-se apenas à venda. Quem faz uma doação do campo, porém, dá tudo o que nele há — inclusive os itens normalmente excluídos de uma venda — porque a generosidade de quem doa é presumida maior que a de quem vende, e seria constrangedor para quem recebe um presente exigir que o doador especifique exatamente o que está incluído.
Os irmãos que dividiram [a herança]: quem obteve o campo, obteve tudo. Quem toma posse dos bens do convertido [sem herdeiros]: quem tomou posse do campo, tomou posse de tudo. Quem consagra o campo consagrou tudo. — O mesmo princípio generoso da doação se aplica a três outras situações: irmãos dividindo a herança paterna, alguém que toma posse dos bens abandonados de um convertido falecido sem herdeiros, e quem consagra um campo ao Templo — em todos esses casos, a pessoa que adquire o campo adquire também tudo que normalmente ficaria de fora numa venda comum.
Rabi Shimon diz: quem consagra o campo não consagrou senão a alfarrobeira enxertada e o tronco do sicômoro. — Rabi Shimon discorda quanto à consagração especificamente: para ele, mesmo consagrando o campo inteiro, apenas a alfarrobeira já enxertada e o tronco do sicômoro já cortado — árvores maduras com produção própria — são consagrados junto; os demais itens excluídos de uma venda comum (poço, lagar, pombal, pedras soltas) permanecem fora até mesmo da consagração.
Rambam explica a lógica por trás do tratamento mais generoso da doação, da herança, da posse do convertido e da consagração; Bartenura detalha cada uma dessas quatro categorias e a posição isolada de Rabi Shimon.
Rambam explica que a razão pela qual quem dá de presente dá tudo é que, entre nós, o princípio estabelecido é que "quem doa, doa com boa vontade" — e além disso, seria constrangedor para o beneficiário de uma doação exigir do doador que especifique exatamente o que está sendo dado, ao contrário do comprador, que pode e deve negociar os termos. Esclarece também que os bens de um convertido falecido sem herdeiros são considerados sem dono, e pertencem a quem primeiro tomar posse deles. E explica a posição de Rabi Shimon: quem consagra o campo não consagra o solo em si, apenas a alfarrobeira já enxertada — que já produz frutos — e o tronco do sicômoro; mas pedras sem utilidade e itens semelhantes não são consagrados.
Bartenura explica que mesmo os Sábios, que consideram que "quem vende, vende com má vontade", concordam que "quem doa, doa com boa vontade" — porque, ao contrário do comprador (que tem interesse em negociar e especificar cada detalhe), o beneficiário de uma doação se sentiria constrangido em exigir esclarecimentos do doador. Confirma que a mesma lógica generosa vale para a consagração, mas explica a exceção de Rabi Shimon: a alfarrobeira enxertada e o sicômoro cortado se consagram porque ambos já se nutrem do próprio campo consagrado — havendo uma ligação orgânica direta entre a árvore madura e a terra santificada — o que não ocorre com um poço ou um pombal.
Rashbam sobre o daf 69b explica a base bíblica trazida pela Guemará para a exclusão da alfarrobeira enxertada e do sicômoro maduro da venda do campo — a compra do campo de Efron por Avraham Avinu.
Rashbam explica que a Guemará busca a origem bíblica da regra segundo a qual a alfarrobeira enxertada e o tronco do sicômoro maduro NÃO se incluem na venda simples do campo — e a encontra, por inferência inversa, na narrativa da compra do campo de Efron por Avraham Avinu (Bereshit 23): o texto relata que Avraham comprou "o campo" sem especificação, mas ainda assim adquiriu "todas as árvores que havia em todo o seu limite ao redor" — ensinando que uma venda genérica do campo inclui as árvores comuns nele plantadas, mas que precisam de "delimitação" ao redor para que ninguém dispute sua propriedade. Já a alfarrobeira madura e o sicômoro cortado, por serem grandes e reconhecidamente pertencentes a quem os plantou, não precisam dessa delimitação — e por isso, justamente por sua importância e identidade próprias tão evidentes, ficam de fora da venda genérica do campo, ao contrário das árvores comuns.
Com esta nona mishná, encerra-se o Perek Dalet de Massechet Bava Batra — o perek dedicado à venda de imóveis e ao que se inclui ou não implicitamente numa transação. O perek percorreu a casa e suas estruturas anexas — galeria, cômodo interno, telhado com parapeito (4:1); poço e cisterna, com a disputa entre Rabi Akiva e os Sábios sobre o direito de passagem (4:2); os utensílios fixos da casa — porta, pilão, mó do moinho (4:3); o pátio e suas construções internas (4:4); o lagar de azeite e suas peças técnicas (4:5); o banho público (4:6); a cidade inteira, a maior unidade de venda do perek (4:7); e fechou com o campo — o que se inclui (4:8) e o que fica de fora (4:9), retomando a disputa de Rabi Akiva e os Sábios e comparando a venda com a doação, a herança, a posse do convertido e a consagração.
O estudo de Massechet Bava Batra prossegue agora no Perek Hê, que tratará da venda de escravos, animais e outros bens móveis — completando o exame dos casos de compra e venda iniciado neste perek.