Um filhote encontrado dentro de cinquenta cúbitos pertence ao dono do pombal. — Presume-se que um filhote de pombo, encontrado a uma distância de até cinquenta cúbitos de um pombal, veio justamente daquele pombal — a mesma medida que define o raio de alcance normal das pombas ao redor de sua morada — e por isso pertence ao seu dono, sem que quem o encontrou tenha qualquer direito sobre ele.
Fora das cinquenta cúbitos, pertence a quem o encontrou. — Além dessa distância, já não há presunção razoável de que o filhote pertença a um pombal específico e próximo; ele é tratado como um achado comum sem dono identificável, e pertence a quem o encontrar primeiro.
Se foi encontrado entre dois pombais: perto deste, é deste; perto daquele, é daquele; a meio caminho entre os dois, ambos dividirão. — Quando o filhote é encontrado numa área situada dentro do raio de cinquenta cúbitos de dois pombais diferentes ao mesmo tempo, a lei aplica o mesmo princípio de proximidade proporcional: se está mais perto de um dos pombais, presume-se que veio dali, e pertence a seu dono; se está exatamente à mesma distância dos dois — no ponto médio entre ambos —, não há como decidir a favor de nenhum dos dois donos, e eles dividem a posse do filhote entre si.
Rambam identifica brevemente o termo nipul; Bartenura confirma que a regra de cinquenta cúbitos, e a divisão em caso de empate, aplicam-se igualmente entre dois pombais.
Rambam explica, de forma sucinta, que um nipul é o filhote de pomba quando este cai do ninho — ainda incapaz de voar de volta sozinho —, e que o restante da mishná, com suas regras de proximidade e divisão, é compreensível por si mesmo.
Bartenura confirma que nipul significa "filhote" (gozal), que a medida de cinquenta cúbitos é contada a partir do pombal em questão, e que o caso de "entre dois pombais" pressupõe que o filhote foi encontrado num ponto situado dentro do raio de cinquenta cúbitos de ambos os pombais simultaneamente — daí a necessidade de decidir por proximidade relativa, ou dividir em caso de distância igual.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 23b, que discute o caso de um filhote ainda incapaz de voar longas distâncias.
Rashi confirma a identificação do termo nipul como filhote de pomba, e esclarece que a situação de "entre dois pombais" pressupõe explicitamente que o local do achado está dentro do alcance de cinquenta cúbitos de ambos os pombais ao mesmo tempo — não apenas equidistante entre eles em algum sentido genérico.
A Guemará esclarece, e Rashi confirma, que toda a mishná trata especificamente de um filhote que ainda "caminha aos saltos" (medadê) — incapaz de voar de verdade, avançando apenas aos poucos, pulinho a pulinho. É justamente por essa limitação física que a presunção de origem se restringe à distância de cinquenta cúbitos: um filhote nessa condição não poderia ter percorrido, por conta própria, uma distância maior a partir do pombal de origem.
A Guemará considera, e depois rejeita, uma leitura alternativa: por que não seguir simplesmente a maioria estatística e atribuir o filhote a quem o encontrou, presumindo que a maioria dos filhotes soltos não pertence a nenhum pombal próximo? Rashi esclarece que essa leitura pressuporia um filhote encontrado fora do raio de cinquenta cúbitos de ambos os pombais — caso em que ele já não se enquadraria mais na categoria de um filhote que apenas "caminha aos saltos" perto de sua origem, mas seria tratado como um achado comum.