Afastam a escada do pombal quatro cúbitos, para que a doninha não salte. — Se alguém encosta uma escada perto demais do muro onde fica o pombal do vizinho, um pequeno predador — a doninha — pode usar essa escada como trampolim para saltar até o pombal e matar as pombas. Por isso a escada precisa ficar a uma distância mínima de quatro cúbitos do pombal.
E o muro da calha, quatro cúbitos, para que se possa erguer a escada. — Inversamente, quem constrói um muro ao longo de uma calha de escoamento de água da chuva do telhado do vizinho também precisa mantê-lo a quatro cúbitos de distância — desta vez para garantir que o dono da calha ainda tenha espaço para encostar sua própria escada e subir para limpá-la e desentupi-la periodicamente.
Afastam o pombal da cidade cinquenta cúbitos. — Um pombal não pode ser instalado a menos de cinquenta cúbitos dos limites da cidade, porque as pombas que nele vivem saem para se alimentar de sementes plantadas nos telhados e jardins próximos, causando prejuízo aos moradores da cidade.
E não fará um homem um pombal dentro do seu próprio terreno, a menos que tenha cinquenta cúbitos livres para cada lado. — A mesma preocupação se aplica mesmo dentro da propriedade privada de alguém: um pombal só pode ser instalado se houver cinquenta cúbitos de terreno livre ao redor dele em todas as direções, para que as pombas se alimentem dentro desse próprio raio e não invadam as plantações do vizinho.
Rabi Yehudá diz: um espaço de quatro korin, equivalente ao alcance do voo de uma pomba de uma só vez. — Rabi Yehudá discorda da medida linear de cinquenta cúbitos em cada direção e propõe, em vez disso, uma medida de área: um terreno de quatro korin — a distância que uma pomba percorre voando de uma só vez antes de precisar pousar —, calculando o espaço necessário não como um raio fixo, mas como a área total que as pombas conseguem varrer em cada saída.
Mas se alguém já o comprou, mesmo que seja apenas um espaço de um quarto de kav, ele permanece na sua posse. — A mishná fecha com uma exceção baseada em direito adquirido: se alguém comprou um pombal já existente, situado num terreno pequeno demais — mesmo que tenha ao redor apenas a área de um quarto de kav, muito menor que as cinquenta cúbitos exigidas para se construir um pombal novo —, o comprador não é obrigado a demoli-lo ou reduzi-lo; a posse legítima do vendedor anterior protege o pombal em seu tamanho e localização originais.
Rambam converte as medidas de Rabi Yehudá para cúbitos e confirma que a halachá não o segue; Bartenura explica o mecanismo da doninha, a medida da calha e a razão da exceção para quem comprou o pombal.
Rambam identifica o shovach como uma torre de pombas, e explica que "o alcance do voo da pomba" se refere ao bando inteiro de pombas voando junto — comparando a palavra hebraica sheger à expressão bíblica "o sheger de teus rebanhos", que designa manadas. Sobre a exceção final, calcula que a área de um quarto de kav equivale a aproximadamente dez cúbitos e um quinto por lado — muito menor que as cinquenta cúbitos normalmente exigidas — e confirma que a halachá não segue Rabi Yehudá, que exige um terreno equivalente a um beit kor (trinta se'in) para cada direção.
Bartenura descreve a situação concreta: um dono de pombal no próprio pátio, junto ao muro que o separa do pátio vizinho, e o vizinho que deseja encostar uma escada nesse mesmo muro — a escada precisa ficar quatro cúbitos afastada do pombal, para que a doninha, um pequeno animal predador, não consiga usá-la como trampolim para saltar até o pombal e matar as pombas. E explica a exceção final: quem compra um pombal exatamente como ele já se encontra sobre o terreno — mesmo que o espaço ao redor seja de apenas um quarto de kav — mantém a posse nesse tamanho, porque o vendedor original já havia se estabelecido ali dessa forma.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 22b-23a, que discute a lógica da escada, do pombal e da posse adquirida.
Rashi identifica a mazchilá como uma grande calha — comparável, em francês antigo, a uma canela — colocada ao longo do topo do muro, para onde escoa a água do telhado antes de despejá-la no chão; e explica que a exigência de quatro cúbitos garante espaço para o dono da calha erguer sua escada e realizar a manutenção necessária.
Rashi confirma a leitura da mishná com a mesma descrição de Bartenura, deixando claro que a distância protege o pombal de um vizinho contra o risco indireto criado por uma escada erguida na propriedade ao lado — mesmo que o dono da escada não tenha intenção alguma de causar dano.
Rashi confirma que a razão para afastar o pombal da cidade é o dano que as pombas causam às sementes plantadas nos jardins e telhados vizinhos; explica "o alcance do voo da pomba" (posição de Rabi Yehudá) como a distância que uma pomba percorre voando de uma só vez sem pousar; e reafirma que a posse legítima do vendedor anterior protege o comprador de ter de reduzir ou demolir um pombal situado num terreno pequeno.