Quem cerca o vizinho por três lados, e cercou o primeiro, o segundo e o terceiro, não o obrigam. — O caso pressupõe alguém que já possui campos que envolvem o campo do vizinho de três lados, e que decide, por sua própria iniciativa, cercar esses três lados — sem que o dono do campo interno tenha manifestado qualquer desejo ou consentimento nesse sentido. Como o quarto lado do campo continua completamente aberto, o campo interno permanece, na prática, tão exposto e desprotegido quanto estava antes: qualquer pessoa ou animal ainda pode entrar livremente por ali, de modo que as três cercas já erguidas ainda não lhe trouxeram nenhum benefício concreto de proteção — e por isso o tribunal não pode obrigá-lo a pagar sua parte no custo.
Rabi Yossei diz: se ele se levantou e cercou também o quarto, fazem-lhe pagar por tudo. — Rabi Yossei introduz a exceção que se torna decisiva: se, além dos três lados já cercados por iniciativa do vizinho externo, o próprio dono do campo interno se levanta e cerca também o quarto lado por conta própria, completando o cercamento total de seu campo, essa ação demonstra retroativamente que ele desejava e se beneficiou da proteção completa proporcionada pelas quatro cercas — e, por isso, ele é agora obrigado a reembolsar sua parte proporcional no custo de todas as quatro, incluindo as três que originalmente não pedira.
Rambam explica o princípio que orienta a opinião de Rabi Yossei — a demonstração de vontade retroativa —, e observa que ela é aceita como halachá; Bartenura detalha o cálculo do pagamento devido.
Rambam esclarece o alcance da opinião de Rabi Yossei: a obrigação de pagar por todas as quatro cercas se aplica tanto se for o próprio dono externo — aquele que já havia cercado os três primeiros lados — quem completa o quarto, quanto se for o dono do campo interno, o "cercado", quem toma a iniciativa de fechar o último lado. Em ambos os casos, o fato de o cercamento total ter sido concluído demonstra que o benefício se tornou real e completo, e a halachá segue a opinião de Rabi Yossei.
Bartenura explica a razão pela qual a lei básica não obriga o vizinho: como o campo dele ainda permanece aberto por um lado, as três cercas construídas ainda não lhe trouxeram nenhum benefício efetivo. Mas se, mais tarde, o quarto lado também for cercado — completando o fechamento total — fica claro que agora ele foi realmente beneficiado, e por isso deve pagar. O valor devido é metade de todos os gastos das quatro cercas, proporcional ao que foi de fato erguido — e essa é precisamente a diferença entre o Tanná Kamá (o sábio anônimo da primeira opinião) e Rabi Yossei; a halachá segue Rabi Yossei.
O perush de Rashi sobre a Guemará em Bava Batra 4b, onde esta terceira mishná é ensinada logo após o encerramento da longa sugyá sobre a marca de identificação (chazit) da mishná anterior.
Rashi descreve com precisão o cenário: um dono adquiriu três campos, um em cada um dos três lados limítrofes de um quarto campo, que pertence a outra pessoa, e cercou esses três campos que comprou. Como resultado, o campo do meio — pertencente ao vizinho — acaba cercado por três de seus quatro lados, mesmo sem que seu dono tenha participado ou solicitado essa construção.
Rashi conecta esta regra ao princípio geral estabelecido na mishná anterior: como, por padrão, um campo aberto (bik'á) é considerado um lugar onde o costume é não cercar, o dono do campo interno não pode ser obrigado a contribuir com nada para as cercas que o vizinho ergueu por conta própria — a menos que ele mesmo, como ensina Rabi Yossei, complete o cercamento com o quarto lado.
Rashi explica o mecanismo por trás da opinião de Rabi Yossei: ao cercar por conta própria o lado que ainda estava aberto, o dono do campo interno revela — através dessa própria ação — que na verdade lhe agradava e desejava se beneficiar também das três cercas que o companheiro já havia erguido nos outros lados. Essa manifestação retroativa de vontade é o que gera a obrigação de pagar sua parte proporcional em todas as quatro.