Rambam explica que, diante de alguém de grande estatura, deve-se ser leve e pronto a servir, sem se fazer de importante diante dele; mas diante de alguém mais jovem, ao contrário, deve-se manter certa dignidade, sem, porém, tratá-lo com brusquidão. E acrescenta que se deve receber toda pessoa — pequena ou grande, livre ou servo — com alegria, o que vai além do que ensinou Shamai sobre “receber com face agradável”.
Bartenura explica que, diante de um sábio idoso à frente da academia, deve-se ser pronto e leve para servi-lo; já diante de um jovem, cujos cabelos ainda são escuros, basta manter-se de modo calmo e sereno, sem a mesma pressa. Traz também uma segunda leitura: “sê leve” na juventude para fazer a vontade do Criador, e “sê agradável” na velhice, quando o rosto escurece com os anos.
Rashi traz duas leituras: uma, ligada ao versículo “a juventude e o cabelo escuro são vaidade”, entende “tishchoret” como referência à velhice — na juventude, sê pronto a cumprir a vontade do Criador, e na velhice, permanece agradável a Ele. Outra leitura entende “rosh” como os líderes e juízes da cidade, diante dos quais não se deve exibir orgulho, mas servi-los e recebê-los com deferência.
Ver acima, em Halachot: Rambam observa que o padrão exigido por Rabi Yishmael — receber a todos com alegria — é ainda mais elevado do que o ensinamento de Shamai (Avot 1:15), que pedia apenas receber a todos “com face agradável”.
Ver acima, em Halachot: a leitura alternativa de Bartenura, próxima à de Rashi, aplica “rosh” e “tishchoret” não a pessoas diferentes, mas a duas fases da vida do próprio homem — a juventude e a velhice.