Seder Nezikin · Massechet Avodá Zará · Perek Dalet · Mishná 5 de 12

Como o gentio anula seu ídolo

כֵּיצַד מְבַטְּלָהּ
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Detalha os atos concretos pelos quais um gentio anula seu próprio ídolo — mutilações permanentes que alteram sua forma —, contrastando-os com atos de desprezo temporário, que não bastam para a anulação, e discute o caso de venda ou penhor.

Como se anula ele? Se cortou a ponta de sua orelha, a ponta de seu nariz, a ponta de seu dedo, ou o esmagou — ainda que não o tenha diminuído — anulou-o. Se cuspiu em seu rosto, urinou em seu rosto, arrastou-o, ou lançou sobre ele excremento — eis que este não está anulado. Se o vendeu ou o penhorou, Rabi diz: anulou. E os sábios dizem: não anulou.

כֵּיצַד מְבַטְּלָהּ, קָטַע רֹאשׁ אָזְנָהּ, רֹאשׁ חָטְמָהּ, רֹאשׁ אֶצְבָּעָהּ, פְּחָסָהּ אַף עַל פִּי שֶׁלֹּא חִסְּרָהּ, בִּטְּלָהּ. רָקַק בְּפָנֶיהָ, הִשְׁתִּין בְּפָנֶיהָ, גְּרָרָהּ, וְזָרַק בָּהּ אֶת הַצּוֹאָה, הֲרֵי זוֹ אֵינָהּ בְּטֵלָה. מְכָרָהּ אוֹ מִשְׁכְּנָהּ, רַבִּי אוֹמֵר, בִּטֵּל. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, לֹא בִטֵּל:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Avodá Zará 4:5
כֵּיצַד מְבַטְּלָהּ וְכוּ׳: פְּחָסָהּ הֶחֱלִיקָהּ, וְאָמְרוּ כְּשֶׁפְּחָסָהּ בְּפָנֶיהָ פֵּרוּשׁ כְּשֶׁהֶחֱלִיק פָּנֶיהָ עַד שֶׁהֵסִיר צוּרַת הַפָּנִים, בְּאוֹתָהּ שָׁעָה תִּבָּטֵל; אֲבָל כְּשֶׁהֶחֱלִיק שְׁאָר גּוּפָהּ בְּשֶׁלֹּא חִסֵּר מִמֶּנָּה כְּלוּם, אֵינָהּ מְבֻטֶּלֶת. וּמַחְלֹקֶת רַבִּי וַחֲכָמִים הוּא כְּשֶׁמְּכָרָהּ לְעוֹבֵד כּוֹכָבִים, אֲבָל כְּשֶׁמְּכָרָהּ לְצוֹרֵף יִשְׂרָאֵל דִּבְרֵי הַכֹּל בִּטְּלָה. וְהֲלָכָה כַּחֲכָמִים.

Rambam explica que pechasah significa alisar; e esclarece que "esmagou-o em seu rosto" quer dizer que alisou o rosto até apagar os próprios traços fisionômicos — nesse momento o ídolo se anula. Mas se apenas alisou o restante do corpo sem retirar nada dele, não está anulado. Precisa ainda que a divergência entre Rabi [Yehudá HaNassi] e os sábios diz respeito apenas ao caso em que o vendeu a outro gentio; se o vendeu, porém, a um ourives israelita, todos concordam que está anulado. E a halachá segue os sábios.

Bartenura · Avodá Zará 4:5
פְּחָסָהּ. בְּפָנֶיהָ. מִעֲכָה בְּקוּרְנָס עַד שֶׁהֵסִיר צוּרַת פָּנֶיהָ: גְּרָרָהּ. סָחוֹב וְהַשְׁלֵךְ בְּתוֹךְ הַטִּיט: אֵינָהּ בְּטֵלָה. דִּלְפוּם שָׁעָה רָתַח עֲלַהּ, וַהֲדַר פָּלַח לַהּ: רַבִּי אוֹמֵר בִּטְּלָהּ. פְּלֻגְתָּא דְרַבִּי וְרַבָּנָן כְּשֶׁמְּכָרָהּ לְנָכְרִי, אֲבָל מְכָרָהּ לְיִשְׂרָאֵל צוֹרֵף דִּבְרֵי הַכֹּל בְּטֵלָה. וַהֲלָכָה כַּחֲכָמִים.

Bartenura explica que "esmagou-o em seu rosto" significa que o comprimiu com um martelo até apagar a forma do seu rosto. "Arrastou-o" significa que o arrastou e o lançou na lama. "Não está anulado" [nos casos de cuspir, urinar, arrastar ou atirar excremento] porque, naquele momento, agiu contra ele por raiva passageira, mas voltará a cultuá-lo depois. Sobre "Rabi diz: anulou", esclarece que a divergência entre Rabi e os sábios refere-se apenas ao caso em que o vendeu a outro gentio; mas se o vendeu a um ourives israelita, todos concordam que está anulado. E a halachá segue os sábios.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Avodá Zará 53a (Guemará sobre esta mishná)
מַתְנִי׳ פְּחָסָהּ — מִיעֲכָה בְּקוּרְנָס: גְּרָרָהּ — בְּטִיט, סְחוֹב וְהַשְׁלֵךְ: אֵינָהּ בְּטֵלָה — דִּלְפוּם שָׁעָה רָתַח עֲלַהּ, וְהָדַר פָּלַח לַהּ, כׇּל הָנֵי בִּטּוּלֵי בְּעוֹבֵד כּוֹכָבִים קָמַיְירֵי: גְּמָ׳ שֶׁפְּחָסָהּ בְּפָנֶיהָ — וְקִלְקֵל צוּרְתָהּ: בְּצוֹרֵף עוֹבֵד כּוֹכָבִים — שֶׁמְּכָרָהּ עוֹבֵד כּוֹכָבִים לְצוֹרֵף חֲבֵרוֹ, הָתָם קָאָמְרֵי רַבָּנָן דְּלֹא בָּטְלָה:

Rashi define os termos: "esmagou-o" significa comprimiu-o com um martelo; "arrastou-o" significa arrastou-o e o lançou na lama; e "não está anulado" — porque naquele momento agiu por raiva passageira contra ele, mas depois voltará a cultuá-lo — esclarecendo que todos esses casos de anulação tratam de atos praticados pelo próprio gentio sobre seu ídolo. Sobre a divergência entre Rabi e os sábios, a Guemará precisa que ela se refere especificamente ao caso em que o ídolo foi vendido a outro ourives gentio: nesse caso os sábios sustentam que o vendedor presume que o comprador voltará a cultuá-lo, e por isso a venda, por si só, não é considerada uma anulação.