Seder Nezikin · Massechet Avodá Zará · Perek Guimel · Mishná 1 de 10

Estátuas com bastão, pássaro ou esfera na mão

כָּל הַצְּלָמִים אֲסוּרִים
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

Mishná de abertura do Perek Guimel: inicia a série de casos sobre estátuas (tzelamim) e objetos de culto encontrados ou observados, definindo o critério para presumir que uma imagem é objeto de idolatria proibida.

Todas as estátuas são proibidas, porque são adoradas uma vez ao ano — palavras de Rabi Meir. E os Sábios dizem: não é proibida senão toda aquela que tem em sua mão um bastão, ou um pássaro, ou uma esfera. Rabban Shimon ben Gamliel diz: toda aquela que tem em sua mão qualquer coisa.

כָּל הַצְּלָמִים אֲסוּרִים, מִפְּנֵי שֶׁהֵן נֶעֱבָדִין פַּעַם אַחַת בַּשָּׁנָה, דִבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וַחֲכָמִים אוֹמְרִים, אֵינוֹ אָסוּר אֶלָּא כָל שֶׁיֵּשׁ בְּיָדוֹ מַקֵּל אוֹ צִפּוֹר אוֹ כַדּוּר. רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל אוֹמֵר, כֹּל שֶׁיֵּשׁ בְּיָדוֹ כָל דָּבָר:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Avodá Zará 3:1
כָּל הַצְּלָמִים אֲסוּרִים וְכוּ׳: חוֹשְׁבִין בַּעֲלֵי זֶה הַמַּעֲשֶׂה כִּי כְּשֶׁתִּהְיֶה הַשֶּׁמֶשׁ בְּמַעֲלָה מִמַּעֲלוֹת הַגַּלְגַּל אֵיזוֹ מַעֲלָה שֶׁתִּהְיֶה יַעֲשֶׂה צֶלֶם לְאוֹתָהּ הַמַּעֲלָה... וְהֵם מְקַטְּרִים לְאוֹתוֹ צֶלֶם וּמִתְפַּלְּלִים לוֹ וּמְגַדְּלִים אוֹתוֹ בְּשָׁעָה שֶׁתִּהְיֶה הַשֶּׁמֶשׁ בְּאוֹתָהּ מַעֲלָה, וְזֶה מִין מִמִּינֵי הַצְּלָמִים... וּבְמָקוֹם רַבִּי מֵאִיר הָיָה אֶצְלָם מִין זֶה מִן הַצְּלָמִים, וּכְבָר יָדַעְתָּ שֶׁרַבִּי מֵאִיר חָיֵישׁ לְמִעוּט... וַחֲכָמִים לֹא חָיְישֵׁי לְמִעוּטָא וְאוֹמְרִין שֶׁעוֹשִׂין אוֹתוֹ לְנוֹי בִּלְבַד... וַהֲלָכָה כַּחֲכָמִים.

Rambam explica que os fabricantes dessas imagens acreditavam que, quando o sol atingisse determinado grau do seu curso, produzia-se uma estátua correspondente àquele grau, à qual se oferecia incenso, orações e veneração exatamente naquele momento do ano — um tipo de imagem talismânica. Onde Rabi Meir viveu, esse tipo de estátua era comum entre os habitantes, e como Rabi Meir tende a temer a minoria dos casos, decretou que todas as estátuas fossem proibidas, já que uma parte delas era de fato adorada uma vez por ano quando o sol chegava àquele grau. Os Sábios, que não temem a minoria, dizem que as fazem apenas para ornamento. E a halachá segue os Sábios.

Bartenura · Avodá Zará 3:1
כָּל הַצְּלָמִים אֲסוּרִים. בַּהֲנָאָה: שֶׁהֵם נֶעֱבָדִים פַּעַם אַחַת בַּשָּׁנָה. כְּשֶׁהַשֶּׁמֶשׁ בְּאוֹתָהּ מַעֲלָה שֶׁהַצֶּלֶם עָשׂוּי בּוֹ... רַבִּי מֵאִיר לְטַעְמֵיהּ דְּחָיֵשׁ לְמִעוּטָא: כָּל שֶׁיֵּשׁ בְּיָדוֹ וְכוּ׳. דְּהָנֵי וַדַּאי נֶעֱבָדִים הֵם, דְּמִשּׁוּם חֲשִׁיבוּתַיְהוּ אַשְׁקְלִינְהוּ לְהָנָךְ חֶפְצֵי בִּידַיְהוּ... וַהֲלָכָה כַּחֲכָמִים. וְאֵין אֲסוּרִין אֶלָּא כְּשֶׁעוֹמְדִין עַל פֶּתַח הַמְּדִינָה. וּבַכְּפָרִים שֶׁאֵין דַּרְכָּן לַעֲשׂוֹת צוּרוֹת לְנוֹי, דִּבְרֵי הַכֹּל אֲסוּרִין וַאֲפִלּוּ אֵין בְּיָדוֹ דָבָר, דִּלְמִפְלְחִינְהוּ עָבְדֵי לְהוּ.

Bartenura esclarece que "todas as estátuas são proibidas" refere-se à proibição de benefício, e que "são adoradas uma vez ao ano" ocorre quando o sol chega ao grau para o qual aquela estátua foi feita — Rabi Meir segue seu próprio critério de temer a minoria. Sobre "toda que tem em sua mão", explica que essas certamente são objetos de culto, pois, por sua importância, colocaram tais itens em suas mãos. A halachá segue os Sábios, e mesmo assim as estátuas só são proibidas quando ficam junto à porta da cidade; já nas aldeias, onde não é costume fazer figuras para ornamento, todos concordam que são proibidas mesmo sem nenhum objeto na mão, pois presume-se que ali foram feitas para serem adoradas.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Avodá Zará 40b (Guemará sobre esta mishná, abertura do Perek Guimel)
מַתְנִי׳ כָּל הַצְּלָמִים אֲסוּרִין — בַּהֲנָאָה: כַּדּוּר — פִּילוֹט״א. וּבַגְּמָרָא מְפָרֵשׁ דְּהָנֵי וַדַּאי נֶעֱבָדִין דְּמִשּׁוּם חֲשִׁיבוּתָא אַשְׁקְלוּהָ לְהָנָךְ חֶפְצֵי בִּידַיְיהוּ: אַנְדַּרְטֵי — כְּשֶׁהַמֶּלֶךְ מֵת עוֹשִׂין צוּרָתוֹ בְּפֶתַח הַשַּׁעַר לְזִכָּרוֹן, וְהָתָם קָאָסַר רַבִּי מֵאִיר דְּאַגַּב חֲבִיבוּתָא פָּלְחֵי לֵיהּ.

No início da Guemará sobre esta primeira mishná do capítulo, Rashi esclarece que "todas as estátuas são proibidas" refere-se à proibição de qualquer benefício. Explica "esfera" (kadur) com o termo vernacular "pilota" (bola), e observa que a Guemará justifica por que esses três objetos — bastão, pássaro e esfera — são sinal seguro de culto: precisamente por sua importância é que tais itens foram colocados nas mãos das estátuas. Rashi acrescenta ainda o caso da andarta — a imagem erguida no portão da cidade em memória de um rei falecido — explicando que ali Rabi Meir proíbe porque, por afeição e apego à memória do rei, o povo acaba por vir a adorá-la.