Estas são as coisas proibidas de vender a gentios: pinhas de cedro, figos-bravos e seus caules, incenso, e galo branco. Rabi Yehuda diz: é permitido vender-lhe galo branco entre outros galos; mas quando está sozinho, corta-se-lhe o dedo e vende-se a ele, pois não se oferece animal defeituoso à idolatria. E quanto a todas as demais coisas, em geral é permitido, e especificando seu propósito idólatra é proibido. Rabi Meir diz: também tamareira boa, junco cortado e nekalivas é proibido vender a gentios. — Depois de estabelecer as restrições temporais e geográficas, a mishná passa a tratar de uma categoria distinta: itens que são proibidos de vender a um gentio em qualquer época do ano, independentemente de proximidade com festividade alguma, simplesmente porque seu uso típico e reconhecido é servir de oferenda ao culto idólatra. A lista de Rabi Meir (que abre a mishná, embora sem atribuição nominal explícita nesse ponto) inclui itens vegetais específicos — pinhas de árvores coníferas, um tipo de figo silvestre grande com seus caules, usados como oferenda por estarem "pendurados" — o incenso, evidentemente ligado ao culto em várias tradições, e o galo branco, associado a sacrifícios em certos cultos da Antiguidade. A mishná introduz então uma distinção refinada sobre o galo branco: Rabi Yehuda permite vendê-lo se estiver misturado entre outros galos de diversas cores (pois, nesse contexto, não parece destinado especificamente ao culto), mas quando vendido isoladamente, propõe uma solução prática engenhosa — cortar-lhe um dedo, tornando-o um animal fisicamente defeituoso, o que o descarta automaticamente como oferenda idólatra válida, já que animais com defeito não são aceitos para sacrifício naquelas práticas. A mishná então formula um princípio geral que rege todos os demais objetos não listados explicitamente: por padrão, é permitido vendê-los, pois presume-se um uso comum e não-idólatra; mas se o comprador especifica abertamente que o item se destina ao culto, a venda torna-se proibida, pois o vendedor judeu se tornaria então um cúmplice consciente e direto do ato idólatra. Rabi Meir, numa opinião ainda mais rigorosa, amplia a lista fechada original para incluir também certas variedades vegetais particularmente valorizadas como oferenda — uma boa tamareira, um tipo de junco cortado e uma erva especial — proibindo sua venda mesmo sem especificação, como precaução adicional.
Rambam identifica tecnicamente cada item: as pinhas de cedro (itztrubalin) são conhecidas em árabe por outro nome, e são o tipo pequeno de pinha; "figos-bravos" são um tipo de sicômoro; seus "caules" são os ramos aos quais os frutos ficam pendurados. Quanto à opinião de Rabi Meir sobre a "boa tamareira", significa especificamente os frutos de uma tamareira de boa qualidade, pois frutos excelentes costumam ser oferecidos à idolatria. E a halachá segue Rabi Meir, que proíbe a venda desses itens adicionais como medida preventiva, para que não se venha a oferecer algum deles à idolatria.
Bartenura identifica as pinhas de cedro como fruto do cedro; os "figos-bravos" como um tipo de figo grande e branco; e os "caules" como os pecíolos aos quais os frutos ficam presos, presumindo-se que o idólatra deseja oferecê-los como oferenda ao culto. Quanto ao galo branco vendido "entre outros galos": se o idólatra já comprou de um judeu muitos galos de cores variadas, é permitido vender-lhe também um galo branco junto com os demais, pois, já que está adquirindo outros ao mesmo tempo, presume-se que não os quer especificamente para a idolatria — apenas o galo branco isolado desperta suspeita.
A Guemará, ao discutir a identificação botânica precisa dos itens proibidos nesta mishná, examina o termo "tornita" — um tipo de árvore relacionada ao cedro. Rashi identifica essa espécie como sendo a mesma "shitá" (acácia) mencionada no tratado de Rosh Hashaná, remetendo o leitor a essa outra fonte talmúdica para a identificação botânica completa. O breve comentário ilustra o cuidado da Guemará em identificar com precisão cada uma das espécies vegetais listadas na mishná como proibidas de venda, dado que sua identificação correta é essencial para a aplicação prática da halachá.