Seder Nezikin · Massechet Avodá Zará · Perek Alef · Mishná 5 de 9

Itens proibidos de vender aos gentios

אֵלּוּ דְבָרִים אֲסוּרִים לִמְכֹּר לְגוֹיִם
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná lista os itens sempre proibidos de vender a gentios por serem tipicamente usados em oferendas idólatras — independentemente de época do ano — e estabelece a regra geral sobre a diferença entre vender algo sem especificar o propósito e vendê-lo sabendo que se destina ao culto.

Estas são as coisas proibidas de vender a gentios: pinhas de cedro, figos-bravos e seus caules, incenso, e galo branco. Rabi Yehuda diz: é permitido vender-lhe galo branco entre outros galos; mas quando está sozinho, corta-se-lhe o dedo e vende-se a ele, pois não se oferece animal defeituoso à idolatria. E quanto a todas as demais coisas, em geral é permitido, e especificando seu propósito idólatra é proibido. Rabi Meir diz: também tamareira boa, junco cortado e nekalivas é proibido vender a gentios. — Depois de estabelecer as restrições temporais e geográficas, a mishná passa a tratar de uma categoria distinta: itens que são proibidos de vender a um gentio em qualquer época do ano, independentemente de proximidade com festividade alguma, simplesmente porque seu uso típico e reconhecido é servir de oferenda ao culto idólatra. A lista de Rabi Meir (que abre a mishná, embora sem atribuição nominal explícita nesse ponto) inclui itens vegetais específicos — pinhas de árvores coníferas, um tipo de figo silvestre grande com seus caules, usados como oferenda por estarem "pendurados" — o incenso, evidentemente ligado ao culto em várias tradições, e o galo branco, associado a sacrifícios em certos cultos da Antiguidade. A mishná introduz então uma distinção refinada sobre o galo branco: Rabi Yehuda permite vendê-lo se estiver misturado entre outros galos de diversas cores (pois, nesse contexto, não parece destinado especificamente ao culto), mas quando vendido isoladamente, propõe uma solução prática engenhosa — cortar-lhe um dedo, tornando-o um animal fisicamente defeituoso, o que o descarta automaticamente como oferenda idólatra válida, já que animais com defeito não são aceitos para sacrifício naquelas práticas. A mishná então formula um princípio geral que rege todos os demais objetos não listados explicitamente: por padrão, é permitido vendê-los, pois presume-se um uso comum e não-idólatra; mas se o comprador especifica abertamente que o item se destina ao culto, a venda torna-se proibida, pois o vendedor judeu se tornaria então um cúmplice consciente e direto do ato idólatra. Rabi Meir, numa opinião ainda mais rigorosa, amplia a lista fechada original para incluir também certas variedades vegetais particularmente valorizadas como oferenda — uma boa tamareira, um tipo de junco cortado e uma erva especial — proibindo sua venda mesmo sem especificação, como precaução adicional.

אֵלּוּ דְבָרִים אֲסוּרִים לִמְכֹּר לְגוֹיִם, אִצְטְרוֹבָלִין, וּבְנוֹת שׁוּחַ וּפְטוֹטְרוֹתֵיהֶן, וּלְבוֹנָה, וְתַרְנְגוֹל לָבָן. רַבִּי יְהוּדָה אוֹמֵר, מֻתָּר לִמְכֹּר לוֹ תַרְנְגוֹל לָבָן בֵּין הַתַּרְנְגוֹלִים. וּבִזְמַן שֶׁהוּא בִּפְנֵי עַצְמוֹ, קוֹטֵעַ אֶת אֶצְבָּעוֹ וּמוֹכְרוֹ לוֹ, לְפִי שֶׁאֵין מַקְרִיבִין חָסֵר לַעֲבוֹדָה זָרָה. וּשְׁאָר כָּל הַדְּבָרִים, סְתָמָן מֻתָּר, וּפֵרוּשָׁן אָסוּר. רַבִּי מֵאִיר אוֹמֵר, אַף דֶּקֶל טָב וְחָצָב וְנִקְלִיבָס אָסוּר לִמְכֹּר לְגוֹיִם:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Avodá Zará 1:5
אֵלּוּ דְבָרִים אָסוּר לִמְכֹּר וְכוּ׳: אִצְטְרוֹבָּלִין הֵן הַנִּקְרָאִים בְּעַרְבִי קִצַ״ם קָדִישִׁ״י, וְהֵם הַקְּטַנִּים מִן הַצְּנוֹבָ׳. וּבְנוֹת שׁוּחַ — מִין מִמִּינֵי הַשִּׁקְמָה. וּפְטוֹטְרוֹתֵיהֶן — הָעֲנָפִים שֶׁנִּתְלִין בָּהֶן הַפֵּרוֹת. וּמַה שֶּׁאָמַר רַבִּי מֵאִיר דֶּקֶל טָב, רְצוֹנוֹ לוֹמַר פֵּרוֹת דֶּקֶל טוֹב, לְפִי שֶׁהַפֵּרוֹת הַטּוֹבִים יַקְרִיבוּם לַעֲבוֹדַת כּוֹכָבִים. וְהִלְכְתָא כְּרַבִּי מֵאִיר שֶׁאוֹסֵר לִמְכֹּר דְּבָרִים אֵלֶּה, גְּזֵרָה שֶׁמָּא יַקְרִיב מֵהֶם לַעֲבוֹדַת כּוֹכָבִים.

Rambam identifica tecnicamente cada item: as pinhas de cedro (itztrubalin) são conhecidas em árabe por outro nome, e são o tipo pequeno de pinha; "figos-bravos" são um tipo de sicômoro; seus "caules" são os ramos aos quais os frutos ficam pendurados. Quanto à opinião de Rabi Meir sobre a "boa tamareira", significa especificamente os frutos de uma tamareira de boa qualidade, pois frutos excelentes costumam ser oferecidos à idolatria. E a halachá segue Rabi Meir, que proíbe a venda desses itens adicionais como medida preventiva, para que não se venha a oferecer algum deles à idolatria.

Bartenura · Avodá Zará 1:5
אִצְטְרוֹבָּלִין. פֵּירָא דְאַרְזָא. בְּנוֹת שׁוּחַ. מִין מִמִּינֵי הַתְּאֵנִים הַגְּדוֹלִים הַלְּבָנִים. פְּטוֹטָרוֹת. בִּפְטוֹטְרוֹתֵיהֶם קָאָמַר, כְּלוֹמַר בָּעֳקָצִין שֶׁלָּהֶם שֶׁהֵם נִתְלִין בּוֹ, דְּמִסְּתָמָא הָעוֹבֵד עֲבוֹדָה זָרָה רוֹצֶה לְהַקְרִיבָן תִּקְרֹבֶת לַעֲבוֹדָה זָרָה. תַּרְנְגוֹל לָבָן בֵּין הַתַּרְנְגוֹלִין. לָקַח הָעוֹבֵד עֲבוֹדָה זָרָה מִיִּשְׂרָאֵל תַּרְנְגוֹלִים הַרְבֵּה, מֻתָּר לִמְכֹּר בֵּינֵיהֶם תַּרְנְגוֹל לָבָן, דְּכֵיוָן דְּשָׁקֵיל אַחֲרִינֵי לָאו לַעֲבוֹדָה זָרָה בָעֵי לְהוּ.

Bartenura identifica as pinhas de cedro como fruto do cedro; os "figos-bravos" como um tipo de figo grande e branco; e os "caules" como os pecíolos aos quais os frutos ficam presos, presumindo-se que o idólatra deseja oferecê-los como oferenda ao culto. Quanto ao galo branco vendido "entre outros galos": se o idólatra já comprou de um judeu muitos galos de cores variadas, é permitido vender-lhe também um galo branco junto com os demais, pois, já que está adquirindo outros ao mesmo tempo, presume-se que não os quer especificamente para a idolatria — apenas o galo branco isolado desperta suspeita.

Perush — os Mefarshim · הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ״י
Talmud Bavli, Avodá Zará 14a (Guemará sobre esta mishná)
תּוֹרְנִיתָא — מִין אֶרֶז וְהִיא שִׁטָּה, כִּדְאָמַר בְּרֹאשׁ הַשָּׁנָה (דַּף כג).

A Guemará, ao discutir a identificação botânica precisa dos itens proibidos nesta mishná, examina o termo "tornita" — um tipo de árvore relacionada ao cedro. Rashi identifica essa espécie como sendo a mesma "shitá" (acácia) mencionada no tratado de Rosh Hashaná, remetendo o leitor a essa outra fonte talmúdica para a identificação botânica completa. O breve comentário ilustra o cuidado da Guemará em identificar com precisão cada uma das espécies vegetais listadas na mishná como proibidas de venda, dado que sua identificação correta é essencial para a aplicação prática da halachá.