E estas são as festividades dos gentios: Calendas, Saturnália, e Cratesis, e o dia de aniversário de coroação dos reis, e o dia do nascimento, e o dia da morte — palavras de Rabi Meir. E os Sábios dizem: toda morte que tem cremação nela, há nela idolatria; e a que não tem cremação, não há nela idolatria. O dia da tosquia de sua barba e de sua trança, o dia em que subiu do mar, e o dia em que saiu da prisão, e o gentio que fez um banquete para seu filho — não é proibido, senão aquele dia e aquele homem somente. — Depois de estabelecer o princípio geral nas duas primeiras mishnayot, o tratado passa a especificar quais são, concretamente, "as festividades dos gentios" mencionadas ali. Rabi Meir oferece uma lista fechada de datas fixas do calendário romano da Antiguidade: Calenda (o ano-novo romano, ligado ao solstício de inverno), Saturnália (festividade em honra a Saturno, também próxima ao solstício), Cratesis (associada à ascensão ao poder de Roma) e os dias comemorativos ligados à pessoa dos reis — o dia de sua coroação, de seu nascimento e de sua morte. Os Sábios não aceitam essa lista fechada por nome, mas propõem em seu lugar um critério funcional para identificar quando o aniversário de morte de um governante constitui, de fato, uma festividade idólatra: a presença de cremação pública de seus pertences, um costume funerário associado a honras divinizadas ao morto. Onde há esse rito de cremação, há idolatria associada à data, e ela se repete anualmente; onde não há, a data carece dessa dimensão de culto. A mishná então acrescenta uma categoria distinta de ocasiões festivas: eventos privados e pontuais, que não se repetem no calendário anual e não pertencem a uma comunidade inteira, mas apenas a um indivíduo específico — o dia em que alguém corta sua barba e sua trança de cabelo (um rito de passagem pagão), o dia em que retorna a salvo de uma viagem marítima, o dia em que é libertado da prisão, ou o banquete de casamento oferecido por um gentio para seu filho. Nesses casos, a mishná restringe severamente o alcance da proibição: ela vale apenas para aquele dia específico e para aquele indivíduo específico que celebra o evento — não se estende aos três dias anteriores, como nas festividades calendáricas coletivas, nem a outros membros da comunidade que não estejam diretamente envolvidos na celebração pessoal.
Rambam explica que as datas mencionadas eram amplamente conhecidas naquela época entre os idólatras e seus seguidores, e que o mesmo princípio se aplica a qualquer festividade nacional em qualquer lugar do mundo onde se pratique idolatria — deve-se proceder com ela como descrito na mishná. "Morte que tem cremação" refere-se aos casos em que se queimava incenso em honra ao morto, ou se queimavam suas vestes e utensílios pessoais. "Genúsia dos reis" é o dia em que se reúnem para coroar um rei; a halachá não segue Rabi Meir nesse ponto. Quanto à "trança" (blorit), trata-se de um estilo de corte de cabelo em que se deixa uma mecha no centro da cabeça e se rapa tudo ao redor — um corte de cabelo desse tipo é proibido para nós pela própria Torá, para que não nos assemelhemos a eles [nas práticas idólatras], embora não se receba açoites por essa transgressão a menos que se destrua também as pontas laterais da cabeça (as "peot"), como explicado no tratado de Makot.
Bartenura detalha o calendário romano por trás de cada termo: "Calenda" era celebrada oito dias depois do solstício de inverno; "Saturnália" oito dias antes do solstício — e traz a lenda popular segundo a qual Adão, o primeiro homem, ao ver os dias encurtarem, temeu que o mundo estivesse retornando ao caos por causa de seu próprio pecado, e por isso jejuou e orou durante oito dias; quando percebeu que os dias voltavam a alongar-se após o solstício, compreendeu tratar-se do curso natural do mundo e instituiu oito dias de celebração — "ele os fixou para o Céu, e eles os fixaram para a idolatria". "Cratesis" é o dia em que se tomou o poder [de Roma sobre o mundo], fixado como dia de festividade; "Genúsia" é o dia em que se coroa um rei; "dia do nascimento" é o dia em que o rei nasceu. "Cremação" refere-se ao costume de queimar os utensílios pessoais do morto, à maneira como se fazia pelos reis. Já "o dia da tosquia de sua barba" não é uma data fixa para o público, mas cada indivíduo, quando corta o cabelo, faz daquele seu próprio dia de festa pessoal; e "sua trança" refere-se ao costume de deixar crescer uma mecha na nuca durante todo o ano, cortando-a apenas uma vez por ano, e o dia em que a corta torna-se seu dia de festa particular.
A Guemará discute o alcance temporal exato da proibição ligada ao banquete de casamento do filho de um gentio, mencionado no final da mishná. Rashi explica que a proibição se estende por todos os trinta dias que se seguem à celebração nupcial (hilulá) — não apenas ao dia do próprio banquete —, e que isso vale tanto se o gentio declarar explicitamente ao judeu "faço este banquete por causa do casamento de meu filho" quanto se não o disser: presume-se, de todo modo, que sua intenção é celebrar as núpcias, e por isso a transação permanece proibida durante todo esse período, já que, segundo Rashi, ao longo de todos os dias da celebração nupcial o gentio continua oferecendo sacrifícios à sua idolatria em agradecimento pelo casamento do filho.