Rabi Yishmael diz: três dias antes delas e três dias depois delas é proibido. E os Sábios dizem: antes das festividades deles é proibido; depois das festividades deles é permitido. — Esta breve mishná registra uma disputa direta sobre o alcance temporal da proibição estabelecida na mishná anterior. Rabi Yishmael propõe uma simetria: assim como nos três dias antes da festividade há risco de que o benefício concedido ao gentio se converta em gratidão futura à idolatria, também nos três dias depois da festividade haveria um risco análogo — talvez porque a alegria residual da celebração ainda o levaria a atribuir a seus deuses qualquer benefício recente. Os Sábios, cuja opinião prevalece como halachá, rejeitam essa extensão: a lógica da proibição, para eles, está centrada exclusivamente na antecipação — o gentio que recebe um benefício antes da festividade tem diante de si a ocasião iminente para expressar gratidão ao seu culto; passada a festividade, esse vínculo psicológico entre o benefício recebido e o agradecimento futuro se dissolve, e a transação comercial volta a ser inteiramente permitida. A disputa, embora breve, é significativa por delimitar com precisão o raciocínio por trás de toda a primeira mishná: não se trata de uma repulsa geral ao comércio com gentios, mas de uma cautela pontual, ligada estritamente à proximidade temporal com o ato de culto.
Rambam decide a halachá de forma prática: fora da Terra de Israel, na diáspora, a proibição vigora apenas no próprio dia da festividade, e não nos três dias anteriores ou posteriores — e tudo o que se compra e vende com eles nesse dia específico é proibido, isto é, é proibido tirar proveito dessa transação. E a halachá não segue Rabi Yishmael.
Bartenura confirma que a halachá segue os Sábios — depois das festividades é permitido. E, na diáspora, onde não podemos nos abster de negociar com os gentios, já que nosso sustento depende principalmente deles, e também por razões de segurança diante do poder que exercem sobre nós, a proibição não se aplica senão ao próprio dia de sua festividade. Bartenura acrescenta uma observação histórica sobre seu próprio tempo: em sua época, tornou-se costume generalizado permitir o comércio mesmo nesse dia, porque os sábios de então já reconheciam que os comerciantes gentios ao seu redor não tinham mais o costume de "ir e agradecer" formalmente ao seu culto por ocasião de uma transação comercial.
A Guemará imediatamente após esta mishná (Avodá Zará 7b–8a) dedica-se quase inteiramente a um extenso excurso sobre o momento correto de recitar as bênçãos de louvor no início da Amidá, e não desenvolve um comentário amoraico prolongado sobre a disputa entre Rabi Yishmael e os Sábios em si — a mishná seguinte (1:3), que já abre o daf 8a, retoma o fio condutor do tratado. Por essa razão, o comentário de Rashi disponível para este trecho específico concentra-se nesse excurso lateral sobre a oração, e não em glosas diretamente ligadas ao conteúdo desta mishná. Optou-se por não incluir aqui, portanto, uma citação de Rashi desconectada do tema — o comentário retido nesta página baseia-se em Rambam e Bartenura, que tratam diretamente da disputa e de sua resolução prática.