Nos três dias que precedem as festividades dos gentios, é proibido negociar com eles, emprestar-lhes ou tomar emprestado deles, dar-lhes dinheiro emprestado ou tomar dinheiro emprestado deles, pagar-lhes dívidas ou cobrar deles o pagamento de dívidas. Rabi Yehuda diz: cobra-se deles, pois isso lhe causa angústia. Disseram-lhe: ainda que agora lhe cause angústia, depois de um tempo ele se alegra. — Massechet Avodá Zará, o oitavo tratado de Seder Nezikin, abre tratando não da idolatria em si, mas das relações comerciais e sociais cotidianas entre judeus e gentios no mundo greco-romano da Antiguidade — um tema de enorme alcance prático para uma minoria que vivia em constante contato econômico com seus vizinhos. A primeira mishná estabelece o princípio geral: nos três dias que antecedem uma festividade idólatra, toda transação com um gentio que participe dela é proibida, porque qualquer benefício que ele obtenha nesse período — um bom negócio, um empréstimo concedido, uma dívida quitada — tende a deixá-lo satisfeito e, por gratidão, a atribuir esse bem-estar ao seu culto, oferecendo-lhe louvor no dia da festividade. A proibição, portanto, não recai sobre a idolatria alheia em si, mas sobre o papel involuntário que um judeu poderia desempenhar ao fornecer, mesmo indiretamente, uma ocasião de ação de graças a ela. A lista de transações proibidas é ampla — comprar e vender, emprestar e tomar emprestado, tanto de objetos quanto de dinheiro, pagar dívidas e cobrá-las — cobrindo praticamente toda a vida econômica comum entre vizinhos. A única exceção discutida é a cobrança de uma dívida: Rabi Yehuda argumenta que, ao contrário de receber um benefício, ser cobrado é desagradável, e por isso não geraria motivo de gratidão idólatra. Os Sábios discordam com um argumento perspicaz sobre a psicologia humana: mesmo que o momento da cobrança seja penoso, o alívio de estar livre da dívida produz, pouco depois, uma sensação de bem-estar que também pode ser atribuída ao culto do dia festivo — e por isso a proibição se mantém mesmo nesse caso.
Rambam explica que "seus dias festivos" (eideihen) é, no hebraico, uma designação depreciativa para suas celebrações — chamadas literalmente de "suas vaidades" — e que é proibido chamá-las de "festividades" no sentido pleno da palavra, por serem vaidade em face da verdade. Esses três dias contam-se além do próprio dia da festividade. E proibimos que se peça deles ou se tome emprestado deles nesse período porque, ao fazê-lo, eles louvarão sua idolatria por essa boa sorte, e o judeu se tornaria, involuntariamente, causa desse louvor. Mas se for um empréstimo verbal (sem documento escrito), é permitido receber o pagamento deles nesses dias, pois isso equivale a resgatar o próprio dinheiro de suas mãos, e não a lhes fazer um favor. E a halachá não segue a opinião de Rabi Yehuda.
Bartenura explica que "diante das festividades dos gentios" é uma designação depreciativa para suas festas e seus dias marcados. "Negociar" significa vender e comprar, pois, ao fazê-lo, eles vão e agradecem à idolatria no dia de sua festividade. "Emprestar-lhes" refere-se a animais e utensílios — coisas que retornam intactas ao dono. "Dar-lhes dinheiro emprestado" refere-se a moedas, que não retornam intactas, pois um empréstimo em dinheiro é dado para ser gasto. "Pagar-lhes" — quando são pagos, eles vão e agradecem à idolatria no dia de sua festividade. "Porque isso lhe causa angústia" — pela perda do seu dinheiro, que não lhe retorna, e por isso ele não vai agradecer. "Ele se alegra depois de um tempo" — no dia seguinte, no dia de sua festividade, e então vai e agradece. E a halachá não segue Rabi Yehuda. E especificamente num empréstimo com documento escrito é proibido cobrar deles; mas num empréstimo verbal é permitido, porque equivale a resgatar o próprio dinheiro das mãos deles.
Rashi abre seu comentário ao tratado explicando que toda a lista de transações proibidas na mishná se deve a um único princípio: o gentio, tendo obtido algum benefício do judeu, "vai e agradece" à sua idolatria no dia de sua festividade. Rashi distingue tecnicamente "emprestar" (she'elá) de "dar dinheiro emprestado" (halva'á): a primeira aplica-se a coisas que retornam fisicamente intactas ao dono, como um animal ou um utensílio — citando o versículo "quando um homem pedir emprestado ao seu próximo" (Êxodo 22:13); a segunda aplica-se a coisas que não retornam da mesma forma, como dinheiro — citando "se emprestares dinheiro ao meu povo" (Êxodo 22:24) — pois um empréstimo em dinheiro é dado para ser gasto, e o devedor paga de volta com outras moedas, não as mesmas. Sobre "ele se alegra depois de um tempo", Rashi esclarece objetivamente: no dia seguinte.