Tudo o que está dentro da muralha é como as casas de cidades muralhadas, exceto os campos. Rabi Meir diz: também os campos. A casa construída na muralha, Rabi Yehuda diz: não é como as casas de cidades muralhadas. Rabi Shimon diz: a parede externa é sua muralha.
— A mishná amplia agora o estatuto das casas de cidades muralhadas para outras construções dentro do perímetro murado: prensas de azeite, casas de banho, torres, poços e cavernas situados dentro da muralha compartilham a mesma lei da casa vendida — resgate imediato, prazo de doze meses, e posse definitiva depois disso — pois o versículo, ao falar em “a casa que está na cidade”, inclui tudo o que se encontra dentro dela. Os campos, porém, são excluídos dessa extensão, pois sua natureza não se assemelha à de uma casa. Rabi Meir discorda apenas quanto a certos terrenos rochosos ou alagados, impróprios para o cultivo e usados como fonte de pedra ou areia para construção — que, por se assemelharem a uma casa em sua função, ele inclui na lei; mas não quanto a campos agrícolas propriamente ditos. A mishná passa então a um caso limítrofe: a casa que está construída na própria parede da muralha, não meramente dentro dela. Rabi Yehuda sustenta que tal casa não tem o estatuto de casa de cidade muralhada, pois ela não está “na cidade” cercada pela muralha, mas é ela mesma parte da muralha. Rabi Shimon discorda: para ele, a parede externa dessa casa — voltada para fora da cidade — já conta como sua muralha, de modo que a casa está, sim, dentro do perímetro protegido, e mantém plenamente o estatuto de casa de cidade muralhada.
Rambam identifica a fonte bíblica de Rabi Yehuda — o versículo sobre a casa que estava “na muralha”, e não “na cidade que tem muralha” — e conclui que a halachá segue Rabi Yehuda quanto à casa construída na parede, e não Rabi Meir quanto à inclusão dos campos.
Bartenura exemplifica o que está incluído na extensão da lei: prensas de azeite, casas de banho, torres, poços e cavernas dentro da cidade — tudo isso deriva da expressão “que está na cidade”, que inclui tudo o que se encontra em seu interior; mas a palavra “casa” exclui especificamente os campos, que não se assemelham a ela. Sobre Rabi Meir, esclarece que ele não fala de campos agrícolas de verdade, mas de terrenos rochosos ou alagadiços, impróprios para semear e usados como fonte de material de construção — e a halachá não segue sua opinião. Por fim, confirma que a halachá segue Rabi Yehuda: a casa construída na própria parede da muralha não tem o estatuto pleno de casa de cidade muralhada, ao contrário do que sustenta Rabi Shimon.
Rashi liga a extensão da lei à palavra “casa” do versículo “e a casa que está na cidade”, explicando que torres e construções fixas no solo se assemelham a ela e por isso entram na mesma categoria. Sobre o debate com Rabi Meir, precisa que ele não fala de campos de verdade — pois a palavra “casa” já exclui isso — mas de terrenos rochosos e alagadiços, que não servem para plantio e por isso se assemelham funcionalmente a uma casa, servindo de fonte de material de construção. E sobre a fonte de Rabi Yehuda, Rashi explica o sentido simples do versículo sobre Rachav: sua casa estava dentro da própria muralha, e por isso o texto diz que ela habitava “na muralha” — e não, como seria necessário para o estatuto pleno, “na cidade murada”.