Seder Kodashim · Massechet Arachin · Perek Bet · Mishná 5 de 6

Os cordeiros examinados, as trombetas, as harpas e o único címbalo

אֵין פּוֹחֲתִין מִשִּׁשָּׁה טְלָאִים הַמְבֻקָּרִין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

O mínimo de cordeiros examinados na câmara, das trombetas e das harpas, sem limite superior, e o único címbalo

Não se reduz a menos de seis cordeiros examinados na câmara dos cordeiros — o suficiente para o sábado e para os dois dias de festa de Rosh Hashaná — e se acrescenta indefinidamente. Não se reduz a menos de duas trombetas, e se acrescenta indefinidamente. Não se reduz a menos de nove harpas, e se acrescenta indefinidamente. E o címbalo, sozinho.

— Esta mishná trata de três instituições do Templo cujo limite é apenas o mínimo, sem teto máximo. Segundo a opinião de Ben Bag Bag, os cordeiros destinados ao sacrifício perpétuo (tamid) precisam ser examinados quanto a defeitos quatro dias antes do abate — por analogia com o cordeiro pascal egípcio, separado no décimo dia de Nissan e abatido no décimo quarto. Por isso, a câmara dos cordeiros deve manter sempre ao menos seis cordeiros já examinados: o número mínimo necessário para cobrir os sacrifícios de um sábado seguido por dois dias de festa de Rosh Hashaná — três dias em que não seria possível ir buscar e examinar novos cordeiros —, mas pode-se acrescentar quantos se quiser além desse mínimo. Da mesma forma, nunca se toca com menos de duas trombetas nos sacrifícios diários, nem com menos de nove harpas — mas ambos podem ser aumentados sem limite algum, ao contrário do que se viu na Mishná 2:3 sobre as harpas usadas para acompanhar o canto, cujo teto era de seis. Já o címbalo (tsiltsal) é tocado sempre sozinho, um único instrumento, sem nunca se acrescentar outro a ele.

אֵין פּוֹחֲתִין מִשִּׁשָּׁה טְלָאִים הַמְבֻקָּרִין בְּלִשְׁכַּת הַטְּלָאִים, כְּדַי לַשַּׁבָּת וְלִשְׁנֵי יָמִים טוֹבִים שֶׁל רֹאשׁ הַשָּׁנָה, וּמוֹסִיפִין עַד לְעוֹלָם. אֵין פּוֹחֲתִין מִשְּׁתֵּי חֲצוֹצְרוֹת, וּמוֹסִיפִין עַד לְעוֹלָם. אֵין פּוֹחֲתִין מִתִּשְׁעָה כִנּוֹרוֹת, וּמוֹסִיפִין עַד לְעוֹלָם. וְהַצִּלְצָל לְבָד:

Fontes bíblicas · מְקוֹרוֹת

Bemidbar 28:3–4
זֶה הָאִשֶּׁה אֲשֶׁר תַּקְרִיבוּ לַיהֹוָה כְּבָשִׂים בְּנֵי־שָׁנָה תְמִימִם שְׁנַיִם לַיּוֹם עֹלָה תָמִיד׃ אֶת־הַכֶּבֶשׂ אֶחָד תַּעֲשֶׂה בַבֹּקֶר וְאֵת הַכֶּבֶשׂ הַשֵּׁנִי תַּעֲשֶׂה בֵּין הָעַרְבָּיִם׃
“Esta é a oferta ígnea que oferecereis ao Eterno: cordeiros de um ano, sem defeito, dois por dia, holocausto contínuo. Um cordeiro farás pela manhã, e o outro cordeiro farás ao entardecer.”
Divrei HaYamim Bet 5:12
וְעִמָּהֶם כֹּהֲנִים לְמֵאָה וְעֶשְׂרִים מַחְצְרִים בַּחֲצֹצְרוֹת׃
“E com eles, cento e vinte sacerdotes tocando as trombetas.”
O sacrifício perpétuo (tamid) desses dois cordeiros diários é a base da exigência de mantê-los sempre inspecionados e prontos na câmara. Rambam liga o prazo de quatro dias de exame prévio ao mesmo versículo sobre “seu tempo determinado” (Bemidbar 28:2), por analogia com o cordeiro pascal do Egito. Já Bartenura, citando a Guemará, ensina que o limite superior das trombetas — embora a mishná diga apenas “indefinidamente” — na prática chega até cento e vinte, conforme o relato do versículo de Divrei HaYamim sobre a dedicação do Templo de Salomão.

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Arachin 2:5
אין פוחתין מששה טלאים המבוקרין בלשכת כו': המשנה הזאת היא לבן בג בג ודעתו שהתמיד צריך שיהיה מוכן קודם שחיטתו ארבעה ימים ולמדנו זה מפסח מצרים שהיתה משיכתו מבעשור ושחיטתו בי"ד לפי שנאמר בפסח במועדו ונאמר בתמיד תשמרו להקריב לי במועדו... ומה שאמר כדי לשבת ולימים טובים אין דעתו לומר ששה טלאים צריך לשבת ולשני ימים טובים... אבל ר"ל שהשש טלאים שהיו מוכנין קודם עת הצורך כל ימי השבת... סימנא בעלמא נקט:

Rambam atribui esta mishná à opinião de Ben Bag Bag, para quem o cordeiro do sacrifício perpétuo precisa estar pronto quatro dias antes de seu abate — derivado por analogia verbal do cordeiro pascal egípcio, separado no décimo dia de Nissan e abatido no décimo quarto, já que a Torá usa a mesma expressão “em seu tempo determinado” para ambos os sacrifícios. Explica que a menção ao sábado e às festas de Rosh Hashaná não significa que apenas nessas ocasiões sejam necessários seis cordeiros, mas que a mishná toma esse caso apenas como exemplo ilustrativo: mesmo em dias comuns, é sempre necessário manter seis cordeiros prontos, pois o exame prévio de quatro dias se aplica o ano todo.

Bartenura · Arachin 2:5
אֵין פּוֹחֲתִין מִשִּׁשָּׁה טְלָאִים הַמְבֻקָּרִים. הַאי תַּנָּא סָבַר דִּכְבָשִׂים שֶׁל תְּמִידִין טְעוּנִים בִּקּוּר מִמּוּם אַרְבָּעָה יָמִים קֹדֶם שְׁחִיטָתָן, דּוּמְיָא דְפֶסַח מִצְרַיִם... הִלְכָּךְ, קֹדֶם יוֹם חִנּוּךְ אַרְבָּעָה יָמִים מְבַקְּרִין שְׁמֹנָה טְלָאִים וְנוֹתְנִין בְּלִשְׁכַּת הַטְּלָאִים... וּמוֹסִיפִין עַד לְעוֹלָם. בַּגְּמָרָא מְפָרֵשׁ עַד מֵאָה וְעֶשְׂרִים... וְהַצִּלְצָל לְבַד. צִלְצָל אֶחָד הָיָה שָׁם וְלֹא יוֹתֵר...

Bartenura descreve o sistema de rotatividade da câmara dos cordeiros: quatro dias antes do dia de inauguração do serviço, examinam-se oito cordeiros e os colocam na câmara; no dia da inauguração, retiram-se dois para os sacrifícios perpétuos, restando seis já examinados; e assim, todos os dias, retiram-se dois e colocam-se dois novos para exame, de modo que sempre haja seis prontos com a antecedência exigida. Sobre o limite das trombetas, Bartenura remete à Guemará, que o fixa em até cento e vinte, conforme o versículo sobre os cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas na dedicação do Templo. E sobre o címbalo, explica que, embora o versículo bíblico use a palavra no plural (“metsiltayim”), trata-se na verdade de duas peças largas de metal que se batem uma contra a outra, formando um único instrumento manejado por uma só pessoa — e por isso a mishná o descreve como “sozinho”.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רַשִׁ"י
Arachin 13a, sobre a Guemará desta mishná
מתני' מתשעה כנורות — לא אתפרש טעמא: והצלצל לבדו — צלצל אחד היה שם ולא יותר וטעמא מפרש בגמ': גמ' קס"ד כדי לשבת ולשני ימים טובים דווקא קאמר — דלהכי בעינן ששה שאם יבאו יחד שבת ושני ימים טובים של ראש השנה ולא יוכלו לבקר יהו להם אילים מזומנים: בעלמא קאי — דבכל ימות השנה נמי בעינן ששה ולאו משום שבת וראש השנה אלא משום דבן בג בג... סימנא בעלמא — שלא תטעה בגירסא שלא תשנה ארבעה או חמשה משום הכי נקט הנך שלשה ימים דבעו ששה תמידין:

Rashi observa que a razão para o mínimo de nove harpas não é explicada na Guemará, e confirma que havia apenas um único címbalo, cuja razão a própria Guemará desenvolve adiante. Sobre a menção ao sábado e às festas de Rosh Hashaná, Rashi explica a primeira leitura possível — que se refere especificamente a esses dias, quando não seria possível examinar novos cordeiros a tempo — e depois a corrige: na verdade, a mishná fala de modo geral, pois o número de seis se exige o ano inteiro, por causa do princípio de Ben Bag Bag de exame prévio de quatro dias; o sábado e as festas de Rosh Hashaná são citados apenas como exemplo mnemônico, para que o aluno não confunda o número e diga quatro ou cinco em vez de seis.