Não se reduz a menos de seis cordeiros examinados na câmara dos cordeiros — o suficiente para o sábado e para os dois dias de festa de Rosh Hashaná — e se acrescenta indefinidamente. Não se reduz a menos de duas trombetas, e se acrescenta indefinidamente. Não se reduz a menos de nove harpas, e se acrescenta indefinidamente. E o címbalo, sozinho.
— Esta mishná trata de três instituições do Templo cujo limite é apenas o mínimo, sem teto máximo. Segundo a opinião de Ben Bag Bag, os cordeiros destinados ao sacrifício perpétuo (tamid) precisam ser examinados quanto a defeitos quatro dias antes do abate — por analogia com o cordeiro pascal egípcio, separado no décimo dia de Nissan e abatido no décimo quarto. Por isso, a câmara dos cordeiros deve manter sempre ao menos seis cordeiros já examinados: o número mínimo necessário para cobrir os sacrifícios de um sábado seguido por dois dias de festa de Rosh Hashaná — três dias em que não seria possível ir buscar e examinar novos cordeiros —, mas pode-se acrescentar quantos se quiser além desse mínimo. Da mesma forma, nunca se toca com menos de duas trombetas nos sacrifícios diários, nem com menos de nove harpas — mas ambos podem ser aumentados sem limite algum, ao contrário do que se viu na Mishná 2:3 sobre as harpas usadas para acompanhar o canto, cujo teto era de seis. Já o címbalo (tsiltsal) é tocado sempre sozinho, um único instrumento, sem nunca se acrescentar outro a ele.
Rambam atribui esta mishná à opinião de Ben Bag Bag, para quem o cordeiro do sacrifício perpétuo precisa estar pronto quatro dias antes de seu abate — derivado por analogia verbal do cordeiro pascal egípcio, separado no décimo dia de Nissan e abatido no décimo quarto, já que a Torá usa a mesma expressão “em seu tempo determinado” para ambos os sacrifícios. Explica que a menção ao sábado e às festas de Rosh Hashaná não significa que apenas nessas ocasiões sejam necessários seis cordeiros, mas que a mishná toma esse caso apenas como exemplo ilustrativo: mesmo em dias comuns, é sempre necessário manter seis cordeiros prontos, pois o exame prévio de quatro dias se aplica o ano todo.
Bartenura descreve o sistema de rotatividade da câmara dos cordeiros: quatro dias antes do dia de inauguração do serviço, examinam-se oito cordeiros e os colocam na câmara; no dia da inauguração, retiram-se dois para os sacrifícios perpétuos, restando seis já examinados; e assim, todos os dias, retiram-se dois e colocam-se dois novos para exame, de modo que sempre haja seis prontos com a antecedência exigida. Sobre o limite das trombetas, Bartenura remete à Guemará, que o fixa em até cento e vinte, conforme o versículo sobre os cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas na dedicação do Templo. E sobre o címbalo, explica que, embora o versículo bíblico use a palavra no plural (“metsiltayim”), trata-se na verdade de duas peças largas de metal que se batem uma contra a outra, formando um único instrumento manejado por uma só pessoa — e por isso a mishná o descreve como “sozinho”.
Rashi observa que a razão para o mínimo de nove harpas não é explicada na Guemará, e confirma que havia apenas um único címbalo, cuja razão a própria Guemará desenvolve adiante. Sobre a menção ao sábado e às festas de Rosh Hashaná, Rashi explica a primeira leitura possível — que se refere especificamente a esses dias, quando não seria possível examinar novos cordeiros a tempo — e depois a corrige: na verdade, a mishná fala de modo geral, pois o número de seis se exige o ano inteiro, por causa do princípio de Ben Bag Bag de exame prévio de quatro dias; o sábado e as festas de Rosh Hashaná são citados apenas como exemplo mnemônico, para que o aluno não confunda o número e diga quatro ou cinco em vez de seis.