Milchamot Hashem · Capítulo XLV

A Coroa da Fé Pura — e a Lisonja que Cala a Verdade

הָעֲטָרָה לְיָשְׁנָהּ — וְהַחֲנֻפָּה הַמַּשְׁתֶּקֶת אֶת הָאֱמֶת

Rav Yichya Qafih · Seções §113–116 · Hebraico e português lado a lado

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§ 113
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Por isso disseram os nossos Sábios, de bendita memória, acerca dos Homens da Grande Assembleia, que "restituíram a coroa ao seu antigo estado" ao dizerem "o D'us grande, poderoso e temível" — e ensinaram que todos os acontecimentos que sobrevieram a Israel, do bem ao mal, são as Suas obras de poder e os Seus feitos temíveis, os do D'us Altíssimo; e que Ele é Um, e não há unidade como a Sua unidade.

E a fé pura na Sua unidade, bendito seja, fluiu e difundiu-se por todo o Israel ao longo de todo o quarto e quinto milênios, e um pouco mais no sexto, até que se passaram alguns anos do sexto milênio — e o Santo, bendito seja, provou a Israel mediante o engano do rei gentio, que fez sair o Livro do Zohar como se houvesse sido composto por Rashbi. E muitos dos nossos sábios deixaram-se seduzir pelas suas palavras, e creram nas suas falsidades, a ponto de fazerem para nós uma nova Torá Oral e deuses novos, e de falar desvario contra a Mishná e o Talmud — dizendo que são mistura de bem e de mal, e que não procedem do Nome, mas de Metatron, como se disse acima.

E muitos dos sábios de Israel não resistiram à prova, e creram em diversas opiniões imaginárias, que se difundiram em Israel entre os que delas se ocupam; e compuseram livros nessa crença, e anexaram-nos à Mishná e ao Talmud, como se fossem iguais na fé da divindade — e não examinaram bem para compreender as suas palavras, que falam em frases obscuras e tomadas de empréstimo, e em língua gaguejante.

Contudo, os nossos mestres talmúdicos, apegados ao estudo da Mishná e do Talmud e dos Midrashim dos nossos Sábios, e também a multidão do povo que nada sabe da nova Cabala — esses permanecem na sua fé íntegra e pura, livre de toda escória; e tanto mais os homens que examinam, com algum entendimento, as palavras do Rasag, do Kuzari, do Rambam, do Chovot haLevavot e dos seus semelhantes: todos, como um só, estão fincados na fé verdadeira da unidade. E a coroa do nosso D'us, bendito seja, permanece junto a eles no seu antigo estado, como nos dias dos Homens da Grande Assembleia.

Mas eis a desgraça: que eles creem nos livros da nova Cabala, pintados de piedade aos olhos — pois pensam que são santos, e que neles há ideias sublimes que o seu entendimento não consegue alcançar, e que estão de mãos dadas com a fé pura. E não percebem o veneno das víboras que há no seu interior — veneno que arranca os fundamentos da santa Torá e faz tremer as suas colunas. E muitos dos nossos sábios nela tropeçaram, e tornaram-se pedra de tropeço para os que vieram depois deles.

קיג) ולכן אמרו רז"ל על אנשי כנה"ג שהחזירו את העטרה לישנה באמרם האל הגדול הגבור והנורא, ושכל המאורעות שאירעו לישראל מטוב ועד רע, הן הן גבורותיו ונוראותיו של אלהים עליון, והוא אחד אשר אין יחיד כיחודו. ונמשכה ונתפשטה אמונת אחדותו ית' הטהורה בכל ישראל כל משך ימי האלף הרביעי והחמישי ומעט מזער מהאלף השישי, עד שעברו איזה שנים מאלף הששי, וינסה הקב"ה את ישראל במרמת המלך העכו"ם שהוציא את ספר הזהר כאלו נתחבר ע"י רשב"י, ונפתו רבים מחכמינו לדבריו, וההמינו לשקריו לעשות לנו תורה שבעל פה חדשה, ואלהים חדשים, ולדבר תועה על המשנה והתלמוד שהם מטוב ורע מעורבים, ולא מאת השם אלא ממטטרון כדלעיל. והרבה מחכמי ישראל לא עמדו בנסיון ויאמינו בכמה דעות מדומות ונתפשטו בישראל אצל העוסקים בו, וחברו באמונה הזאת ספרים, ונספחו אל המשנה והתלמוד, כאלו הם שוים באמונת האלהות, ולא ביחנו יפה להבין דבריו אשר ידבר במליצות סתומות ומושאלות ובלעני שפה. אמנם רבותינו התלמודיים הדבקים בעסק המשנה והתלמוד ובמדרשי רז"ל וגם המון העם אשר לא ידעו דבר מהקבלה החדשה, הנם עומדים באמונתם השלימה וטהורה מכל סיג הלאה, וכל שכן האנשים המעיינים בשום שכל בדברי הרס"ג, והכוזרי, והרמב"ם, והח"ל, וכיוצא בהם, כולם כאחד תקועים באמונת האחדות האמתית. ועטרת אלהינו ברוך הוא עומדת אצלם בישנה כבימי אנשי כנה"ג. אך דא עקא. כי המה מאמינים בספרי הקבלה החדשה הצבועים למראה עינים. כי קדושים המה ושיש בהם דעות נשגבות אשר לא תכיל דעתם להשיגם. ושהמה שלובי יד עם האמונה הטהורה. ואינם מרגישים במרורות הפתנים אשר בקרבה. העוקרים יסודות תוה"ק. ועמודיה יתפלצון. ורבים מחכמינו שנו בה. ויהיו לאבן מכשול לבאים אחריהם.
Nota de contexto — §113

A imagem dos Homens da Grande Assembleia que "restituíram a coroa ao seu antigo estado" vem de Yomá 69b e Berachot 33b: gerações depois, certos profetas haviam hesitado em chamar D'us "poderoso" e "temível" diante da destruição e do exílio; os Homens da Grande Assembleia restauraram esses atributos, entendendo que justamente a sobrevivência de Israel entre as nações é a maior demonstração do Seu poder. Rav Qafih usa essa imagem como moldura de todo o capítulo: a "coroa" é a fé pura na unidade absoluta de D'us.

A periodização por milênios (4º, 5º, 6º) segue a contagem judaica tradicional. A tese histórica de que o Zohar foi "introduzido" por meio de um rei gentio é a posição do próprio Rav Qafih sobre a origem medieval da obra — contestada pela tradição cabalística, que sustenta a autoria de Rashbi (séc. II). O leitor deve recordar o enquadramento da Nota de contexto inicial.

§ 114
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E muitos dos estudiosos sabem, testemunham e declaram — em segredo e com grande ocultamento — que essa doutrina é sumamente estranha à fé da nossa Torá quanto à crença na unidade do Nome, bendito seja. Mas não querem revelar o seu parecer, por temor dos "piedosos" e dos que se fazem de piedosos, amantes e perseguidores de honra e grandeza — os que fazem "intenções" místicas à imaginada rainha dos céus, que puseram nos seus pensamentos no recôndito do mundo; aos quais de nada serviu a oração dos Homens da Grande Assembleia, e as suas ordenações, e todos os seus fundamentos, senão para não fazer imagens e estátuas de prata, ouro, madeira e pedra, obra de mãos de artífice — assim como o autor do Zohar abriu dizendo: "maldito o homem que fizer escultura e estátua etc., obra de mãos de artífice."

Mas no seu pensamento há muitas imagens, e Ba'alim, e Ashtarot, que eles servem e diante dos quais se prostram, e a quem rezam "em pureza", e a quem chamam por todos os Nomes específicos do Nome, bendito seja; e a quem fazem "intenções" para uni-los — "como quem ajunta muitas cordas e puxa camelos" — e dizem "e tudo é um".

E os esclarecidos, que creem na Sua unidade, bendito seja, segundo a verdade e a retidão, e que se firmam na Torá da verdade, escrita e oral — temem por si mesmos declarar e levar aos seus lábios a verdade completa, por causa do embuste de "verdade" que está na boca dos que se fazem de piedosos: para que estes não os atinjam e não se lancem sobre eles com banimentos e excomunhões, com força e mão pesada, contra a vontade de D'us e a vontade dos que O temem — portando-se como os "gigantes que houve outrora, homens de renome".

E por medo deles, os esclarecidos temem entregar a sua honra pela santificação do Nome honrado e temível — Ele, o Senhor nosso D'us, cujos juízos enchem toda a terra. E fecham os olhos diante da obra dos nossos pais, que entregaram a alma e o corpo pela santificação do Nome: Avraham, nosso pai, lançado no fogo dos caldeus; Chananiá, Mishael e Azariá, que se entregaram e foram lançados à fornalha ardente; Daniel, lançado na cova dos leões; e tantos justos e piedosos, dos quais se conta na Guemará e nos Midrashim dos nossos Sábios que se entregaram pela santificação do Nome — alguns dos quais se salvaram, e outros foram presos e mortos pelo pecado das suas gerações.

קיד) ורבים מהמעיינים יודעים ומעידים ומגידים בצנעה ובהסתר גדול כי זרה היא עד מאוד לאמונת תורתינו באמונת יחוד השי"ת. ולא יחפצו לגלות דעתם, מיראת החסידים והמתחסדים אוהבי ורודפי כבוד וגדולה. העושים כוונות למלכת השמים המדומה אשר שמו ברעיונותם בסתרו של עולם. שלא הועילה אצלם תפלת אנשי כנה"ג ותקנותם וכל יסודותם רק שלא לעשות צלמים ומסכות כסף וזהב ועץ ואבן מעשה ידי חרש. כמו שפתח מחבר הזהר לומר ארור האיש אשר יעשה פסל ומסכה וכו' מעשה ידי חרש. אבל במחשבתם יש הרבה צלמים ובעלים ועשתרות העובדים ומשתחוים להם. ומתפללים אליהם בטהרה. וקורים להם בכל השמות המיוחדים לשי"ת. וכוונות עושים להם לחברם כמכנס חבלים רבים ומושך גמלים. ואומרים ובולא חד. והמשכילים המאמינים באחדותו ית' על פי האמת והצדק. ומחזיקים בתורת האמת בכתב ובע"פ. יראים לנפשם להגיד ולהעלות על דל שפתם את האמת הגמור. מפני תרמית האמת אשר בפי המתחסדים פן יפגעו בהם ויתנפלו עליהם בנידוים וחרמות כתוקף ובחזק יד שלא כרצונו וכרצון יראיו, כנפילים אשר מעולם אנשי השם. ומפחד המשכילים מהם. המה יראים למסור כבודם על קדושת השם הנכבד והנורא. הוא ה' אלהינו אשר בכל הארץ משפטיו. והמה מעלימים מעיניהם מעשה אבותינו שמסרו נפשם וגופם על קדושת השם. אברהם אבינו הולשך לאור כשדים. חנניה מיקאל לועזריה מסרו עצמן והושלכו לכבשן האש. דניאל הושלך לגוב אריות, וכמה צדיקים וחסידים המסופר עליהם בגמרא ומדרשי רז"ל שמסרו עצמן על קדושת השם. יש מהן שניצולו. ויש שנתפסו ונהרגו בעון דוריהם.
§ 115
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E os sábios esclarecidos que mencionamos — não bastasse não entregarem a alma pela santificação do Nome e pela honra da Sua Torá, ainda poupam a sua honra imaginária de a expor à fogueira dos banimentos dos lisonjeiros, que servem a um deus outro, "de ânimo curto". E temem pela própria honra, para que não diminua o seu prestígio, o seu esplendor e a sua estima; e não se importam com a honra d'Ele, bendito seja, que a casa de Israel profanou, segundo a "tradição" que receberam da mão do rei gentio — a tradição de servir a deuses outros, criados.

Como escreveu o rabino autor do Yosher Levav, no sonho da sua "profecia", que profetizou na página 3, ao dizer "e serve-o ao Ze'ir Anpin, ainda que seja criado etc.", como está explicado no Zohar Vayerá p. 111 e no Zohar Balak p. 191! E na Idra de Nasso, e na parashá de Bereshit, está explicado que ele é criado. E por esse caminho trilharam muitos dos novos cabalistas — o Sefer haBerit e o Nachalat Yosef — como se explicou acima. Há profanação do Nome maior do que esta — servir a um outro deus, criado, "de ânimo curto", à parte do Senhor nosso D'us, que fez conhecer os Seus caminhos a Moshé, a saber, que Ele é "longo de ânimo" etc.?

E neste nosso tempo prevaleceu a lisonja, a ponto de se mostrar parcialidade na Torá contra a halachá, em honra dos donos de ideias vãs que conduzem à heresia. É disto que se queixaram os nossos Sábios, acerca da medida da lisonja, no tratado Sotá, capítulo "Elu Ne'emarin", dizendo: ensinou-se — "naquela hora em que disseram ao rei Agripas: 'nosso irmão és tu', tornaram-se os inimigos de Israel (eufemismo para Israel) passíveis de extermínio, por terem lisonjeado o rei Agripas."

Disse R. Shimon ben Chalafta: "desde que prevaleceu o punho da lisonja, perverteram-se os juízes e corromperam-se as obras, e ninguém pode dizer ao seu próximo: 'as minhas obras são maiores que as tuas'." Disse R. Elazar: "todo homem em quem há lisonja traz ira ao mundo, como está dito: 'e os de coração lisonjeiro acumulam ira'. E não só isso, mas a sua oração não é ouvida, como está dito: 'não clamarão quando Ele os prender'." E disse R. Elazar: "todo homem em quem há lisonja — até os fetos nas entranhas de suas mães o amaldiçoam, como está dito: 'o que diz ao ímpio: justo és tu — amaldiçoá-lo-ão os povos, detestá-lo-ão as nações'; e 'amaldiçoar' (kov) nada é senão maldição, como está dito 'como amaldiçoarei (ekkov) a quem D'us não amaldiçoou (kabbo)?'; e 'nações' (le'umim) nada são senão fetos, como está dito 'um povo (le'om) será mais forte que o outro povo (mil'om)'." E disse R. Elazar: "todo homem em quem há lisonja cai na Geena etc." E disse R. Elazar: "todo aquele que lisonjeia o seu próximo acabará por cair na sua mão, ou na mão de seu filho, ou na mão do filho de seu filho etc." E disse R. Elazar: "toda congregação em que há lisonja é repugnante diante de D'us, como está dito: 'pois a congregação dos ímpios (chanef) é estéril etc.'" Disse R. Elazar: "toda congregação em que há lisonja acabará por ser exilada etc." E também contaram os nossos Sábios a "classe dos lisonjeiros" entre as quatro classes que não recebem a face da Shechiná: a classe dos escarnecedores, a classe dos mentirosos, a classe dos lisonjeiros e a classe dos que falam má-língua. A classe dos lisonjeiros, conforme está escrito: "pois diante d'Ele não virá o lisonjeiro (chanef)."

Por isso o nosso coração desfaleceu: como se transformou a fé do povo de Israel — no qual o Senhor se afeiçoou a amá-lo, a fazê-lo servi-Lo "de ombro a ombro", e a unificá-Lo na sua oração e no seu serviço, com todo o coração, com toda a alma e com toda a força, sem nenhuma associação de outra coisa, de quaisquer criaturas superiores ou inferiores — porque abandonaram o Senhor seu D'us e trocaram a sua Glória, o D'us grande, poderoso e temível, por deuses outros, com a forma de um homem "de ânimo curto" e cheio de fúria, pensando que o seu pai e a sua mãe o nomearam sobre todos os mundos ocultos como regente, provedor e condutor, e que o seu pai e a sua mãe ordenaram a tudo que o servisse (segundo as palavras deles), porque todo o domínio entregaram em sua mão, e tudo o que quiser fará — Deus nos livre.

Também muito alcançou a mão dos nossos mestres, os Homens da Grande Assembleia, mesmo sobre "o pequenino do pecado" (o instinto idólatra), para enfraquecê-lo, de modo que não incite o homem contra os parentes proibidos da pessoa; e isso conseguiram mediante os seus decretos e ordenações, expostos nas palavras do grande luzeiro, o Rambam, de bendita memória, nos capítulos 21 e 22 das Leis das Relações Proibidas — examina-os e sê cuidadoso neles, e ser-te-á agradável seres santo e puro do pecado. E é isto que os nossos Sábios aludiram no seu dito: "cegaram-lhe os olhos, e foi de proveito que não incite o homem em coisa de parente."

קיה) והחכמים המשכילים שזכרנו לא די שלא מסרו נפשם על קדושת השם ועל כבוד תורתו. אלא שהם חסים על כבודם המדומה להגישו על מוקדה של חרמי החנפים העובדים לאל אחר קצר אפים. וחוששים המה לכבוד עצמם פו ידל כבודם והודם ונדרם. ואינם חסים על כבודו ית' אשר חללוהו בית ישראל על פי הקבלה שקבלוה מיד המלך העכו"ם לעבוד אלהים אחרים נבראים כמו שכתב הרב יושר לבב בחלום נבואתו אשר ניבא בדף ג' שאמר ועבדהו לז"א אף כי נברא הוא וכו' כמבואר בזהר וירא ד' קי"א ובזהר בלק ד' קצ"א! ובאדרת נשא ופרשת בראשית מבואר שהוא נברא. ובדרך הזה דרכו הרבה מן המקובלים החדשים ספר הברית ונח"י כמו שנת' לעיל. היש חלול השם יותר מזה לעבוד אלוה אחר נברא קצר אפים מבלעדי ה' אלהינו אשר הודיע דרכיו למשה כי הוא ארך אפים וכו'. ובזמנינו זה גברה החנופה לשאת פנים בתורה שלא כהלכה, לכבוד בעלי רעיונות של הבל המביאים לידי מינות. הוא שהתאוננו רז"ל על מדת החנופה במס' סוטה פרק אלו נאמרין ואמרו. תנא באותה שעה (שאמרו לאגריפם המלך אחינו אתה) נתחייבו שונאיהם של ישראל כלייה מפני שהינפו לו לאגריפס המלך. אמר ר' שמעון בן חלפתא מיום שגברה אגרופה של חנופה נתעוותו הדיינים ונתקלקלו המעשים. ואין אדם יכול לומר לחבירו מעשי גדולים ממעשיך. אמר ר' אלעזר כל אדם שיש בו חנופה מביא אף לעולם שנאמר וחנפי לב ישימו אף. ולא עוד אלא שאין תפלתו נשמעת. שנאמר לא ישועו כי אסרם. ואמר ר' אלעזר כל אדם שיש בו חנופה אפי' עוברין שבמעי אמן מקללין אותו שנאמר אומר לרשע צדיק אתה יקבוהו עמים יזעמוהו לאומים. ואין קוב אלא קללה. שנאמר מה אקב לא קבה אל. ואין לאומים אלא עוברין בנ' ולאם מלאם יאמץ. ואמר ר' אלעזר כל אדם שיש בו חנופה נופל בגהינם וכו'. וא"ר אלעזר כל המחניף לחבירו לסוף נופל בידו או ביד בנו, או ביד בן בנו וכו' וא"ר אלעזר כל עדה שיש בה חנופה מאוסה כנגדה שנ' כי עדת חנף גלמוד וכו' א"ר אלעזר כל כל עדה שיש בה חנופה לסוף גולה וכו'. וגם חשבו רז"ל כת חנפים מד' כתות שאינם מקבילים פני שכינה. כת לצים, כת שקרים, כת חנפים, כת מספרי לשון הרע, כת חנפים דכתיב כי לא לפניו חנף יבוא. על זה היה דוה לבנו, איך נהפכה אמונת עם ישראל אשר בם נחר ה' לאהבה אותו ולעבדו שכם אחד, וליחדו בתפלתם ועבודתם בכל לבבם ובכל נפשם ובכל מאדם בלי שום שתוף דבר אחר מכל הנבראים העליונים והתחתונים, כי עזבו את ה' אלהיהם, וימירו את כבודם האל הגדול הגבור והנורא, באלהים אחרים בתבנית אדם קצר אפים ושבע רגז, בחשבם כי אביו ואמו מינו אותו על כל העלומות לנגיד ופרנס מנהיג, ואביו ואמו צוו את הכל לעבדו (לפי דבריהם) כי כל המפחית מסרו בידו וכל אשר יחפוץ יעשה ר"ל. גם כביר מצאה יד רבותינו אנשי כנה"ג גם נצירא דעבירה להחלישו שלא יתגרה בקרוביו של אדם וזה השיגו על ידי גזירותיהם תקנותיהם המבוארים בדברי המאור הגדול הרמב"ם ז"ל בפרק כ"א וכ"ב מלה' איסורי ביאה עיין עליהם והזהר בהם וינעם לך להיות קדוש וטהור מעבירה. וזהו שהמליצו רז"ל במאמרם כחלינהו לעיניה ואהני דלא מתגרי באיניש בקרובת.
Nota de contexto — §115

O coração deste parágrafo é a longa sugya sobre a lisonja (chanufá) do tratado Sotá 41b–42a, citada quase na íntegra. O episódio do rei Agripas (que leu publicamente a Torá e chorou ao chegar a "não poderás pôr sobre ti um estrangeiro", sendo de ascendência idumeia) e a sequência de máximas de R. Elazar formam um dos tratamentos rabínicos mais severos da bajulação. Rav Qafih emprega-a contra o que vê como deferência indevida ("parcialidade na Torá") a autoridades cuja teologia ele rejeita.

O fecho remete às Leis das Relações Proibidas do Rambam (Issurei Bi'á, caps. 21–22) e ao dito talmúdico "cegaram-lhe os olhos" (sobre o enfraquecimento do yetzer da idolatria, Yomá 69b; Sanhedrin 64a) — fechando o paralelo, central no livro, entre o instinto idólatra antigo e o que o autor identifica com a teologia dos partzufim.

§ 116
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E já encheram os teus ouvidos e o teu pensamento as provas de que os cabalistas servem a um ser criado, como se explicou acima, no parágrafo 48, em nome do Yosher Levav, página 3, verso, e eis as suas palavras: "'Conhece o D'us de teu pai e serve-o' — 'conhece o D'us de teu pai' inclui os cinco partzufim; 'e serve-o' refere-se ao Ze'ir Anpin, ainda que seja criado, pois a sua alma é Aquele a quem o que assim serve serve, porque sem ele nada do que existe existe; por isso não disse 'conhece o D'us de teu pai' sem o et, e sim 'conhece et o D'us de teu pai'" — até aqui. E a sua intenção é que, na palavra "et", se inclui a alma do Ze'ir Anpin.

Ora, em toda a Torá não encontramos que algo advindo de uma inclusão exegética, como o "et" arranque o princípio explicitamente mencionado na Escritura — mas apenas que se acrescente ao princípio e participe com ele na proibição, como expuseram os nossos Sábios em Ketubot sobre "Honra teu pai e tua mãe" (et avicha ve-et imecha): "'et avicha' — esta é a esposa de teu pai; 've-et imecha' — este é o marido de tua mãe", ensinando que se honre a esposa do pai junto com o pai, e o marido da mãe junto com a mãe; e do mesmo modo expuseram sobre "e tereis por incircunciso o seu fruto" (et piryo): "'et' — o que é acessório ao fruto", isto é, as cascas e os caroços, que são proibidos no interdito da orlá tal como o próprio fruto. Ora, neste caso, os novos cabalistas fizeram do acessório — que vem da inclusão do "et" — o principal, e disseram que servem à sua alma do Ze'ir, sendo o corpo, que é criado, o acessório; e servem ao corpo e à alma, como explicamos acima nos parágrafos 39 e 65! E vêm a associar o Nome dos Céus a uma coisa criada, transgredindo as palavras do próprio Rashbi, que disse: "todo aquele que associa o Nome dos Céus a outra coisa é arrancado do mundo".

E eis que agora acrescentarei a alertar-te sobre alguns dos ditos do Zohar, dos quais se prova que o Ze'ir Anpin é criado: vê no Zohar Bereshit, página 15, e no Mikdash Melech ali, onde se explica que o Ze'ir Anpin é criado — e já trouxe parte disto no parágrafo 24; também na página 26, recto: "'e plantou o Senhor D'us' — Abbá e Imá; 'um jardim' — esta é a Shechiná inferior; 'Éden' — esta é a Imá superior; 'o homem' — esta é a Coluna do Meio" (que é o Ze'ir Anpin). E ainda ali: "'e fez brotar o Senhor D'us' — Abbá e Imá; 'toda árvore agradável' — este é o Justo (Yesod); 'e boa para comer' — esta é a Coluna do Meio etc.; 'e a árvore da vida' — que é a árvore vivente, plantada no meio do jardim etc."

E a prova mais clara é o que se diz na Idra Rabbá, página 138, verso: "'Ó Senhor, a Tua obra, no meio dos anos, faze-a viver' (Chavakuk 3:2) — isto foi dito acerca do Ancião dos Dias; 'qual é a Tua obra?' — o Ze'ir Anpin; 'faze viver' — a quem? Ao Ze'ir Anpin, pois toda a sua luz provém daqueles anos primordiais!" Disto te ficará claro, com toda a certeza, que o Ze'ir Anpin é criado. E já conheces a opinião do filósofo incitador, autor do Zohar, e da maioria dos cabalistas que o seguem: que não se deve dirigir oração nem serviço senão ao Ze'ir Anpin, esse ser criado.

E segundo a opinião do autor do Oz le-Elohim, o serviço não é senão ao "Rei Santo de todos os santos", chamado "Coração de todos os corações", que se reveste dentro do Ze'ir Anpin, como ali se explica no Beit Kodesh haKodashim, capítulo 19, página 59, verso; e, ainda que tenha saído das entranhas de Abbá e Imá, ele é o principal, e até Abbá e Imá precisam de honrá-lo, como a um rei de carne e sangue que reina, a quem todo o povo honra; e até seu pai e sua mãe precisam de honrá-lo, pois ele é o rei soberano, e a ele dirigimos as nossas orações, e ele é o nosso rei e o nosso D'us. Mas quem reza ao D'us Altíssimo, que é a Primeira Causa — a sua oração não é oração, pois como diremos "Bendito sejas Tu, ó Senhor"? De quem seria Ele abençoado, e de quem lhe viria a influência? (Beit Kodesh haKodashim, página 26, verso.)

E vê no Zohar, Ra'aya Mehemna, página 109, verso, onde ali se explica que do D'us Supremo "revelou-se nele um corpo, e não membros, e nem fêmea" — e que ele é apenas quem junta e ata os "deuses inferiores", dotados de corpo e de membros, machos e fêmeas, com as suas fêmeas, para serem um — "como o barro que une as pedras da casa", ou "como os aros de ferro e cobre que prendem e unem as tábuas dos barris de madeira para serem um". Exalte-se o Nome, bendito seja, e eleve-se acima de tudo quanto d'Ele pensaram os tolos e os néscios!

E por isso disseram os novos cabalistas que aquele que reza a Ele ao Altíssimo — a sua oração não é oração, e todo aquele que O invoca não será atendido, pois Ele é elevado e apartado de toda bênção, não tendo de quem ser abençoado, nem nome que O delimite; porque o poder e o domínio pertencem aos "deuses" que estão abaixo d'Ele, que são os cinco partzufim abrangentes, chamados pelos Nomes YHVH, Adonut e Elohim; e o principal Nome específico, o Nome YHVH, é atribuído ao deus "de ânimo curto" (Ze'ir Anpin) com a sua consorte — e é ele quem governa sobre todas as criaturas, como se explicou acima em vários lugares.

קיו) וכבר מלאו אזניך ורעיונך, כי המקובלים עובדים לנברא כמו שנת' לעיל סי' מ"ח בשם יושר לבב דף ג' ע"ב וז"ל דע את אלהי אביך עבדהו, דע את אלהי אביך כולל ה' פרצופין, ועבדהו לז"א אע"פ שהוא נברא, כי נשמתו את העובד בזה כי מבלעדיו אין כל נמצא, משום הכי לא אמר דע אלהי אביך ולא את אלהי אביך ע"כ. וכוונתו כי במלת את לרבות נשמת זעיר אנפין. והנה בכל תורה לא מצינו שיהא דבר הבא מרבוי עוקר את העיקר שנזכר בכתוב בהדיא, רק שיהא מצורף אל העיקר ומשתתף באיסור עמו כמו שדרשו רז"ל בכתובות כבד את אביך ואת אמך, את אביך זו אשת אביך, ואת אמך זה בעל אמך, שיהא מכבד את אשת אביו עם אביו, ואת בעל אמו עם אמו, וכן מה שדרשו רז"ל וערלתם ערלתו את פריו את הטפל לפריו, דהיינו הקליפין והגרעינין שהן אסורין בערלה כפרי עצמו ובנדון זה עשו המקובלים החדשים דבר הטפל הבא מרבוי את לעיקר ואמרו שהם עובדים לנשמתו, והגוף שהוא נברא טפל. ועובדים וגוף ולנשמה, כמו שביארנו לעיל סי' ט"ל וסי' ס"ה! ונמצאו משתפים שם שמים ודבר נברא, ועוברים על דברי רשב"י שאמר כל המשתף שם שמים ודבר אחר נעקר מן העולם. והן עתה אוסיף להעירך על קצת מאמרים מהזהר דמוכח מנייהו שזעיר אנפין נברא עיין בזהר בראית דף ט"ו ומקדש מלך שם מבואר דז"א נברא הוא וכבר הבאתי קצת מזה בסי' כ"ד, גם בדף כ"ו ע"א ויטע ה' אלהים, אבא ואימא, גן דא שכינתא תתאה, עדן דא אימא עלאה, את האדם דא עמודא דאמצעיתא (שהוא ז"א) עוד שם ויצמח ה' אלהים אבא ואימא, כל עץ נחמד דא צדיק (יסוד) וטוב למאכל, דא עמודא דאמצעיתא וכו' ועץ החיים דהוא אילנא דחי יהי נטיע בנו גינתא וכו', והראיה היותר ברורא הוא האמור באדרא רבה דף קל"ח ע"ב, ה' פעלך בקרב שנים חייהו. האי לעתיק יומין אתאמר, מאן פעלך, זעיר אנפין, חייהו למאן? לזעיר אנפין דכל נהירו דיליה מאינון שנים קדמוניות! מזה יתבאר לךל בבירור שזעיר אנפין נברא, וכבר ידעת דעת הפילסוף המסית מחבר הזהר ורוב המקובלים הנמשכים אחריו, שלא תכון תפלה ועבודה רק לזעיר אנפין הנברא הלזה, ולדעת בעל עז לאלהים אין העבודה אלא למלכא קדישא דכל קדישין הנקרא לבא דכל ליבין והוא מתלבש תוך זעיר אנפין כמבואר שם בבית קדש הקדשים פרק י"ט דף נ"ט ע"ד, ואע"פ שיצא ממעי אבא ואימא הוא העיקר ואף אבא ואימא צריכים לכבדו כמלך בשר ודם שמולך שכל העם מכבדים אותו. ואף אביו ואמו צריכים לכבדו, שהוא המלך השליט, ואליו תפלותינו והוא מלכינו ואלהינו, אבל המתפלל לאל עליון שהוא הסבה הראשונה אין תפלתו תפלה, כי איך נאמר ברוך אתה ה', ממי יתברך ויבוא לו השפע? (בית קדש הקדשים דף כ"ו ע"ד).
ועיין בזהר רעיא מהימנא דף ק"ט ע"ב שמבאר שם, כי האלהים העליון גלית ליה גופא ולא איברים ולא נוקבא, והוא רק מחבר ומקשר את האלהים התחתונים בעלי גוף ואיברים זכרים ונקיבות עם נקבותיהם להיות אחד, כטיט המחבר אבני הבית, או כחשוקי ברזל ונחשת הקושרים ומחברים את לוחות חביות של עץ להיות אחד. יתעלה השי"ת ויתרומם מכל מה שחשבו בו הטפשים והסכלים! ולכן אמרו המקובלים החדשים שהמתפלל אליו אין תפלתו תפלה, וכל הקורא אליו לא יענהו, והוא מרומם ומסולק מכל ברכה שאין לו ממי להתברך, ולא שם ךו שיגבילהו, כי הכח והממשלה להאלהים שלמטה ממנו שהם החמשה פרצופים הכוללים, והמה נקראים בשם הוי'ה ואדנות ואלהים, ועיקר שם המיוחד שם הוי'ה נקרא להאלוה קצר אפים (זעיר אנפין) עם זוגתו, והוא השולט על כל הברואים כמו שנת' לעיל בכמה מקומות.

פֵּרוּשׁ — Análise do Capítulo XLV

Este capítulo abre com uma imagem grandiosa: os Homens da Grande Assembleia que "restituíram a coroa ao seu antigo estado". Para Rav Qafih, essa "coroa" é a fé na unidade absoluta de D'us — e o arco do capítulo é a história dessa coroa: como brilhou por milênios, como (no entender do autor) foi posta à prova, e quem a guarda hoje. O §113 traça esse panorama e nomeia os guardiões: os mestres do Talmud, a multidão simples do povo, e os estudiosos dos racionalistas — Saadia, o Kuzari, o Rambam, o Chovot haLevavot.

O §114 muda de tom: do panorama histórico para o lamento. Rav Qafih descreve o que vê como um silêncio imposto pelo medo — estudiosos que reconheceriam as suas objeções em privado, mas que temem o poder social dos círculos que critica. É um parágrafo de grande intensidade retórica, e cabe lê-lo como o testemunho de uma minoria racionalista que se sentia cercada, mais do que como descrição neutra. O contraponto que escolhe — Avraham na fornalha, os três jovens diante de Nabucodonosor, Daniel na cova — eleva a discussão ao plano do martírio pela unidade pura de D'us.

O §115 é o coração ético do capítulo. Ao citar quase na íntegra a sugya da lisonja (chanufá) do tratado Sotá, Rav Qafih desloca a polêmica do terreno teológico para o moral: o problema, diz ele, não é apenas o erro doutrinário, mas a covardia que impede de nomeá-lo — a deferência interesseira que "perverte os juízes e corrompe as obras". A escolha de Sotá não é casual: é o tratamento mais severo da bajulação em toda a literatura rabínica.

O §116 retoma o fio técnico. A exegese da partícula "et" — que inclui, mas nunca substitui, o objeto principal de um preceito — é usada para argumentar que tornar o ser "incluído" o destinatário primário do culto inverte a própria regra hermenêutica dos Sábios. Aqui é essencial recordar a réplica registrada nos capítulos anteriores: a tradição cabalística entende os partzufim como faces de uma só Luz Infinita, e termos como "criado", "corpo" e "luz" como metáforas — não como literalidades. O capítulo documenta, com rigor, um dos lados de um debate interno multissecular; este site acolhe também o outro lado. O que une as duas correntes é o núcleo inegociável: servir unicamente ao Único.

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