Quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Terumot. A Mishná ensina que aquele que pretende dizer "teruma" e diz "dízimo", ou "dízimo" e diz "teruma"; "oferenda de subida" (olá) e diz "oferenda pacífica" (shelamim), ou "oferenda pacífica" e diz "oferenda de subida"; (aquele que jura) "não entrarei nesta casa" e diz "nesta" (outra); "não desfrutarei disto" e diz "disto" (outro) — não disse nada, até que sua boca e seu coração estejam de acordo. A guemará traz o que se aprendeu noutro lugar, que a Casa de Shamai diz que o hekdesh (consagração) por engano é hekdesh, com a explicação de Rabi Yirmiyah de que quem veio dizer "chulin" (profano) e disse "oferenda de subida" a consagrou, e a objeção de Rabi Yosei, de que ali se trata de quem pretendia consagrar, mas errou por causa de outra coisa; e pergunta o que é a nossa mishná segundo cada opinião — na de Rabi Yirmiyah, está em disputa; na de Rabi Yosei, são palavras de todos. Fecha ensinando que "com os lábios" e não "com o coração" exclui quem apenas decide em seu coração, mas que Shmuel disse que quem decide em seu coração não é obrigado até que o expresse com seus lábios, com a objeção trazida do versículo "todo generoso de coração" (referente às doações para o Mishkán), resolvida pela distinção entre o voto ou korban, que exige fala, segundo o versículo "guardarás o que teus lábios pronunciaram", e a doação generosa do coração, na qual basta a decisão do coração, sem necessidade de fala. Massechet Terumot tem onze perakim; o Perek Guimel tem cinco halachot ao todo.
Mishná: Aquele que pretende dizer "teruma" e diz "dízimo", ou "dízimo" e diz "teruma"; (que pretende dizer) "oferenda de subida" (olá) e diz "oferenda pacífica" (shelamim), ou "oferenda pacífica" e diz "oferenda de subida"; (aquele que jura) "não entrarei nesta casa" e diz "nesta" (uma outra); "não desfrutarei disto" e diz "disto" (outro) — não disse nada, até que sua boca e seu coração estejam de acordo.
Halachá: Ali (noutro lugar) aprendemos: a Casa de Shamai diz: o hekdesh (consagração) por engano é hekdesh. E disse Rabi Yirmiyah: (o caso é de alguém que) veio dizer "chulin" (profano) e disse "oferenda de subida" — ele a consagrou. Disse Rabi Yosei: com quem pretende de fato consagrar é que lidamos, mas errou por causa de outra coisa (errou o tipo de oferenda, não a intenção de consagrar). E esta nossa mishná, o que é ela, segundo cada opinião? Segundo a opinião de Rabi Yirmiyah, está em disputa (entre as Casas). Segundo a opinião de Rabi Yosei, são palavras de todos (há consenso, pois os casos são diferentes).
Halachá: Foi ensinado: "com os lábios" (bisfatáyim — Levítico 5:4) e não "com o coração" — poderia eu excluir aquele que decide algo apenas em seu coração (sem falar, mas ainda assim seria obrigado)? O texto ensina "para pronunciar" (levatê, no mesmo versículo, que também inclui). Mas Shmuel disse: aquele que decide em seu coração não é obrigado, até que o expresse com seus lábios. Mas não se ensinou: "todo generoso de coração" (kol nediv lev — Êxodo 35:5) — este é aquele que decide em seu coração? Dirás que este é aquele que decide em seu coração, ou não é senão aquele que o expressa com seus lábios? Quando ele diz "o que teus lábios pronunciaram, guardarás" (Deuteronômio 23:24) — eis que já se falou daquele que o expressa com seus lábios ali. Então como sustento eu "todo generoso de coração"? Este é aquele que decide em seu coração (quanto às doações para o Mishkán, basta o coração, sem necessidade de fala). O que disse Shmuel (exigindo fala) aplica-se ao korban (à consagração de uma oferenda).
Esta é a quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Terumot, capítulo com cinco halachot no total. A Mishná ensina que aquele que pretende dizer uma coisa e diz outra — "teruma" por "dízimo", "dízimo" por "teruma", "oferenda de subida" por "oferenda pacífica", ou o inverso, e o mesmo em votos sobre entrar numa casa ou desfrutar de algo — não disse nada, pois a designação exige que a boca e o coração estejam de acordo.
A guemará traz o que se aprendeu noutro lugar sobre a posição da Casa de Shamai de que o hekdesh por engano é hekdesh, com a explicação de Rabi Yirmiyah e a objeção de Rabi Yosei, e a pergunta sobre se a nossa mishná, segundo cada uma dessas opiniões, está em disputa entre as Casas ou é consenso de todos; e fecha distinguindo, a partir dos versículos "levate bisfatáyim" e "motza sfatecha tishmor", entre o voto ou korban, que exige fala com os lábios segundo Shmuel, e a doação generosa do coração (nediv lev) para o Mishkán, na qual basta a decisão do coração. Esta halachá trata da exigência de que a fala corresponda à intenção do coração nas designações de teruma, dízimos e korbanot, e nos votos, sem paralelo temático genuíno no Talmud Bavli, Massechet Shabat.