Talmud Yerushalmi · Massechet Sheviit · Perek Guimel · Halachá 4
שְׁבִיעִית

A pedreira aberta no próprio campo, a medida da cerca, e o zíz que traz impureza

Perek Guimel, Halachá 4, no Talmud Yerushalmi, Massechet Sheviit

Quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Sheviit: a Mishná proíbe que uma pessoa abra, pela primeira vez, uma pedreira (machtzev) dentro do seu campo, a não ser que já haja ali três camadas de pedra que meçam três por três, com altura de três, medida essa de vinte e sete pedras ao todo; uma cerca que tenha dez pedras que sejam carga para dois homens cada uma pode ser retirada; a medida de uma cerca é de dez palmos, e menos que isso é pedreira, devendo-se nivelá-la até menos de um palmo do chão; tudo isso quando se trata do próprio campo, mas do campo do outro pode-se tirar o que se quiser; e tudo isso quando não se começou antes da véspera do ano sabático, mas se já se começou antes da véspera do ano sabático, pode-se tirar o que se quiser. A guemará explica a conta que soma vinte e sete pedras; traz o ensino sobre a pedreira que fica entre dois vizinhos e que um deles já abriu de modo permitido; recorre, por comparação, ao ensinamento de outro lugar — de Massechet Ohalot — sobre o zíz (saliência ou beiral) que traz impureza em qualquer medida, e sobre a guizerá e a govlit, que só a trazem com abertura de um palmo, com as explicações de Rabi Chiya bar Aba e de Rabi Yosei sobre as camadas de pedra; traz a pergunta de Rabi Chiya bar Aba comparando essas medidas às medidas da nossa mishná, respondida por Rabi Chizkiyá e Rabi Yaakov bar Acha em nome de Rabi Yosei ben Chanina, com a explicação de Rabi Yosei sobre o desbaste da pedra; e fecha com a disputa entre Rabi Yehuda e Rabán Shimon ben Gamliel sobre se a intenção de consertar o campo torna a lei mais branda ou mais severa, e a decisão de Rabi Yasa, transmitida por Rabi Bivi, de ensinar a leniência.

A Mishná · מַתְנִיתִין

לֹא יִפְתַּח אָדָם מַחְצֵב בִּתְחִילָּה לְתוֹךְ שָׂדֵהוּ עַד שֶׁיְּהוּ שָׁם שָׁלֹשׁ מוֹרְבִיּוֹת שֶׁהֵן שָׁלֹשׁ עַל שָׁלֹשׁ עַל רוּם שָׁלֹשׁ שִׁיעוּרִין עֶשְׂרִים וְשֶׁבַע אֲבָנִים. גֶּדֶר שֶׁיֵּשׁ בּוֹ עֶשֶׂר אֲבָנִים שֶׁל מַשּׂוּי שְׁנַיִם שְׁנַיִם הֲרֵי אֵלּוּ יִנָּטְלוּ. שִׁיעוּר גֶּדֶר עֲשָׂרָה טְפָחִים פָּחוֹת מִכֵּן מַחְצֵב וְגוֹמְמוֹ עַד פָּחוֹת מִן הָאָרֶץ טֶפַח. בְּמַה דְבָרִים אֲמוּרִים מִתּוֹךְ שֶׁלּוֹ אֲבָל מִתּוֹךְ שֶׁל חֲבֵירוֹ מַה שֶׁהוּא רוֹצֶה יִטּוֹל. בְּמַה דְבָרִים אֲמוּרִים בִּזְמָן שֶׁלֹּא הִתְחִיל בּוֹ מֵעֶרֶב שְׁבִיעִית. אֲבָל אִם הִתְחִיל בּוֹ מֵעֶרֶב שְׁבִיעִית מַה שֶׁהוּא רוֹצֶה יִטּוֹל.

Mishná: Uma pessoa não abrirá uma pedreira (machtzev) pela primeira vez dentro do seu campo, até que haja ali três camadas de pedra (morviyot, degraus já cortados na rocha), que são de três por três, com altura de três (palmos), medida essa de vinte e sete pedras. Uma cerca que tenha nela dez pedras, cada uma sendo carga de dois homens, pode ser retirada. A medida de uma cerca é de dez palmos; menos que isso é pedreira, e ele a nivela até menos de um palmo acima do chão. Em que caso se disse isto? Do que está dentro de seu próprio (campo); mas do que está dentro do (campo) de seu companheiro, pode tirar o que quiser. Em que caso se disse isto? Quando não começou (a retirada de pedras) antes da véspera do ano sabático; mas se já começou antes da véspera do ano sabático, pode tirar o que quiser.

A Halachá · הֲלָכָה ד

01A conta que soma vinte e sete pedras
Yerushalmi · Sheviit 3:4
הֵיךְ עֲבִידָא תְּלָתָא זִימְנִין מִן תֵּשַׁע תִּשְׁעָה זִימְנִין מִן תְּלָת עֶשְׂרִין וְשֶׁבַע.

Halachá: Como se faz isso (a conta de vinte e sete pedras)? Três vezes nove (fileiras), ou nove vezes três — vinte e sete.

02A pedreira entre dois vizinhos
Yerushalmi · Sheviit 3:4
תַּנֵי מַחְצֵב שֶׁבֵּינוֹ לְבֵין חֲבֵירוֹ וּפָתַח בּוֹ חֲבֵירוֹ בְּהֵיתֵר מוּתָּר. וְאִם הָיְתָה רֵיקָה אָסוּר.

Halachá: Ensinou-se: uma pedreira que fica entre ele e seu companheiro, e seu companheiro já a abriu de modo permitido (antes da véspera do ano sabático), é permitido (continuar a tirar dela). Mas se ela estava vazia (ainda não aberta por ninguém), é proibido.

03O zíz que traz impureza em qualquer medida, e as camadas de doze palmos
Yerushalmi · Sheviit 3:4
תַּמָּן תַּנִינָן הַזִּיז מֵבִיא אֶת הַטּוּמְאָה בְּכָל שֶׁהוּא הַגִּזְרָה וְהַגּוֹבְלִית בְּפוֹתֵחַ טֶפַח. אָמַר רִבִּי חִיָיה בַּר בָּא הָדָא אָמְרָה זֶה שֶׁהוּא מְקַבֵּל נִדְבָּךְ מֵחֲבֵירוֹ צָרִיךְ לַעֲשׂוֹת לוֹ אַרְבָּעָה טְפָחִים כְּדֵי מָקוֹם. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי מַתְנִיתָא אָמְרָה כֵן וּבְמָה אָמְרוּ הַזִּיז מֵבִיא אֶת הַטּוּמְאָה בְּכָל שֶׁהוּא בְּזִיז שֶׁהוּא גָבוֹהַּ מִן הַפֶּתַח שְׁלֹשָׁה נִדְבָּכִין שֶׁהֵן שְׁנֵים עָשָׂר טֶפַח. וְלָמָּה תַנִינָן נִדְבָּכִין לְמִדַּת הַדִּין.

Halachá: Ali (em Massechet Ohalot) ensinamos: o zíz (uma saliência ou beiral que se projeta de uma parede) traz a impureza (do cadáver, para dentro de uma casa) em qualquer medida (por menor que seja); a guizerá e a govlit (outros tipos de saliência ou cornija) só a trazem com uma abertura de um palmo. Disse Rabi Chiya bar Aba: isso ensina que aquele que recebe uma camada de pedra (nidbach) de seu companheiro (numa parede compartilhada) precisa fazer para ela quatro palmos de espaço. Disse Rabi Yosei: a mishná (de Ohalot) assim o diz; e em que caso disseram que o zíz traz a impureza em qualquer medida? Num zíz que é mais alto que a entrada em três camadas de pedra, que são doze palmos. E por que ensinamos (a medida em) camadas (e não diretamente em palmos)? Pela medida do juízo (para dar uma medida mais abrangente e favorável).

04Rabi Chiya bar Aba compara as medidas, e o desbaste da pedra
Yerushalmi · Sheviit 3:4
רִבִּי חִיָיא בַּר בָּא שָׁאַל אִילֵּין שִׁיעוּרַיָּא כְּאִינּוּן שִׁיעוּרַיָּא. רִבִּי חִזְקִיָּה רִבִּי יַעֲקֹב בַּר אָחָא בְשֵׁם רִבִּי יוֹסֵי בֶּן חֲנִינָא אִילֵּין שִׁיעוּרַיָּא כְּאִינּוּן שִׁיעוּרַיָּא. הָכָא אַתְּ אָמַר שִׁיעוּר גֶּדֶר עֲשָׂרָה טְפָחִים פָּחוֹת מִיכֵּן מַחְצֵב וְכֹא אַתְּ אָמַר הָכֵין. מַה נָן קַיָימִין אִם כְּשֶׁהָיוּ שְׁנֵי נִדְבָּכִין נִיתְנֵי שְׁמוֹנָה טְפָחִים. אִם כְּשֶׁהָיוּ שְׁלֹשָׁה נִיתְנֵי שְׁנֵים עָשָׂר טְפָחִים. אָמַר רִבִּי יוֹסֵי צֵא חֲצִי טֶפַח לְסִיתּוּת מִיכָּן וַחֲצִי טֶפַח לְסִיתּוּת מִכָּאן וְכֵן לְחַבְרֵיהּ נִמְצָא שְׁלֹשָׁה נִדְבָּכִין שֶׁל עֲשָׂרָה טְפָחִים. פָּחוֹת מִיכֵּן אֵינוֹ לֹא גֶדֶר וְלֹא מַחְצֵב.

Halachá: Rabi Chiya bar Aba perguntou: essas medidas (da nossa mishná) são como aquelas medidas (de Ohalot)? Rabi Chizkiyá e Rabi Yaakov bar Acha, em nome de Rabi Yosei ben Chanina: essas medidas são como aquelas medidas. Aqui (nesta mishná) dizes que a medida de uma cerca é de dez palmos, e menos que isso é pedreira; e ali (em Ohalot) não dizes assim! Sobre o que estamos (discutindo)? Se era quando havia duas camadas de pedra, deveria ensinar oito palmos; se era quando havia três, deveria ensinar doze palmos (e não dez, como aqui). Disse Rabi Yosei: tira meio palmo para o desbaste de um lado, e meio palmo para o desbaste do outro lado, e assim para a sua companheira (a camada seguinte) — resulta em três camadas de dez palmos. Menos que isso não é nem cerca, nem pedreira.

05A intenção de consertar o campo, e a decisão pela leniência
Yerushalmi · Sheviit 3:4
תַּנֵּי אָמַר רִבִּי יוּדָה בְּמַה דְבָרִים אֲמוּרִים בִּזְמָן שֶׁלֹּא נִתְכַּוֵון לְתִיקּוּן שָׂדֵהוּ. אֲבָל אִם נִתְכַּוֵון לְתִיקּוּן שָׂדֵהוּ אֲפִילוּ יוֹתֵר מִיכֵּן מוּתָּר. אָמַר רַבָּן שִׁמְעוֹן בֶּן גַּמְלִיאֵל בְּמַה דְבָרִים אֲמוּרִים בִּזְמָן שֶׁלֹּא נִתְכַּוֵון לְתִיקּוּן שָׂדֵהוּ. אֲבָל אִם נִתְכַּוֵון לְתִיקּוּן שָׂדֵהוּ אֲפִילוּ פָּחוֹת מִיכֵּן אָסוּר. אָמַר רִבִּי בִּיבִי הוֹרֵי רִבִּי יָסָא כְדוֹן תַּנְיָא לְקוּלָּא.

Halachá: Ensinou-se, disse Rabi Yehuda: em que caso se disse isto (que se pode retirar as pedras da cerca de dez, cada uma carga de dois homens)? Quando não teve a intenção de consertar o seu campo; mas se teve a intenção de consertar o seu campo, mesmo mais do que isso é permitido. Disse Rabán Shimon ben Gamliel: em que caso se disse isto? Quando não teve a intenção de consertar o seu campo; mas se teve a intenção de consertar o seu campo, mesmo menos do que isso é proibido. Disse Rabi Bivi: Rabi Yasa me ensinou que agora se ensina (esta lei) para a leniência.

Nota

Esta é a quarta halachá do Perek Guimel de Massechet Sheviit. A Mishná proíbe abrir uma pedreira pela primeira vez dentro do próprio campo, a não ser que já haja ali três camadas de pedra que somem vinte e sete pedras; permite retirar a cerca de dez pedras cada uma carga de dois homens; fixa a medida de dez palmos que distingue a cerca da pedreira; e distingue o campo próprio do campo alheio, e o que já se começou a explorar antes da véspera do ano sabático do que ainda não se começou.

A guemará explica a conta de vinte e sete pedras (três vezes nove, ou nove vezes três); traz o ensino sobre a pedreira compartilhada entre vizinhos, permitida quando um deles já a abriu de modo lícito; recorre, por analogia, ao ensinamento de Massechet Ohalot sobre o zíz que traz impureza em qualquer medida e sobre a guizerá e a govlit, que só a trazem com abertura de um palmo — com as explicações de Rabi Chiya bar Aba e de Rabi Yosei sobre as camadas de pedra e as doze palmos de altura; traz a pergunta de Rabi Chiya bar Aba comparando essas medidas às da nossa mishná, e a resposta de Rabi Chizkiyá e Rabi Yaakov bar Acha, em nome de Rabi Yosei ben Chanina, resolvida por Rabi Yosei com a explicação sobre o desbaste da pedra que reduz as doze palmos a dez; e fecha com a disputa entre Rabi Yehuda e Rabán Shimon ben Gamliel sobre se a intenção de consertar o campo torna a lei mais branda ou mais severa, decidida por Rabi Yasa, na transmissão de Rabi Bivi, a favor da leniência.