Sexta e última halachá do Perek Tet de Massechet Kilayim, abrindo uma Mishná nova: quem prende com um único ponto de agulha — isso não é uma união, não há nisso kilaim, e quem o solta no Shabat está isento; mas se as duas pontas do fio saem do mesmo lado, é uma união, há nisso kilaim, e quem o solta no Shabat é culpado. Rabi Yehuda diz que isso só vale quando o ponto é triplicado. E o saco e a caixa se combinam para kilaim (isto é, roupas de lã e de linho guardadas juntas dentro de um mesmo saco ou de uma mesma caixa são consideradas unidas para efeito da proibição). A guemará abre com a disputa entre Rabi Chanina, para quem só a descida completa por todo o lado cria a união, e Rabi Yanai, que o reenvia à própria Mishná para mostrar que bastam duas ou três descidas do fio; distingue o fio ainda enfiado na agulha — que nunca é união para a roupa — do fio já costurado, que é união para a roupa mas não para a agulha, com a disputa entre Rabi Yoná e Rabi Yossé sobre a exigência de nó em ambos os lados, e a objação dos rabanan a partir da lei sobre quem estica os dois lados de uma costura no Shabat; compara a razão de Rabi Yehuda com a de Rabi Eliezer sobre tecer três fios no início da obra, ambas fundadas na ideia de que só a partir do terceiro ponto o trabalho se torna permanente; resolve, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, que também o cesto — e não só o saco — se combina com a caixa para kilaim, e que as tendas, ao contrário das roupas, não têm nisso kilaim; e fecha com as perguntas de Rabi Yirmeya, sobre um pai e um filho vestidos um de lã e outro de linho e cingidos por uma mesma tira, e de Rabi Chagai, sobre a própria pessoa calçada com uma meia de lã num pé e uma de linho no outro, ou com um emplastro de lã e um de linho sobre feridas em pontas opostas — ambas respondidas por Rabi Yossei com a mesma pergunta, "e essa, onde está mordida?", da qual se extrai o princípio final de toda a massechet: não há proibição senão onde há verdadeira mordida, isto é, união física direta entre as duas espécies. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Tet, e com ele toda a Massechet Kilayim.
Mishná: Quem prende com um único ponto de agulha (um só cruzamento do fio, sem que as duas pontas apareçam do mesmo lado) — isso não é uma união, e não há nisso kilaim, e quem o solta no Shabat está isento. Se fez as duas pontas do fio saírem do mesmo lado, é uma união, há nisso kilaim, e quem o solta no Shabat é culpado. Rabi Yehuda diz: somente quando o triplica. E o saco e a caixa se combinam para kilaim.
Halachá: Rabi Chanina disse: a união só se forma quando o fio desce por todo o lado. Disse Rabi Yanai: disseram a Rabi Chanina: sai e lê! Não ensinamos: "fez as duas pontas para o mesmo lado"? Segundo isso, bastaria que descesse e subisse. E não ensinamos: "Rabi Yehuda diz: somente quando o triplica"? Segundo isso, seria preciso que descesse, subisse e descesse de novo. Mas, na verdade, é assim e assim (cada opinião — a dos sábios anônimos e a de Rabi Yehuda — se sustenta a seu próprio modo, sem que se resolva qual delas prevalece).
Halachá: Um fio que ele enfiou numa agulha — ainda que amarrado de um lado e de outro — não é uma união para a roupa (pois a agulha, por ainda estar presa, será sempre removida). O fio já costurado é uma união para a roupa, mas não é uma união para a agulha. Rabi Yoná e Rabi Yossé, ambos dizem: o fio só é união quando amarrado de um lado e de outro. As palavras dos rabanan discordam disso, pois Rabi Aba e Rabi Yirmeya, em nome de Rav, disseram: quem estica os dois lados de uma costura já feita no Shabat é culpado por costurar. E deveria dizer: por costurar e por amarrar (se o nó em ambos os lados fosse mesmo indispensável, esticar os lados criaria também o ato de amarrar, o que a tradição não menciona).
Halachá: Disse Rabi Simon: a razão de Rabi Yossei (citada aqui pela opinião de triplicar o ponto, embora a Mishná a atribua a Rabi Yehuda) é que, por meio do terceiro ponto, o seu trabalho se consolida. Será que Rabi Yehuda segue Rabi Eliezer? Pois ensinamos ali (em Massechet Shabat): Rabi Eliezer diz que quem tece três fios no início da obra, ou um fio sobre o tecido já começado, é culpado. Disse Rabi Ula: a razão de Rabi Eliezer, ali, é que por meio do terceiro o seu trabalho se consolida; mas aqui, menos do que isso se desfaz por si só.
Halachá: Rabi Simon, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi: ensinaram isso somente quanto ao saco; eis que quanto ao cesto, não (a Mishná pareceria excluir o cesto da combinação). Mas se encontrou ensinado: o cesto, o saco e a caixa se combinam para kilaim (logo, o cesto também entra na regra). As tendas não têm nisso kilaim (o pano de tenda pode misturar lã e linho sem que roupas de lã e de linho guardadas sob a mesma tenda se considerem unidas entre si).
Halachá: Rabi Yirmeya perguntou: ele e o seu filho, podem se combinar para kilaim? Como se dá isso? Ele veste roupas de lã, e o seu filho veste roupas de linho; ele toma uma tira de lã e a enrola em volta de ambos os dois, cingindo-os juntos. Disse Rabi Yossei: e essa tira, onde está mordida (isto é, onde há união física direta entre a lã e o linho, e não mera proximidade dos dois corpos)? Rabi Chagai perguntou: ele mesmo, pode se combinar para kilaim? Como se dá isso? Ele veste meias de lã num pé, e meias de linho no outro pé. Disse Rabi Yossei: e essa, onde está mordida? A pergunta não era necessária nesse caso simples; mas era necessária se havia feridas nas pontas dos pés ou das mãos, e ele pôs um emplastro de pano de lã sobre uma delas, e um emplastro de pano de linho sobre a outra. Disse Rabi Yossei: e essa, onde está mordida? Não há proibição senão onde há mordida somente (a proibição de kilaim exige sempre uma união física direta entre a lã e o linho, nunca a simples justaposição ou proximidade entre duas peças distintas).
Esta é a sexta e última halachá do Perek Tet de Massechet Kilayim, e abre uma Mishná nova, deixando para trás a classificação de behemá e chayá para tratar do que conta como uma verdadeira "união" entre lã e linho: um único ponto de agulha não basta para criar essa união, e por isso não há nisso kilaim, e quem o desfaz no Shabat está isento; mas quando as duas pontas do fio saem do mesmo lado, a união se forma, há kilaim, e quem a desfaz no Shabat é culpado — com Rabi Yehuda a exigir um terceiro ponto para que a costura se considere firme. A Mishná fecha estabelecendo que o saco e a caixa se combinam entre si para efeito de kilaim, de modo que roupas de lã e de linho guardadas juntas num mesmo recipiente se consideram unidas. A guemará abre com a disputa entre Rabi Chanina, que exige que o fio desça por toda a largura do tecido, e Rabi Yanai, que o reenvia à leitura cuidadosa da própria Mishná, mostrando que bastam duas descidas do fio segundo os sábios anônimos, ou três segundo Rabi Yehuda, sem que se decida qual delas prevalece. Distingue-se então o fio ainda enfiado na agulha, que nunca chega a ser união para a roupa, do fio já costurado, que é união para a roupa mas não para a agulha, com a disputa entre Rabi Yoná e Rabi Yossé sobre a exigência de um nó em ambos os lados do tecido, apoiada — segundo a objeção dos rabanan — na lei sobre quem estica os dois lados de uma costura no Shabat. Compara-se em seguida a razão de Rabi Yehuda com a de Rabi Eliezer sobre tecer três fios no início da obra, ambas fundadas no princípio de que só a partir do terceiro ponto o trabalho se torna permanente e deixa de poder se desfazer sozinho. Resolve-se, em nome de Rabi Yehoshua ben Levi, que também o cesto — e não apenas o saco — se combina com a caixa para kilaim, e que as tendas, ao contrário das roupas guardadas nelas, não têm em si mesmas kilaim. E a halachá — e com ela todo o Perek Tet — fecha com as perguntas de Rabi Yirmeya, sobre um pai vestido de lã e um filho vestido de linho cingidos por uma mesma tira, e de Rabi Chagai, sobre a própria pessoa calçada com uma meia de lã num pé e uma de linho no outro, ou com um emplastro de lã e um de linho sobre feridas em pontas opostas do corpo — todas respondidas por Rabi Yossei com a mesma pergunta, "e essa, onde está mordida?", da qual se extrai o princípio final de toda a Massechet Kilayim: não há proibição de kilaim senão onde há verdadeira mordida, isto é, uma união física direta entre as duas espécies, nunca a simples proximidade ou justaposição de duas peças distintas. Com esta halachá, encerra-se por completo o Perek Tet de Massechet Kilayim.
Com isso, conclui-se a tradução integral da Massechet Kilayim do Talmud Yerushalmi para o português — do Perek Alef ao Perek Tet, todas as 56 halachot deste tratado, segundo a numeração da edição usada nesta trilha (9 halachot no Perek Alef, 8 no Perek Bet, 6 no Perek Guimel, 6 no Perek Dalet, 7 no Perek Heh, 4 no Perek Vav, 6 no Perek Zayin, 4 no Perek Chet e 6 no Perek Tet). Massechet Kilayim, por ser um "tratado menor" dentro do Seder Zeraim, não recebeu Guemará no Talmud Bavli, nem comentário tradicional de Rashi; o texto aqui é o Yerushalmi em sua integridade, do início ao fim.