Quinta halachá do Perek Tet de Massechet Kilayim: a Mishná ensina que não é proibido por causa de kilaim senão o fiado e o tecido, pois está dito "não vestirás shaatnez" — uma coisa que é shua (cardada), tavui (fiada) e noz (tecida) —, que Rabi Shimon ben Elazar lê a palavra como naloz, quem a veste se desvia e torna-se um caluniador de seu Pai que está nos céus, que os feltros são proibidos por serem cardados, que a debrum de lã sobre roupa de linho é proibida por voltar a formar-se como tecido, que Rabi Yossé proíbe as cordas tecidas por serem torcidas antes de amarradas, que não se deve amarrar tira de lã com tira de linho para cingir os quadris ainda que haja correia de couro no meio, e que os sinais dos tecelões e dos lavandeiros são proibidos por kilaim. A guemará explica, palavra por palavra, por que a Torá escreveu shaatnez por inteiro: se a Torá tivesse omitido a letra que indica o fiado, se pensaria que fiar é permitido; se tivesse omitido a que indica o tecido, se pensaria que tecer é permitido; se tivesse omitido a que indica o cardado, se pensaria que cardar é permitido — mas a Mishná mostra que os três processos são proibidos. Fecha com a disputa tanaítica sobre as cordas de púrpura: proibidas, segundo quem entende que se referem às dos bordadores, que as usam para prender o tecido; permitidas, segundo quem entende que, se a pessoa emagrecer, elas caem por si.
Mishná: Não é proibido por causa de kilaim senão o fiado e o tecido, pois está dito: "Não vestirás shaatnez" (Devarim 22:11) — uma coisa que é shua (cardada), tavui (fiada) e noz (tecida). Rabi Shimon ben Elazar diz: quem a veste é naloz (se desvia) e se torna um meliz (caluniador) de seu Pai que está nos céus. Os feltros são proibidos, porque são cardados. A pif (debrum) de lã sobre roupa de linho é proibida, porque volta a formar-se como um tecido. Rabi Yossé diz: as cordas tecidas são proibidas, porque ele as torce antes de as amarrar. Não se deve amarrar uma tira de lã com uma de linho para cingir com ela os quadris, ainda que a correia de couro esteja no meio. Os sinais dos tecelões e os sinais dos lavandeiros são proibidos por causa de kilaim.
Halachá: Que se escrevesse shaaz (שעז) e não se escrevesse com a letra do tavui (טָ, o fiado)? Se tivéssemos ensinado shaaz e não tivéssemos ensinado com a letra do fiado, diríamos que o fiado é permitido. Mas a Mishná não disse assim; ao contrário, ela disse que não é proibido por causa de kilaim senão o fiado e o tecido.
Halachá: Que se escrevesse shaat (שעט) e não se escrevesse com a letra do noz (o tecido)? Se tivéssemos ensinado shaat e não tivéssemos ensinado com a letra do tecido, diríamos que tecer é permitido. Mas a Mishná não disse assim; ao contrário, ela disse que a debrum de lã sobre roupa de linho é proibida, porque volta a formar-se como um tecido.
Halachá: Que se escrevesse tanaz (טנז) e não se escrevesse com a letra do shua (o cardado)? Se tivéssemos ensinado tanaz e não tivéssemos ensinado com a letra do cardado, diríamos que cardar é permitido. Mas a Mishná não disse assim; ao contrário, ela disse que os feltros são proibidos, porque são cardados.
Halachá: As cordas de púrpura (de lã, usadas sobre roupa de linho) são proibidas. Há tanaítas que ensinam que são permitidas. Quem diz que são proibidas refere-se, por exemplo, às dos bordadores, com as quais ele prende o tecido. Quem diz que são permitidas entende que, se a pessoa emagrecer, elas caem por si (e portanto não se consideram uma verdadeira união entre a lã e o linho).
Esta é a quinta halachá do Perek Tet de Massechet Kilayim. A Mishná estabelece que a proibição de kilaim em tecidos se restringe ao que é fiado e tecido, derivando da própria palavra shaatnez — lida como acrônimo de shua (cardado), tavui (fiado) e noz (tecido) — e reforçada pela leitura homilética de Rabi Shimon ben Elazar; a partir daí, trata do feltro, da debrum de lã sobre linho, das cordas tecidas, da tira usada como cinto e dos sinais de tecelões e lavandeiros. A guemará percorre, letra por letra, a palavra shaatnez, mostrando que a omissão de qualquer uma das letras que indicam cardar, fiar ou tecer levaria a crer, erradamente, que aquele processo isolado seria permitido — mas a Mishná, ao mencionar cada um deles expressamente, ensina que os três são proibidos quando combinam lã e linho. Fecha com a disputa tanaítica sobre as cordas de púrpura, ecoando o mesmo princípio já visto na halachá anterior a respeito do cinto de lã sobre veste de linho: o que pode cair por si, como o observa quem emagrece, não chega a se tornar uma união proibida.